2010.05_Fukaya

Reverendo Tokushigue Fukaya - Vice-Presidente da Comissão dos Encarregados da Associação dos Estudantes da Sede da Igreja

            Boa tarde a todos. As minhas sinceras felicitações pela realização animada do Serviço Sagrado da Cerimônia Mensal de Maio do Dendotyo, que foi realizada há pouco momentos. Eu me chamo Tokushigue Fukaya, vim de Jiba e tenho dedicado como vice-presidente da Comissão dos Encarregados da Associação dos Estudantes da Sede da Igreja. No dia de ontem, juntamente com as pessoas daqui, fizemos o Curso Harp. E, dando continuidade, no dia de hoje, recebi o precioso tempo da palestra da Cerimônia Mensal para explanar mais uma vez sobre a importância da educação dos jovens ao Caminho. Apesar de ser um assunto do conhecimento de todos, gostaria solicitar a atenção.

 

            Atualmente, como uma das metas para o próximo marco que é a Cerimônia dos 130 Anos de Ocultamento Físico de Oyassama, temos adiantado a caminhada para a evolução espiritual, mas para concretizar a imensa meta da construção do mundo de vida plena de alegria e felicidade, ao mesmo tempo, devemos educar as pessoas, os recursos humanos e também os sucessores que dedicarão nesta construção do mundo da vida plena de alegria e felicidade, independentemente do tempo e da época oportuna. Devemos adiantar tendo sempre no coração e é a nossa missão de extrema importância.

            Desse ponto, a Comissão dos Encarregados da Associação dos Estudantes, tendo como a meta básica, “vamos transmitir aos estudantes como o Caminho é maravilhoso, o espírito de Oyassama e o espírito de salvação”, vem realizando diversas atividades. Nós temos o grande sonho de ver os atuais estudantes dedicando vigorosamente como “arakitoryo”, desbravadores, ou como a base do Caminho na ocasião dos 130 Anos de Ocultamento Físico de Oyassama e estamos dedicando para transmitir corretamente o espírito de Oyassama.

Creio que, as pessoas que estão aqui no dia de hoje, estão em diversas funções. Então, das pessoas que estão aqui, quem são encarregadas da educação dos jovens do Caminho?  Não restringe a esta ou aquela pessoa, todos que estão agora aqui são encarregados da educação. A Comissão dos Encarregados da Associação dos Estudantes, a Associação dos Moços e a Associação Feminina não são associações com determinações especiais e feitas por pessoas com aptidões especiais, mas, a educação dos sucessores, deve ser realizada por todas as pessoas relacionadas nas atividades da igreja e é preciso que todas as igrejas dediquem para isso. Talvez, achem estranho eu comentar sobre o Brasil, mas na história do Caminho do Brasil temos os mestres antecessores que dedicaram longos anos e em meio aos incontáveis sacrifícios que não podem ser expressos em palavras. Ao pensarmos que temos os dias maravilhosos de hoje por haver esses sacrifícios, sinto que precisamos suceder firmemente este ensinamento, dedicarmos com todas as energias, e é de nossa responsabilidade para que os jovens que servirão na próxima geração deem firmemente a continuidade deste Caminho.

            Porém, na educação, o mais ideal é começar a educar ordenadamente quando estão na Associação Infanto-Juvenil. Temos as seguintes palavras:

            “O que se chama Caminho, o seu espírito deve projetá-lo desde quando é pequeno.”                                                                  IND. 16.11.1900

            Desde a época que estão formando a base na Associação Infanto-Juvenil, devemos nos esforçar para transmitir repetidamente sobre a proteção de Deus-Parens e o desejo de Oyassama para que possam sentir a alegria no coração e a proteção.

            É um fato pessoal, mas a minha mãe é esposa do condutor anterior da Igreja-Mor Kawaramachi, porém, na juventude, a minha mãe era atleta de natação e usava muito o corpo.  Ainda, por ela não ter crescido na igreja, para educar os filhos,  não me recordo que ela tenha explicado sistematicamente o ensinamento de Oyassama ou a doutrina de maneira detalhada e ordenadamente. Só me lembro que, ela repetia a mesma coisa por várias vezes.

