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Shimbashira_2013.01

Palestra do Shimbashira na Grande Cerimônia de Janeiro

(26/janeiro/2013)

 

      Como é de conhecimento, a Grande Cerimônia de Janeiro é realizada na data original do Ocultamento Físico de Oyassama, que ocorreu em 26 de janeiro de 1887.

Este ano é o primeiro ano dos três anos, mil dias, em face da Cerimônia dos 130 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama que será celebrada daqui a três anos. Desejo renovar, juntamente com todos, os votos de buscarmos o amor parental contido no dia original da Cerimônia Decenária de Oyassama e, assimilando-o, dedicarmo-nos nas atividades em unidade espiritual e na maturação durante o período determinado.

26 de janeiro foi a data em que Oyassama ocultou o seu corpo físico, mas desde antes, por ser o dia relacionado à revelação divina, era realizado Serviço Sagrado das cerimônias mensais.

Se realizassem o Serviço, logo vinham os policiais e Oyassama era detida. Por essa circunstância e pelo estado crítico da saúde de Oyassama, recebendo até as seguintes palavras severas: “temem a lei ou temem Deus?”, todos determinaram o espírito e, correspondendo ao apelo do Shimbashira I: “que fiquem para executar o Serviço somente aqueles com o espírito decidido e disposto a sacrificar a própria vida ao desempenhá-lo”, prepararam os instrumentos musicais e realizaram o Serviço em plena luz do dia. Oyassama, que ouvia satisfeita o som alegre dos instrumentos musicais, ocultou o seu corpo ao mesmo tempo em que se encerrava o Serviço.

As pessoas que voltavam triunfantes, após realizarem o Serviço sem qualquer contratempo, tinham a certeza de que Oyassama recuperaria sua saúde, mas ao receberem a notícia inesperada, ficaram atônitas, e apenas choraram tristemente. Porém, reanimaram-se, pois não podiam permanecer para sempre nesse estado emocional e solicitaram a Indicação Divina, através de Izo Iburi, e receberam as seguintes palavras:

“Nivelarei a terra. Estão todos reunidos? Compreendam bem. O que disse até agora deixei colocado na caixa da verdade. Porém, como saí abrindo o portal, por amor aos filhos, encurtei 25 anos da vida que o Parens tinha ainda pela frente e começo a salvação a partir de agora. Fiquem observando bem. Fiquem observando bem o que foi até agora e o que será doravante. Perguntei se desejavam a terra nivelada abrindo o portal ou fechando-o. Não disseram para nivelar a terra abrindo o portal? Fiz como desejaram. Até agora havia algo que queria dar aos filhos. Porém, não pude dar devidamente. Doravante, será entregue gradualmente. Ouçam bem.”

Quando todos estavam sentindo como se as luzes do Sol e da Lua tivessem sido extintas e sem saberem como deviam refletir, receberam as seguintes palavras explícitas: “Fiquem observando bem. Fiquem observando bem o que foi até agora e o que será doravante”, que indicou claramente como será o Caminho daí em diante. Nesse fato, diferentemente da solicitação das pessoas que executaram o Serviço sem se importarem com as suas vidas, com o desejo de que Oyassama recuperasse a saúde, podemos sentir que a intenção de Deus-Parens era para que todos executassem o Serviço com espírito de devoção única a Deus e em unidade espiritual.

Após preparar a ordem do caminho da dedicação sincera à salvação, apressou a execução do Serviço, que é a base disso, e foi a última instrução dos 50 anos de vida-modelo. Por ter apressado até através do estado de saúde de Oyassama, sem se importarem com a rigorosa vigilância dos policiais, abandonando as cogitações humanas, dedicaram-se unicamente com devoção sincera a Deus.

Quando pensamos no Serviço Sagrado desse dia e as tensões do dia a dia até sua chegada, sentimos vivamente a importância de realizar o Serviço e também, como é fundamental dedicarmo-nos na execução do Serviço com espírito de devoção sincera a Deus e em unidade espiritual.

Felizmente, para nós realizarmos o Serviço Sagrado, não precisamos mais temer as autoridades oficiais. Além disso, podemos executá-lo sem nenhuma restrição. Porém, por isso mesmo, a disposição espiritual das pessoas que realizam o Serviço é fundamental.

Isso não se restringe apenas ao Serviço de Kagura realizado em Jiba, mas também, ao Serviço executado mensalmente nas igrejas das localidades, que o realizam recebendo essa razão.

