2103.12_Yoshio Watanabe

Palestra do Diretor da Sede Missionária, rev. Yoshio Watanabe, da Cerimônia Mensal de dezembro de 2014


A partir de agora, farei a palestra da cerimônia e gostaria de contar com a atenção dos senhores por alguns minutos.

Hoje, permitam-me fazer uma pergunta de sopetão aos senhores. Com que pensamento os senhores vêm para o Dendotyo?

Indo ao Dendotyo, vou beber um monte; vou brincar um monte; vou comer um monte; vou descansar um monte. Creio que entre os senhores aqui presentes, não há ninguém que pense dessa forma. Creio que todos têm o sentimento de que, se estivessem no Japão, é como se fizessem a reverência a Jiba.

Sobre o quanto é gratificante a razão de Jiba, isso é algo que não se pode explicar de forma racional. Ao regressar a Jiba e receber o sopro diretamente do Parens, recebemos a “semente da salvação”. No entanto, nós moramos no Brasil, que está bastante distante de Jiba. Este Dendotyo do Brasil é um ponto avançado de Jiba. Ao fazer a reverência fervorosamente aqui, os senhores podem receber a razão, a virtude e a energia de Jiba, e com isso, voltar para as suas localidades e se dedicar nas atividades de missionamento.

Em setembro e outubro passados, recebemos um jovem vindo da nossa igreja-mor em nossa igreja e, quando ele viu o aspecto do Dendotyo, ele comentou: “Aqui é como Jiba em escala menor, né?”.

Oyassama uma vez disse: “Não posso deixar que ninguém que vem a esta residência vá embora sem antes contentá-lo”. Acredito que é com essas palavras em mente que o Primaz, a Yuko-okusama, o Kimura-sensei, os jovens e todos têm se dedicado nos preparativos do Dendotyo. Quando há atividades da Associação Feminina, da Associação dos Moços, da Associação Infantojuvenil, da Associação dos Estudantes, os seus diretores chegam três ou quatro dias antes para os preparativos. A mesma dedicação é vista também no pessoal encarregado do alojamento, da cozinha, das oferendas, do Jornal Tenri, do Informativo do Dendotyo e da tradução. Todos estão se dedicando com o sentimento de contentar a todas as pessoas que vêm reverenciar no Dendotyo.

Ainda, as pessoas vêm ao Dendotyo com vários pensamentos: “Hoje, quero fazer essa consulta ao Tyotyo-sama e esposa. Hoje, gostaria de informar este fato alegre. Hoje, gostaria de alguns conselhos para esta preocupação. Tanto Tyotyo-sama como esposa os recebem de coração aberto e todos saem satisfeitos do Dendotyo. Vindo ao Dendotyo, pode-se ouvir diversas histórias que vão servir como referência, o espírito que estava meio desanimado se fortalece e pode-se voltar para casa mais feliz.

Nem é preciso dizer que o Dendotyo, recebendo a razão de Jiba, é o local para executar o Serviço Sagrado. É o local para estudar a Doutrina. É o local para fazer as orações e solicitações a Deus. É o local para fazer hinokishin. É o local para promover a salvação mútua. É com este Serviço que acabamos de executar que se pode salvar as pessoas, pode-se receber a salvação. A prática da salvação através deste Serviço faz com que o espírito de ânimo se eleve e se torna a força motriz para a divulgação e salvação. Por isso, é um Serviço muito importante.

Todos os meses, a escalação deste Serviço é anunciada no mês anterior. Pode haver quem pense que é o Rev. Ota que faz a escalação, que é o Tyotyo-sama que faz a escalação, mas na verdade, quem faz a escalação é Deus.

Existem pessoas que às vezes recusam a escala devido a conveniências pessoais. Creio que é o mesmo que recusar-se a ser salvo. Deve-se executar com toda a concentração, de modo a não errar. Oyassama disse: “Estes são os hinos da razão, por isso, dança-se de acordo com a razão. Não é dançar simplesmente. É representar a razão com os movimentos.” Ainda: “Se as mãos estão frouxas na execução do Serviço é porque o espírito está frouxo. Também, não é bom errar, nem mesmo um único movimento das mãos. É com este Serviço que se modifica o curso da vida. É um Serviço muito importante.”

Ainda, todos os meses, as pessoas que mais têm dificuldades são aquelas que fazem os preparativos das refeições e do almoço de confraternização. Creio que nas igrejas e casas de divulgação dos senhores, esse é um tema que causa bastante preocupação às esposas. “Quantas pessoas devem vir de regresso este mês? 20, 30, 50, 100 pessoas? No Dendotyo também é a mesma coisa, mas a quantidade é bem maior. 400, 500, 800, 1200 pessoas? Todos fazem os preparativos com muitas interrogações na cabeça. Não é bom que a estimativa seja nem mais e nem menos.