            Por exemplo, quando ficava gripado e com febre, naturalmente, ela ministrava Sazuke, mas antes ela fazia uma explanação para mim. Explanava o seguinte: “Quando você ia nascer estava sentado e foi um parto difícil. Quando tanto a mãe como filho estavam correndo risco de morte, um dos diretores ministrou o Sazuke e fomos salvos. Por ter recebido imensa graça desde o momento do seu nascimento,  é preciso passar com mais alegria o dia a dia.” Sempre ela falava isso e, como eu jogava rúgbi, frequentemete ficava machucado. Assim, ela ministrava o Sazuke, mas antes disso começava: “Quando você ia nascer estava sentado.... É preciso passar com mais alegria.” Quando entrei no ginásio, aprontei um pouco na escola, o professor chamou os meus pais e quando a minha mãe voltou depois de levar a bronca do professor, com uma face de brava, começou: “Quando você ia nascer estava sentado.... É preciso passar com mais alegria.” Quando acontecia alguma coisa, sempre era assim. Porém, ouvindo sempre isso, pouco a pouco foi infiltrando no meu coração. Por isso, por exemplo, como tenho intestino fraco, quando começava a dor de barriga na madrugada fria de inverno, apesar de estar com sono, precisava ir ao banheiro. Ia ao banheiro passando frio e sentindo a dificuldade. Dessa maneira, pouco a pouco,  pensando “porque tenho que ir ao banheiro no meio da madrugada”, vinha na minha mente que, “quando eu ia nascer estava sentado. ... Preciso passar com mais alegria.”

            No entanto, depois de certo tempo, a minha parou de falar isso. Quando estava com 30 anos de idade, pergunte a minha mãe. “Quando eu ia nascer estava sentado e parece que foi muito difícil?” Ai, ela me respondeu que “será que foi quando você ia nascer?” Como ela deu a luz a seis filhos, não se lembrava de qual nascimento.  É lamentável.

Desde que a minha mãe retornou já se passaram muitos anos. Retornou de câncer no fígado. O médico explicou que a minha perdeu muito sangue na ocasião do meu parto e por causa da transfusão do sangue dessa ocasião ficou com hepatite, que foi se agravando pouco a pouco até ficar com câncer. “Foi realmente no meu parto. Não foi mentira. Preciso passar com mais alegria.” Assim estou pensando, mas entendendo ou não, é muito importante falar repetidamente para sentir a graça desde pequeno.

            Porém, como a explanação que fiz agora, é bom quando é criança, mas quando estão no nível ginasial ou colegial, todos estão sentindo que não é a mesma coisa. Quando eram pequenos, ouviam sinceramente, mas com o passar dos anos, não é tão fácil assim. Quando se tornam colegiais, não ouvem sinceramente. Também fica até difícil para conversarmos com eles. Fica cada vez mais trabalhoso.

            Temos uma Indicação Divina que é citada muito quando se faz a palestra sobre a educação dos jovens. É a Indicação de 19 de junho de 1893, onde temos o seguinte:

            “È um transtorno a reunião dos jovens, visto pelo mundo é transtorno. Porém, no Caminho não é transtorno nenhum. Para o Caminho é de suma importância.”

            A reunião dos jovens é um transtorno, visto pelo mundo é transtorno. São palavras de Deus. Porém, ao Caminho é de suma importância. Ensinou que para o Caminho não é transtorno. Como todos sentem realmente a reunião dos jovens? É realmente muito trabalhoso.  No Japão, nas férias de verão, temos o Curso Estudantil, nível colegial, onde se reúnem cinco mil colegiais de todo Japão. Só de observar, já é um transtorno. Apesar de serem japoneses, vêm os estudantes com cabelos dourados, outros com pintura marrom e com corte parecido um ouriço do mar. Só de vê-los assim já é um transtorno. Porém, Deus ensinou que nós, do Caminho, não podemos pensar como um transtorno. Explicou para educarmos com todo o carinho. Em seguida, temos:

“Entre 10, fazem nove e meio e não podem fazer o meio restante. Das 10, com a razão do meio restante apagam até nove e meio. Compreendam bem.” (Mesma Indicação Divina)

A nossa missão do yoboku é dedicarmos a nossa vida na divulgação e salvação. Na parte externa, dedicamos todos os esforços na divulgação e salvação, mas dedicando esforçadamente até nove e meio e deixando de lado o meio restante, que inclui a educação dos sucessores, na educação das pessoas que estão em casa, explana que apagará até nove e meio dedicado com todos os esforços.

Ainda, na sequência destas palavras, temos:

“As pessoas de idade incompleta são mais importante que os próprios filhos. Se fizerem desta maneira, não sabem quão grandes ficarão no mundo.” (Mesma Indicação Divina)

Se criarmos estes filhos com o sentimento de dar mais importância do que os nossos próprios filhos, não saberemos quão grandes trabalhos farão. Através da Indicação Divina foi instruída a importância da educação dos jovens.