A devoção sincera a Deus é corresponder à intenção de Deus-Parens. Para isso, é preciso abandonar as cogitações humanas, purificar o espírito e buscar a intenção de Deus-Parens.

E, se formos buscar a intenção de Deus-Parens e retrocedermos, chegaremos na intenção da criação original; “criar os seres humanos e compartilhar da sua alegria, vendo-os viverem felizes, plenos de júbilo”. Ainda, chegaremos na intenção da revelação divina; “revelei-me neste mundo para salvar toda a humanidade”. Ou seja, a intenção central de Deus--Parens consiste no amor parental da dedicação sincera à salvação, de salvar todos os filhos do mundo e orientá-los para a vida plena de alegria e felicidade.

Até Oyassama ocultar o seu corpo, era possível ouvir familiarmente a intenção em cada momento através de sua boca. Ainda, mesmo após ocultar o seu corpo, até junho de 1907, através do Honseki, foi possível consultar a intenção de Deus.

No dia de hoje, não é possível ouvir diretamente a intenção de Deus-Parens, mas por outro lado, há vários meios de consultá-la, a começar dos três Textos Originais: “Escritura Divina”, “Hinos Sagrados” e “Indicações Divinas”; e ainda, a “Doutrina de Tenrikyo”, a “Vida de Oyassama - Minuta”, os “Episódios da Vida de Oyassama”, entre outros.

Ao recordarmos, a Escritura Divina, na ocasião do nó de março de 1883 (ano 46 da R.D.), para evitar o seu confisco, foi dito que havia sido queimada. Desde então, até o ano da sua publicação em 1928 (ano 91 da R.D.), oficialmente, era mencionado que o original foi perdido e não era possível qualquer pessoa ler a vontade como nos dias de hoje. A Doutrina também, chamada de Doutrina Meiji, foi compilado em meio ao movimento da autonomia da igreja para acatar a política do governo dessa época, mas, como texto doutrinário, era extremamente incompleto. Juntamente com o fim da guerra, foi feita a restauração e, até poder transmitir o ensinamento conforme Oyassama ensinou, no longo período de submissão às leis, os antecessores buscaram com muito empenho o ensinamento, trilharam o Caminho amparados na vida-modelo e expandiram o ensinamento.

Ao pensarmos nisso, a começar dos Textos Originais, podemos dizer que o atual meio é realmente abençoado, onde podemos ter contato livremente com diversos livros de doutrina e do ensinamento, e também, não se limitando apenas às publicações e livros, temos o Seminário de Tenri, o Curso de Formação Espiritual e ainda, diversos cursos e oportunidades para aprender o ensinamento.

Podemos dizer que, aprender o ensinamento não é para ter apenas na mente como conhecimento, mas para praticá-lo. É para assimilar o ensinamento e viver de acordo com ele no dia a dia.

A devoção sincera a Deus, ou seja, corresponder à intenção de Deus-Parens, não é tão fácil assim. Porém, a nossa caminhada da evolução espiritual é acumular os esforços para buscarmos o desejo do Parens no cotidiano e aproximarmo-nos da sua intenção. O ser humano tem a tendência de ser levado por suas cogitações egoísticas, perder de vista o Parens e, por fim, dar as costas para ele. Em qualquer coisa, tendo o ensinamento como a régua, desejo que tenham a disposição espiritual de praticá-lo buscando a intenção de Deus-Parens e, comparando com a vida-modelo, reflitam sobre como Oyassama agiria nessa situação.

Isso será a cena fundamental do nó ou da encruzilhada da vida, que será o elo de ligação para conseguir ter a decisão de corresponder à intenção ou não.

Tendo como base o que foi ensinado, se buscar o caminho para corresponder à intenção com espírito purificado, creio que, certamente, virá à mente o caminho que deverá passar.

No dia de hoje, temos os nossos conflitos e hesitações. Nessas ocasiões, o ponto de apoio para a reflexão são as seguintes palavras:

 “Por existir Tsukihi, existe este mundo; por existir o mundo, existe cada uma das coisas; por existir cada uma das coisas, existem os seus corpos; por existirem os seus corpos, existe a lei; embora exista a lei, a determinação espiritual é o mais importante.”

Na madrugada do dia 13 de janeiro de 1887, o Shimbashira I, com a firme decisão de colocar às claras os sofrimentos que tomavam seu coração, adiantando-se junto à cabeceira de Oyassama, fez a consulta e recebeu estas palavras de orientação.