Fora isso, hoje há muitas pessoas fazendo diversos tipos de hinokishin no Dendotyo. Quem cuida do jardim, quem faz trabalhos de manutenção, quem faz massagens, etc. Ainda, temos três médicos fazendo hinokishin. Existem pessoas que vêm para se consultar com esses médicos. Depois do almoço de confraternização, existem pessoas que fazem a limpeza dos banheiros antes de ir embora, existem pessoas que lavam, põe para secar e dobram os lençóis antes de ir embora.

Tyotyo-sama e esposa ficam orando para que todos possam chegar sem problemas às suas respectivas igrejas e casas de divulgação. Assim como em Jiba, todos se dedicam de forma a não deixar que ninguém vá embora sem ser contentado. Fui ao Dendotyo e pude me esforçar no Hinokishin; pude ouvir uma boa palestra; pude ouvir várias histórias de salvação que servirão como referência para minhas atividades de salvação; encontrei-me com vários amigos e fiquei muito contente.

Este é o mês de dezembro e acabamos de realizar o Serviço final do ano. Dos três anos, mil dias rumo à celebração de 130 anos do ocultamento físico de Oyassama, um ano já se passou. Neste primeiro ano, muitas atividades aconteceram no Dendotyo.

Primeiramente, em janeiro, tivemos a Visita de Doutrinação da Sede referente à Instrução 3. A partir de fevereiro, tivemos as visitas de doutrinação a todas as igrejas filiadas pelas igrejas superiores. Em julho, na assembleia geral comemorativa dos 60 anos da Associação dos Moços do Brasil, tivemos a gratificante presença do Shimbashira e do seu filho Daisuke. Em outubro, tivemos a alegre notícia de que o Sr. Daisuke se tornou oficialmente o sucessor do Shimbashira.

Acredito que cada um dos senhores também deva ter tido vários fatos marcantes durante o ano. Eu também tive. A primeira alegria foi a graça de receber um novo terreno para a igreja, algo que já vinha nos preocupando há bastante tempo. A segunda coisa foi receber a graça do 11º neto. A terceira alegria foi receber a visita do condutor da igreja-mor pelo segundo ano consecutivo.

Por outro lado, foram mostradas três enfermidades em meu corpo também. Até hoje, eu já tive a experiência de 22 ou 23 enfermidades, mas este ano, aumentaram mais três.

A primeira delas foi no meu pulso sanguíneo. Quando cantamos “Ashiki o haroute...” batemos ton, ton, ton, de forma ritmada, mas minha pulsação às vezes batia em ritmo de samba, de mambo e de tango. A isso chamamos de arritmia. Em um dia, cerca de 26 vezes o coração para por mais de dois segundos. Como essas paradas aconteciam também quando estou dormindo, havia a possibilidade de parar para sempre sem eu perceber.

Fazendo um exame de sangue, parece que meu sangue tinha ficado mais espesso e tinha que tomar remédio para afinar o sangue. Não sei se isso fez efeito demais, mas certo dia de setembro passado, quando acordei de manhã e me olhei no espelho, notei que meu olho direito estava totalmente vermelho. Fui apressadamente ao médico para ver o que era e havia uma hemorragia no fundo do olho. Fiquei assustado e pensei até que podia ficar cego, mas depois de dez dias, voltou ao normal. Depois disso, fiz vários exames da arritmia. Nessa época, a minha saúde estava muito boa, sem nenhum lugar que doesse ou coçasse.

Em meados de setembro, minha filha me disse: “Papai, decidimos que é melhor operar o senhor”. Eu pensei onde eu estava tão ruim assim para necessitar de uma cirurgia.

Em 20 de outubro, minha filha me disse que havia marcado um cateterismo. No entanto, fiquei apreensivo, pois estava tão bem e não entendia o porquê. Disse que os resultados dos testes mostraram que alguma artéria do coração poderia estar meio entupida. Depois disso, fiz algumas reflexões. Este ano, fiz 74 anos de idade. Por mais que pense em viver bastante ainda, a vida à frente será mais curta do que o tempo que já vivi. Iria fazer uma cirurgia do coração e ainda por cima, de uma artéria. Conhecia algumas pessoas que haviam feito o mesmo tipo de cirurgia e que haviam retornado. Como iam mexer na artéria, havia a chance de dizerem depois: o Sr. Watanabe foi-se com 74 anos de idade. Pensando no pior, revelei ao condutor onde deixei guardadas minhas economias, um pouco aqui, outro pouco ali, etc. Disse até onde estavam as economias da minha esposa.