Porém, por que o jovem desta faixa de idade é um transtorno? Na verdade, como é do conhecimento, nessa idade começa a despertar o seu ego e a definir claramente a sua personalidade. Quando o seu ego começa a ficar definido, começa se preocupar com olhares dos outros. Como as pessoas que estão em sua volta pensam dele, como os amigos, os pais, os professores e as pessoas do sexo oposto estão pensando dele e se preocupa com a avaliação que os outros fazem. Também, quando começa a definir a sua personalidade, manifesta fortemente a sua opinião. De uma maneira, começa a se achar absoluto, observa os defeitos das pessoas que estão em sua volta. Os pais estão falando coisas bonitas, mas em casa estão sempre descansando. Percebe que os professores e a escola estão errados nesta parte. Não consegue perdoar as contradições e os erros da sociedade. E  não consegue ouvir sinceramente qualquer coisa e quando criticam a sua opinião ou ação, se revolta fortemente.

Este período é conhecido como segunda fase da desobediência. O estado psicológico deles é muito complexo e é o período onde o estado espiritual oscila muito.

Também, é conhecido como fase da puberdade. No aspecto do corpo, é a idade onde há transformação do corpo do homem e da mulher. É dito também como a idade do segundo nascimento. Por ser o nascimento, o parto, acompanhado da dor do parto, sofrem muito. O estado espiritual oscila muito e são inseguros. Eles estão trilhando agora no meio dessa caminhada.

Por isso, são transtorno. Visto pelos adultos, são transtorno.

O meu filho mais velho está na sétima série. Pouco a pouco está se tornando um transtorno. Está perdendo pouco a pouco a amabilidade e há ocasião que não me responde. A face dele está cheia de espinha e em volta da boca começou a nascer levemente as barbas, é uma idade incompleta que não aparenta ser uma criança nem adulto e, apesar de ser meu filho, não sinto muito bem. Percebo muito bem que o espírito dele está oscilando muito.

Porém, este período também é necessário. Quando formos recordar bem a nossa juventude, sinto que causei também muito transtorno. Quando estava no ginásio, todos estavam carecas. Todos estavam carecas, mas queriam fazer algo. Por isso, eu cortava mais rente. E pedia para aparar mais deste lado e, sem mais, de outro lado ficava mais rente. E no que ia aparando, ficava um corte muito estranho visto pelo adulto. Vestia uniforme escolar um pouco diferente de outras pessoas e, apesar de estar careca, oxigenava o cabelo de marrom. Apesar de não ter nenhuma razão era uma maneira.de desobedecer os adultos e, acho que, fazia isso para manifestar a minha opinião. Na verdade, em maior ou menor grau, creio que todos fizeram. Não sei como todos são no Brasil, mas acredito que todos tiveram esse período da caminhada para se tornar adulto.

Porém, esquecendo um pouco como fomos no passado,  nós, os adultos, pensamos  frequentemente que “os jovens são um tormento”, “para os jovens de hoje, não adianta falar qualquer coisa”, “vou deixá-los um pouco de lado, em breve vão ficar doentes e quando tiverem problemas será a minha oportunidade” e acabamos desistindo em muitas ocasiões. No entanto, foi nos ensinado que não pode ser assim. Por que não pode ser assim? Como foi ensinado até na Indicação Divina, esta faixa etária é uma fase muito importante.

Como disse há pouco, com 15 a 16 anos de idade, desperta o ego. Essa fase é de suma importância para ter a formação da personalidade com saúde física e psicológica. Há uma versão que, se crescer sem a fase de desobediência, quando se torna adulto, se torna uma pessoa estranha. E, nesse período, são desenvolvidos para toda a vida os pontos de vista das coisas, os modos de  pensar e os princípios básicos da vida diária. É a fase onde começa a definir a personalidade da pessoa.

E, comentam que, nessa fase começa a ter interesse nas coisas espirituais e fenômenos sobrenaturais, desperta para primeiras noções do espírito religioso e começa brotar livremente o espírito de crer na religião.

Ainda, como é do conhecimento, no nosso Caminho é traçado uma linha aos 15 anos de idade.

“Os menores, os menores de até 15 anos são protegidos de acordo com o espírito dos pais. Os maiores de 15 anos são todos de acordo com o espírito de cada um.”   