Para as pessoas que pensavam que não era possível considerar no mesmo nível o que Deus afirmava e as leis, esclareceu ordenadamente sobre a formação de todas as coisas e que, até onde for, a determinação espiritual de corresponder à intenção de Deus-Parens, Tsukihi, é o mais importante.

Anteriormente, afirmei que é fundamental realizar o Serviço Sagrado com espírito de devoção sincera a Deus e em unidade espiritual. Porém, o espírito de unidade é todos rumarem a um único objetivo, cada qual executar firmemente a sua função e, ao mesmo tempo, agir para manter a harmonia de todos.

A primeira imagem disso, que podemos chamar também de modelo, podemos encontrar no trabalho dos instrumentos na criação original. Os instrumentos que foram atraídos junto a Deus-Parens, para corresponder ao seu desejo de criar os seres humanos, de vê-los levando a vida plena de alegria e felicidade e de ter o prazer de compartilhá-la junto, dedicaram-se, fundiram-se a esse desejo e desempenharam as suas respectivas funções. Aí foi dado o primeiro passo para o mundo de vida plena de alegria e felicidade.

O Serviço de Kagura é realizado manifestando através dos movimentos das mãos a razão do trabalho de cada instrumento na criação original. Nem preciso frisar que o Serviço deve ser executado em unidade espiritual.

Nós falamos e também ouvimos muito sobre a expressão “unidade espiritual”. Nesse sentido, é uma das palavras que qualquer pessoa do Caminho está bem acostumada e familiarizada, mas para ter a união do espírito, realmente, não é tão fácil assim.

Primeiramente, para dirigir-se ao mesmo objetivo, todas as pessoas envolvidas devem ter conhecimento e estar mutuamente cientes deste objetivo. Ainda, cada um deve conhecer a sua própria função e, ao mesmo tempo em que a desempenha, deve ter conhecimento das relações entre si e ter cooperação.

No Caminho, as diversas atividades, as igrejas e as várias organizações, todas almejam o mesmo objetivo que é salvar o mundo e concretizar a vida plena de alegria e felicidade. Direcionando para esse mesmo objetivo, ao mesmo tempo em que cada um, na sua função e posição, deve desempenhar firmemente o seu trabalho, na parte onde é insuficiente, é fundamental a dedicação para poder compensar e salvar mutuamente, de modo que seja possível cumprir a missão em sua totalidade. Com o passar do tempo, ou ainda, com o crescimento, há a tendência de negligenciar o objetivo inicial e enfraquecer a ligação recíproca. Nessa ocasião, é necessário voltar ao ponto original, certificar o objetivo inicial e examinar o deslocamento.

Tendo como exemplo o trabalho desempenhado pelos instrumentos na criação original e, ainda, a realização do Serviço em união espiritual, desejo que assimilem este espírito de união espiritual.

Na ocasião da Grande Cerimônia de Outubro do ano passado, em face dos 130 anos do Ocultamento Físico de Oyassama, anunciei a Instrução 3 com o intuito de contribuir para a maturação de todos os yobokus e para as atividades em união espiritual. Estimulei a disposição espiritual e o trabalho efetivo para poder corresponder ao infinito amor maternal de Oyassama e, na conclusão, conclamei todos os yobokus, como instrumentos de Oyassama, durante os três anos, mil dias, tendo em vista os 130 anos do Ocultamento Físico de Oyassama, a avançar nesses trabalhos cientes da nossa missão para podermos contentar Oyassama eternamente viva.

O período dos três anos, mil dias, foi instruído para trilharmos o caminho da vida-modelo de Oyassama como ponto de referência. Na Indicação Divina de 7 de novembro de 1889, temos que:

“Não digo para fazerem coisas difíceis nem coisas sem modelo. Existe o respectivo caminho da vida-modelo para tudo. Nada poderá ser feito se disserem que não podem passar pelo caminho da vida-modelo.”

E ainda:

“Vim trilhando o caminho inexpressável em palavras ou em escrita. Porém, não se passaram mil ou dois mil anos. Apenas 50 anos. Se disser para passarem 50 anos ou mesmo 30 anos o caminho traçado durante 50 anos, não conseguirão. Também não digo para passarem 20 anos ou 10 anos. Bem, três dos 10 anos. Basta passarem o caminho durante três dias. Digo para passarem pelo caminho de apenas mil dias. O caminho dos mil dias é que é difícil. Não há outro caminho a não ser o da Vida-Modelo.”

Foi explanado para passarmos pelo menos três anos, mil dias, dos 50 anos do caminho da vida--modelo de Oyassama.