Fui internado no dia 28 de outubro. Hoje a medicina já está mais avançada e disseram que a cirurgia seria muito simples. Através de um monitor, pude ver a câmera que se moveu da minha virilha, por dentro das veias até o meu coração, onde a artéria coronariana deveria estar entupida. Encontrando esse lugar, colocariam uma espécie de mola chamada “stent” para abrir a artéria. Em trinta minutos, tudo acabou. Depois disso, por mais trinta minutos esperei estancar o sangue e depois, foram mais três horas de repouso absoluto. Como não havia hemorragia, em quatro horas e meia, já recebi alta. Disseram que se houvesse hemorragia depois de voltar para casa, deveria correr para o hospital mais próximo. Por três dias, não poderia fazer nenhum trabalho pesado. Fiquei quietinho deitado na cama. A partir do quarto dia, comecei a andar devagar e no quinto dia, comecei a andar para fazer compras. Como não doía nada, nem os braços, nem as pernas, nem a coluna, e como também estava com fôlego, estava andando da mesma forma como antes, mas o coração começou a doer. Fiquei apavorado e voltei para casa devagar. Nessa hora, pude notar que o coração fica do lado esquerdo. Quando estamos com saúde, acho que são poucas as pessoas que ficam pensando se o coração fica do lado direito ou do lado esquerdo.

O coração tem o tamanho de uma mão fechada, mas desde que nascemos, ele está se movimentando ininterruptamente. Normalmente dizemos: ontem à noite dormi muito bem e hoje estou muito bem disposto. Mas então eu pergunto, será que o coração também descansou bem? Será que o pulmão e outros órgãos também descansaram bem? Na verdade, se eles descansarem, será preocupante. Mesmo quando não percebemos, Deus está trabalhando incessantemente dentro no nosso corpo.

O coração é o órgão que bombeia o sangue para todo o corpo. Ele bombeia cerca de cinco litros de sangue em um minuto. Em uma hora, são 300 litros, em 24 horas, são 7200 litros que estão circulando. Dentro do corpo, o sangue corresponde a cerca de 1/13 do peso do corpo. Ou seja, se for uma pessoa de 65 quilos, cinco é o peso correspondente ao sangue.

Fiquei muito agradecido em poder fazer o cateterismo desta vez. Se estivesse vivendo sem saber de nada, algum dia, de repente, poderia ter uma enfermidade arterial ou um infarto. Fui salvo disso, mas duas semanas depois, na cerimônia mensal de novembro do Dendotyo, estava escalado para dançar a primeira parte dos Doze Hinos. Fiquei pensando em como fazer, mas ao final, dancei pensando que poderia até mesmo cair aqui em cima do estrado superior. Graças a Deus, tudo correu bem.

Nas Indicações Divinas, temos:

“Qualquer incômodo que se apegue ao corpo, qualquer coisa que haja, não é preciso preocupar-se. Tudo é coisa que Deus faz, introduzindo-se.” (4/03/1887)

“As coisas que Deus diz, não são visíveis aos olhos. Nas coisas que Deus diz, não há nada de mau. Não compreendem porque o espírito não se determina.” (mar/1887)

“O corpo humano é algo emprestado. Tenho refletido tudo no mundo conforme o espírito. No mundo, têm nascido e renascido inúmeras vezes e tudo tem sido refletido conforme o espírito. Cada qual, estabelecendo o espírito de satisfação sincera, tudo tem sido refletido no mundo. Por mais tesouros que possua, se sofrer por causa do corpo, não haverá nada mais incômodo. A onipotência está no espírito.” (8/11/1888).

Mudando de assunto, certo dia de meados de maio, já estava para anoitecer quando uma mulher desconhecida, relativamente grande, estava de pé em frente à igreja. Perguntei como poderia ajudá-la, e ela me perguntou: “É aqui que fazem oração?” Respondi que sim e fiz com ela entrasse na igreja. Perguntei-lhe qual era o problema, e ela me mostrou uma ferida de cerca de sete ou oito centímetros na perna esquerda. Creio que alguma bactéria ruim entrou ali e isso fazia com que saísse pus da ferida, e tocando a coxa, estava meio febril. Já havia ido ao médico, tomado vários remédios, tentado homeopatia, mas nada disso adiantou. Queria que fizesse uma oração a Deus. Verificando bem, na perna direita também, nos dedos, estavam se formando pequenas feridas.