IND. 30.08.1888

Foi explicado que, as coisas que são mostradas nas crianças até 15 anos, nós, os pais, devemos refletir e retratar, mas depois disso, é de acordo com a própria pessoa. Até aos 15 anos de idade é da responsabilidade dos pais e, depois disso, é de acordo com a predestinação da própria pessoa, deve passar conscientizando-se disso e com responsabilidade própria. Por isso, o Amuleto que temos recebido, até completar 15 anos de idade, os pais podem receber no lugar dos filhos, mas depois dos 15 anos, se não for a própria, não pode receber. Ainda, depois dos 17 anos, pode ouvir as Preleções do Besseki e prestar o Shuyokai, Curso de Formação Espiritual.  É a idade onde é permitido receber a razão de Sazuke. Em outras palavras, com essa idade, pode estabelecer firmemente no seu espírito o ensinamento de Deus-Parens. Foi ensinado que, para Deus está com a idade para compreender suficientemente a intenção dele e dedicar na missão como instrumento de Oyassama. Quando a Kokan foi divulgar o nome divino, estava com 17 anos de idade. Após 15 anos, é preciso passar conforme o seu espírito e é uma faixa etária de suma importância. Por isso, não podemos perder esse período, precisamos e devemos transmitir firmemente a fé deste Caminho.

Então, nessa faixa etária tão importante, como devemos nos relacionar realmente com os jovens, os estudantes, que têm a peculiaridade de serem um transtorno? É realmente difícil. Mesmo pedindo para ouvirem as explanações, são ásperos e dão as costas. Nesse meio, a Comissão dos Encarregados da Associação dos Estudantes fez diversos estudos e, atualmente, como um dos métodos, tem adotado o programa do HARP. Estudamos isso também no dia de ontem. Como era até agora, em vez de reunir todos os estudantes e uma pessoa fazer a palestra sobre Deus, dividindo em pequenos grupos e fazendo diversos exercícios, a Comissão organiza diversas programações para que conversem com o coração aberto e sintam Deus. Depois que foi adotado essa programação do HARP e fazendo diversas atividades, temos obtidos resultados positivos. Poderão compreender bem vendo o Curso Estudantil realizado no Brasil.

Desta forma, se não for levar os jovens para essas atividades, se não for participar, não será possível educá-los? Também, se não tiver conhecimento do método do HARP, não será possível a educação dos estudantes?  Eu acho fundamental convidá-los para participarem destas atividades e, ainda é muito importante pensarmos nos diversos processo para transmitir a fé aos estudantes de todas as formas. Porem, antes disso, o mais importante é a nossa convicção, a nossa obstinação, de criar esses filhos e trazê-los a este Caminho de todas as formas. É fundamental passarmos com a firme convicção de que é importante transmitir o Caminho aos jovens.

Nós comentamos frequentemente sobre a importância da educação dos jovens e da transmissão vertical no nosso Caminho, mas será que os pais que têm a fé agora, como estão pensando sobre a transmissão da sua fé aos filhos? Ainda mais, qual é o nível de convicção dos condutores de igreja para transmitir de qualquer forma a fé aos jovens de suas igrejas, também aos filhos dos seguidores e até aos netos? É uma questão muito importante.

Naturalmente, a transmissão da fé para os jovens atuais não é fácil. É uma situação difícil. Porém, será que não estamos sendo levado por essa tendência e desistindo pela metade? Nas nossas igrejas ouvimos frequentemente que: “Agora, o meu filho está numa fase muito difícil, por isso, estou deixando quieto.” Também, “como na minha época passei por muitos sacrifícios no Caminho, não gostaria de pedir muito aos filhos.” Ainda, “os meus filhos saíram da igreja quando eram jovens, mas como conseguiram a independência e estão vivendo felizes, não é necessário.” Ouvimos estas conversas onde podemos sentir que a própria pessoa desistiu e está conformada.

Porém, na Grande Cerimônia da Primavera do ano 170 da revelação divina, Shimbashirassama fez o seguinte pronunciamento:

“Se o objetivo deste Caminho é a construção do mundo de vida plena de alegria salvando todas as pessoas, ao mesmo tempo que fazemos a divulgação para as pessoas que desconhecem o ensinamento, nem preciso dizer que, não podemos  esquecer da transmissão vertical. Não se limitando apenas aos participantes do Curso dos Sucessores, devem transmitir a fé dos pais para os filhos, dos filhos para os netos com  a convicção de criar os filhos do yoboku para se tornar sem falta em yobuku.”