O caminho da vida-modelo de Oyassama não é para ter como retrospectiva da história de Oyassama, recordar com saudade e venerar.

Não é explanação do passado, e sim, está sendo questionada a nossa vida atual e como devemos trilhar. Comparando com as coisas que Oyassama ensinou e o modelo que ela mostrou com seu próprio corpo, devemos fazer a reflexão sobre como fazer para corresponder ao desejo de Oyassama nesta época atual e nesta circunstância e está sendo almejada a sua prática.

Para conseguirmos trilhar os 50 anos da vida--modelo de Oyassama, é preciso sentirmos o amor parental da dedicação sincera à salvação, de querer salvar toda a humanidade do fundo do coração. Os seres humanos, que foram criados por Deus-Parens pelo desejo de vê-los viver a vida plena de alegria e felicidade e ter o prazer de compartilhá-la junto, por terem usado equivocadamente o espírito que foi permitido como seu bem próprio, ficaram perdidos no caminho, sofreram de doenças e problemas circunstanciais. Assim, sentindo compaixão por entrarem em conflitos e se ferirem mutuamente, com a chegada do tempo predeterminado, Deus se revelou ao mundo com as seguintes palavras: “Desta vez, revelei-me neste mundo para salvar toda a humanidade.”

Por isso, o ponto que esse caminho da dedicação sincera almeja não é apenas a salvação das pessoas em dificuldades, mas sim, ao mesmo tempo em que salva as pessoas das doenças e problemas circunstanciais, conduz para a vida plena de alegria e felicidade, que é o objetivo original dos seres humanos. A fonte desse caminho da dedicação sincera à salvação é o Serviço Sagrado e, para ensinar a razão do Serviço, explanou sobre a criação original. Assim, esclareceu claramente quem criou, para quê, quando, onde e como criou os seres humanos. O Serviço de Kagura é realizado em Jiba original manifestando em movimentos das mãos a razão dos trabalhos de Deus-Parens na criação dos seres humanos.

Quando este Serviço for realizado com espírito de unidade, alegremente e incorporado com a intenção do Parens, Deus-Parens também se animará, concederá suficientemente a dádiva do céu, será mostrada as graças na salvação de todas as coisas e, gradualmente, irá reformando o mundo para o de vida plena de alegria e felicidade. E recebendo essa razão, são realizadas as Cerimônias Mensais e Grandes Cerimônias nas igrejas das localidades. É essencial que realizem estas Cerimônias Mensais também para animar Deus-Parens e receber o seu trabalho.

Também, juntamente com o Serviço Sagrado, o missionamento é a outra roda do caminho da salvação do mundo.

Ao mesmo tempo em que se recebe os trabalhos de Deus-Parens através do Serviço, devemos trabalhar para redirecionar o espírito das pessoas através da divulgação e salvação.

Por não conhecer a intenção do Parens verdadeiro e por usar egoisticamente o espírito, que foi permitido como seu bem próprio, gerou diversos problemas, sofrimentos e conflitos. Deus-Parens, a começar do corpo emprestado, tem mostrado, a partir dos locais próximos, a imagem conforme o espírito e tem orientado para que as próprias pessoas reformem o espírito para corresponder à intenção divina. Por almejar que os seres humanos, por si mesmos, compreendam a intenção do Parens, façam a reflexão, purifiquem o espírito e, salvando-se mutuamente, construam o mundo de vida plena de alegria e felicidade, Deus-Parens permitiu as pessoas a usarem livremente o espírito.

Se não souber o significado das doenças e dos problemas circunstanciais que são mostrados por essa orientação, não poderão reformar o espírito. Transmitir esse significado e conduzir para o caminho da salvação verdadeira é a função do yoboku e essa ação é a divulgação e salvação.

Na Instrução 3, mencionei que devemos dedicar esforços na reforma do mundo que está realmente distante da vida plena de alegria e felicidade. Para isso, cada yoboku deve se conscientizar dessa missão, assimilar primeiramente o ensinamento, praticar e ampliar o círculo da vida plena de alegria e felicidade a partir dos próximos. Também, conclamei para começar dando atenção às pessoas ao nosso redor, dos locais mais próximos, e dedicar na salvação que pode ser realizada cotidianamente. Salvar as pessoas é o que mais contenta Oyassama e é o que será aceito.

Almejando a celebração dos 130 anos do Ocultamento Físico de Oyassama, solicito também os esforços animados de todos neste ano, e que o ambiente entusiasmado da salvação transborde pelo nosso Caminho. Assim, encerro a minha palestra.