Fiz a ministração do Sazuke, e como ela me perguntou se poderia voltar no dia seguinte, disse a ela que viesse durante três dias para a ministração. Ela foi embora mancando. Soube depois que ela morava a cerca de três quilômetros da igreja, em um lugar de onde não havia nem ônibus para vir. Ela vinha arrastando a perna dolorida por toda essa distância. Estando há mais de 40 anos fazendo as atividades da igreja no mesmo local, deve ter ouvido sobre a igreja de alguém e por isso veio consultar.

Havia dito para voltar no dia seguinte, mas fiquei pensando como estaria aquela ferida que estava coberta de pus. Pensando em como faria se não tivesse nenhuma melhora, fiquei esperando pela mulher. Ela veio no final da tarde. Olhando a ferida, estava um pouco mais seca e já não tinha mais febre. Fiz a ministração do Sazuke, e no terceiro dia, ela veio novamente. A ferida estava praticamente seca. A mulher também não se aguentava de tão contente. Eu também fiquei muito contente. Disse a ela que nunca se esquecesse dessa graça de Deus e que voltasse sempre que tivesse qualquer problema. Refletindo sobre este fato, pensei comigo: estamos na época dos três anos, mil dias rumo à cerimônia dos 130 anos do ocultamento físico de Oyassama. É a época em que nos é concedida a salvação, é a época em que somos salvos. Pensei também que devemos ministrar o Sazuke ao maior número de pessoas possível.

No mundo atual, temos o avanço de diversas tecnologias. Temos Internet, e-mail, celular, iPod, Twitter, blog, smartfones, Facebook, e diversas palavras escritas em inglês que os mais velhos não conseguem entender. Os jovens de agora utilizam essas ferramentas de maneira conveniente e levam uma vida feliz. Ainda, através disso, ficam sabendo de tudo o que ocorre no mundo e também fornecem informações de forma instantânea. Se quiserem fazer a salvação, creio que também é possível, mas eu acredito que a ministração do dom da concessão, Sazuke, que nós, yoboku, recebemos deve ser ministrada de pele a pele, e não pode ser feita através de uma máquina.

Na igreja, temos uma pessoa que foi para o Japão, fez uma cirurgia de câncer no intestino e está fazendo o tratamento por lá. Infelizmente, não tenho como ministrar o Sazuke. Só posso fazer a oração a Deus.

Na grande cerimônia de outubro, o Tyotyo-sama deu vários exemplos do que podemos fazer nos três anos, mil dias rumo ao decenário de Oyassama. Vou para de fumar, vou parar de beber, vou fazer a reverência diária na igreja, vou dançar os Doze Hinos, vou ler as Escrituras Divinas, vou ler a Doutrina, vou levar o maior número de pessoas possível ao Dendotyo, vou ministrar o Sazuke ao maior número possível de pessoas, etc. Ele deu inúmeros exemplos.

Ainda, na palestra da grande cerimônia de outubro, o Shimbashira disse: “Oyassama está ainda hoje presente como em vida, colocando-se na linha de frente da salvação do mundo. A esse amor maternal de Oyassama, cada Yoboku deve determinar o espírito para evoluir espiritualmente de forma concentrada e trabalhar na sua concretização, contentando, dessa forma, a Oyassama.” Disse que gostaria que todos procurassem avançar um passo ou dois passos na salvação que é capaz de fazer.

Ainda, na Instrução 3, temos: “Todas as calamidades e as dificuldades são manifestações do amor parental que busca a limpeza do espírito. A começar pela própria reflexão, devemos entender que através dos fatos mostrados, está sendo apressada a salvação das pessoas e devemos nos empenhar ativamente nesta salvação. Ainda, preocupar-se constantemente com a salvação das pessoas é a atitude dos seguidores do ensinamento que declama a salvação mundial, e é também o caminho através do qual poderemos ser salvos verdadeiramente, conforme é ensinado: ‘Salvando os outros, estará salvando a si mesmo.’”

No ano que vem, teremos a copa do mundo e haverá uma grande bagunça. No Dendotyo, em março teremos a realização do “Encontro de Yoboku” a ser realizado em 27 localidades em todo o Brasil. Em setembro, teremos a Assembleia comemorativa dos 60 anos da Associação Feminina. A partir de outubro, devemos ter também as visitas doutrinárias tendo em vista o ano da finalização rumo ao decenário de Oyassama.

Desde antigamente se diz que o segredo para cozinhar um arroz gostoso é começar com fogo forte e deixar em fogo médio no meio. No ano do meio dos três anos, mil dias, vamos tomar cuidado para que o fogo médio não acabe apagando por falta de ar. Vamos nos dedicar unindo nossas forças.

A evolução espiritual significa: “aumentar a quantidade de sementes da felicidade, hoje mais do que ontem, amanhã mais do que hoje.” (Shimbashira III)

Desejando um bom ano a todos, encerro a minha palestra. 
Comments