 (da revista Mitinotomo , edição de março do ano 170 da revelação divina)

 

Explanou para transmitir com toda seriedade a fé com a convicção de criar os filhos de yoboku para se tornar sem falta em yoboku.

Quando pensarmos nestas coisas, eu também não sei que tanto tenho dedicado o meu espírito aos filhos e, no cotidiano, será que tenho narrado para eles sobre o amor parental de Deus-Parens? Não se limitado apenas aos meus filhos, será que tenho trabalhado também aos filhos dos seguidores para que dediquem ao Caminho e se tornem pessoas que possam servir como instrumento de Oyassama? Penso que, tenho que repensar muito.

Vou citar outro fato pessoal. Tenho sete irmãos. Agora, todos os irmãos, com a convicção de trilhar o Caminho seguindo os pais, estão dedicando unicamente ao Caminho e participando dos trabalhos das suas igrejas. Não é nenhum orgulho, mas, agora tenho gratidão aos pais por terem nos criado assim. Talvez, me chamem atenção dizendo que, “por ser filho do condutor da igreja-mor, isso é mais do que natural”, mas eu não acho natural e achem estranho o próprio filho falar disso, no entanto, os meus pais, em meios aos sacrifícios, a sua maneira, dedicaram os seus esforços aos filhos.

Por exemplo, aconteceu o seguinte fato. Quanto estava na faculdade, a minha irmã logo abaixo de mim, que estava na primeira série do colégio, depois das férias de verão, no início do segundo semestre, desapareceu de repente. Estava na idade que dava muito trabalho. Pensei que os meus pais estavam brigando com ela, mas havia fugido de casa junto com as duas amigas. Quando estava pensando que voltaria logo, passou uma semana, 10 dias, um mês, e ela não voltou. Nós também ficamos desesperados, mas como era a preocupação dos pais? Ao observar os pais, pude sentir a obsessão deles.

O meu pai foi o primeiro a refletir afirmando que isto era “a penitência dos pais” e logo determinou o espírito de fazer a divulgação e salvação. Apesar de estar atarefado, colocou em prática. O que a minha mãe fez, foi procurá-la. Se ouvisse que havia ido a Tokyo, sem nenhuma pista segura, apesar de não conseguir ir por ter o trabalho na Sede da Associação Feminina ou da igreja, mas se tivesse um dia ou meio período livre, pegava o trem bala e ia procurá-la em Tokyo. Perguntei como iria procurá-la e ela me explicou que mostraria a foto da minha irmã nos banhos públicos. Eu disse que, “não acharia desse jeito”, mas ela comentava, “assim mesmo tenho que ir, sou mãe.” E ia a Tokyo. No dia que ela não ia, naturalmente, todos os dias, fazia o Serviço de Solicitação dançando os Doze Hinos de madrugada.

Dessa maneira, recebendo a maravilhosa proteção, a minha irmã foi encontrada e voltou para casa. Porém, não podíamos ficar tranqüilos por ter voltado. O espírito dela estava oscilando muito. Logo que voltou, nós, os irmãos, ficamos receosos, mas a minha mãe era diferente. Sem nenhuma cerimônia, algumas vezes dava bronca, em outra ocasião ficava conversando até tarde em pranto, levava à noite no viaduto da estação de trem para fazer junto o hinokishin e dedicou todos os esforços para orientar a minha irmã. Até para mim que estava na faculdade, transmitiu a sua seriedade. Ela dizia muito o seguinte:

“Os filhos que recebemos de Oyassama para cuidá-los, se nós não educarmos para poderem dedicar na missão, será inescusável.”

Nessa ocasião, me ensinou a importância dos pais terem essa convicção.

Por Deus ter aceito esses esforços, posteriormente, ela se casou com um membro da igreja e, atualmente, ela é a condutora da igreja. Como ela veio vivendo como queria, está passando agora por muitos sacrifícios. Porém, sem desanimar, está dedicando com a firme decisão de servir na missão de Oyassama.

Ao recordar agora, eu também não fui criado seguindo corretamente o Caminho. Eu também tive diversas coisas, mas deixo em segredo. Tive diversas coisas, mas pela convicção e obsessão dos meus pais, penso que fui educado.  Apesar de ser um transtorno e dar muito trabalho, não me abandonaram por nenhum momento. Também, não apenas os pais, as pessoas da igreja, as pessoas que estavam em minha volta, em cada época, me incentivaram, através dos nós e os problemas circunstanciais, fui orientando juntamente com os membros da família e, agora, para poder contentar os pais, tenho decidido passar o Caminho para poder tranquilizá-los. Sinto realmente que fui educado.

Aqui estão presentes pessoas de diversas posições, mas para todos nós, não se limitando apenas aos nossos filhos, foi nos reservado um espaço na história para transmitir a fé para todas as gerações. Todos nós recebemos o bastão da fé. Transmitir firmemente esse bastão aos sucessores que virão em seguida é de nossa responsabilidade.

A educação dos recursos humanos como dos sucessores não é feita por aparência, obrigação ou formalidade, mas é de nossa responsabilidade. Será que não está apenas na formalidade?

Por exemplo, quando um seguidor convida o seu filho para começar a ouvir a Preleção do Besseki, comenta que: “Como sempre aquele condutor tem dado atenção,  será que você não poderia ouvir pelo menos a primeira Preleção do Besseki?” Em oposição a isso, quando o condutor pega o seu filho e fala: “Se você não fizer direito o Serviço Sagrado, não tenho a cara para mostrar aos seguidores.”  Até nós, no horário do Serviço da Noite, se os filhos ficam bagunçando no fundo, ficamos bravos. Ficamos bravos, mas no fato de termos dado a bronca é por o Serviço Sagrado ser muito importante ou por não ficar bem o filho do condutor da igreja-mor estar fazendo isso? Há ocasião que não sabemos.  Há ocasião que sinto que está mesclada a formalidade.

Desse ponto, como Shimbashirassama comentou  sobre a “concretização do mundo de vida plena de alegria e felicidade”, nós devemos refletir e certificar firmemente mais uma vez o objetivo primordial e a missão de estarmos seguindo a fé.

Nós estamos trilhando o Caminho.  Este Caminho foi iniciado para salvar todas as pessoas do mundo. Esse ponto que almejamos é a construção do mundo de vida plena de alegria e felicidade. Tendo esse objetivo, Deus-Parens se introduziu na Oyassama. Para esse objetivo, nós fomos reunidos reciprocamente a este Caminho. A educação para transmitir o Caminho para a próxima geração, aos sucessores, também devemos recordar  firmemente a missão da concretização do mundo de vida plena de alegria e felicidade de Oyassama e é fundamental dedicarmos com essa convicção.

O juramento da Associação Infanto-Juvenil, os pontos básicos das atividades do Departamento das Moças e a meta básica da Comissão dos Encarregados da Associação dos Moços, todos têm a mesma base. Tendo a missão da concretização do mundo de vida plena de alegria e felicidade, dedicamos na educação dos recursos humanos, por isso, não é preciso ter a formalidade com os seguidores, como também não é para o condutor de igreja educar os jovens por obrigação, principalmente, por ter saído da igreja, mesmo que não esteja crendo, não é questão para deixar de lado por ouvir que “não é preciso porque os meus filhos estão felizes”. É preciso ter a convicção de “transmitir de todas as formas a fé para os jovens que sucederão a próxima geração.”

Naturalmente, a transmissão do Caminho as pessoas não se limita apenas a transmissão vertical, a transmissão horizontal também é muito difícil e gasta se muito tempo. Porém, por ser difícil, não devem deixar de dedicar os esforços. Apesar de não ser desta ou daquela maneira, é fundamental continuar os esforços. A nossa postura é dedicar com convicção e obsessão.

Shimbashirassama explana constantemente para nós e aos encarregados do Curso de Formação dos Estudantes que a “educação dos estudantes é divulgação e salvação” e que devemos dedicar com “espírito de missionamento”. E nós estamos dedicando com essa convicção.

Quando se fala em missionamento, sempre tenho no meu coração o seguinte. Quando estava com 27 anos, fiz o missionamento em Tokyo durante três anos. Quando estava dedicando como moço da Sede da Igreja, num certo mês, ouvi a palestra fervorosa do reverendo Kita, diretor da Sede da Igreja, na Cerimônia Mensal, sobre  “os sacrifícios do missionamento que sobrepõem os sacrifícios do primeiro antecessor” que inflamou o meu desejo de fazer o missionamento e, pedindo a permissão de Shimbashirassama, fui para Tokyo.

Aluguei um quarto de quatro tatames e meio e comecei o missionamento com todo ânimo. Porém, antes de completar meio ano de missionamento fiquei totalmente desanimado. Mesmo que andasse, ninguém me dava atenção. Estava ciente disso, mas os dias sem ânimo continuaram, ficava sentado à toa nas praças, havia dia que, sem dar um passo se quer para fora, ficava o dia inteiro no quarto alugado. Apesar ter saído para fazer missionamento e ter condição para isso, não conseguia fazê-lo.

E, quando recebia a notícia de que os moços que tinham saído no mesmo período no missionamento tinham conseguido a pessoa para ouvir a Preleção do Bessequi ou para prestar o Curso de Formação Espiritual, Shuyoka, ficava ainda mais desanimado. “Ah! Eu não consigo, sou inabilitado para fazer missionamento.” Pensando assim, só fui caindo ainda mais e havia passado meio ano.

Num certo dia, como o Shimbashirassama dessa época, o atual Shimbashirassama anterior, viria para as visitas de doutrinação na região nordeste do Japão, recebi a preciosa missão de acompanhá-lo a partir de Tokyo. Fiquei animado e, depois de terminar as visitas sem nenhum contratempo, quando estávamos no trem bala, Shimbashirassama me disse:

“Tokushigue, sente um pouco ao meu lado.”

Aí, ele disse:

“Como você jogava rúgbi quando era jovem e foi responsável do alojamento Hokuryo, pensei que quando você saísse para missionamento faria intensamente, mas está sendo decepcionante.”

Pensei em desaparecer, mas quando disse:

“Peço desculpa.”

E inclinei a minha cabeça, Shimbashirassama, como que atacasse o inimigo, disse o seguinte:

“Se no missionamento existir os habilidosos e os inábeis, você faz parte dos inábeis.”  

Como sou condutor de igreja com garantia de Shimbashirassama que sou “inabilitado para o missionamento”, fiquei com o desejo de me esconder nas poltronas do trem bala.  Porém, em seguida, ele me disse:

“É assim mesmo, mas não digo para você ser habilidoso na divulgação. Quero que seja dedicado na divulgação. Se vai conseguir espargir a fragrância ou não, isso deixe ao encargo de Deus. O importante é fazer com dedicação. Não é preciso fazer com habilidade.”

Sem ressalva, fiquei animado. Até então, só pensava no resultado e fui ficando cada vez mais desanimado. Quando me disse para tornar dedicado na divulgação, pude me reerguer.

Naquela ocasião, aquelas palavras foram realmente muito gratificantes. Porém, recentemente, estou compreendendo o significado de tornar dedicado na divulgação Não são palavras para apenas sentir aliviado, mas para continuar os esforços para expandir este ensinamento em qualquer momento e circunstância. Batendo a cabeça aí, caindo no lado de lá e, assim mesmo, tentar se reerguer, e dando a continuidade com perseverança é que se torna dedicado. A dedicação não era apenas para sentir aliviado. Atualmente, tendo estas palavras no meu coração desejo passar correspondendo por toda a minha vida. Também, estas palavras não são apenas para mim, é o desejo de Shimbashirassama para todos os yobokus do Caminho.

Temos o seguinte episódio do primeiro condutor do Kawaramachi, Guenjiro Fukaya. Já na idade avançada, quando ele estava fazendo plantão no alojamento da Sede da Igreja, o moço que estava junto fez a seguinte pergunta:

“Tenho ouvido que o mestre é especialista na salvação e tenho ouvido que tem o segredo da salvação. Será verdade? Se tiver, poderia mostrar também para mim?”

O primeiro condutor tinha a fama de ser especialista da salvação. Sorridente, ele respondeu:

“O segredo da salvação. Na próxima oportunidade, eu lhe mostro.”

 O moço aguardou ansioso, mas como ele não havia trazido, no próximo plantão, solicitou mais uma vez, quando ele prometeu sorridente:

“Era o segredo da salvação. Na próxima oportunidade, eu lhe mostro.”

Porém, ele não trazia. O moço pensou que ele tivesse esquecido e perguntou de novo.

“Mestre, como ficou o segredo?”

Aí, ele respondeu rigorosamente o seguinte:

“Você quer ver realmente o segredo? Pensei que você estava simplesmente brincando comigo. Como os jovens de hoje são capacitados. Acreditar que só de ver o segredo poderão fazer a salvação. Eu não acredito nessa força. Não sei como será salvo, não sei como fazer para que ouçam as explanações de Deus, mas dedicando o espírito esforçadamente e se preocupando, batendo a cabeça no lado de lá, batendo na parede deste lado, passando numa situação que não se pode chorar mesmo querendo, pouco a pouco consegui fazer a salvação. Os jovens atuais, só de ver o segredo, conseguem fazer a salvação, são muito capacitados.”

Não existe o segredo da salvação. Apesar de não ser desta nem daquela maneira, dedicando os esforços, como resultado, recebemos a graça. Nesse meio, caindo daquele lado, levando tombo deste lado e resistindo os sofrimentos, dedicar de todas as formas. Não há nenhum modo produtivo e racional.

Por isso, Shimbashirassama explanou que, “não digo para você ser habilidoso na divulgação. Quero que seja dedicado na divulgação.” Dessa forma, dar continuidade sem desanimar. O desejo dos pais está aí.

Sobre o “espírito de missionamento” que ele explanou para os encarregados, uma parte se refere sobre isso. Por isso, nós, da Comissão do Encarregados da Associação dos Estudantes, por termos o método do HARP, não pensamos que se adiantarmos as atividades desta ou daquela maneira, todos os estudantes vão evoluir espiritualmente. Todas às vezes, temos conversado muito que não é desta nem daquela forma. Na educação também não há “segredo”. O importante é dedicar firmemente o espírito aos jovens e transmitir com dedicação.

Transmitir o ensinamento aos jovens é muito difícil e gasta se muito tempo. Porém, como disse anteriormente, se despertar na missão que têm de transmitir de todas as formas, com perseverança, convicção e obsessão no dia a dia, é fundamental prosseguirmos esses esforços diretamente com toda sinceridade e seriedade.

Por fim, apesar de ser um pouco longo, vou ler a explanação de Shimbashirassama sobre a educação, feita há alguns anos, na Assembléia Geral da Associação dos Moços.

“Bem, o espírito de educação dos recursos humanos do Caminho, baseia-se no princípio de que não é uma pessoa que forma a outra. Se desejamos realmente educar e formar alguém, ou que a pessoa evolua no mundo da fé, devemos dedicar-nos no sentido de obter a graça para que Deus-Parens a eduque. Concretamente, para se formar uma pessoa, são necessários diversos meios e atenções. Conseguir ou não passar ao outro esse espírito, depende tão somente da sinceridade daquele que está transmitindo a fé. Deus-Parens concederá o seu trabalho onipotente aceitando a nossa sinceridade verdadeira de querer fazer com que outros evoluam-se espiritualmente, fazendo com que compreendam a essência do que desejamos transmitir.

Na Indicação Divina, temos:

‘Dedicando-se, educará, sem a dedicação, não há educação.’

                                                                       IND. 23.03.1891

Dessa forma, se não houver em nós o espírito de educar, o espírito de transmitir o ensinamento, é natural que a pessoa não cresça. Em outras palavras, para que Deus-Parens aceite o nosso espírito sincero que deseja a educação dos próximos, é necessário  que façamos também um esforço proporcional em  atingir uma maior evolução espiritual.

Ainda, na Indicação Divina, temos:

‘Distanciando-se do espírito do Caminho, mesmo que se deseje orientar, não é possível.’                                                                       IND. 04.01.1900

Não se consegue educar ninguém através das cogitações humanas. Calculando as vantagens e desvantagens, é impossível obter a graça de encaminhar um pessoa. Não apenas explanar nossas experiências e interpretações, mas o importante é passar juntos, de mãos dadas, pensando na vida-modelo de Oyassama e pedindo a Deus que a pessoa evolua para que possa servir ao Caminho.”                Arakitoryo nº 202

Esta explanação não se limita apenas aos membros da Associação dos Moços, mas são palavras para todos nós que temos relação com a educação.

A educação dos jovens é muito difícil e gasta se tempo. Porém, devemos dedicar todos os esforços para transmitir com toda sinceridade para que Deus possa educá-los.  Por fim, para reconfirmarmos, não é com as cogitações humanas, mas com os nossos esforços para aproximarmos ao desejo de Deus e com espírito de sincero no cotidiano é importante esforçarmos para transmitir aos jovens o ensinamento do Caminho. Shimbashirassama, em todas as ocasiões, tem instruído sobre a educação dos recursos humanos. Para podermos corresponder ao desejo dele, vamos dedicar ativamente na educação dos jovens, dos estudantes.

Assim, creio que, os fatos que comentei, são totalmente do conhecimento de todos, mas agradeço pela atenção de todos.

Muito obrigado.

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