2009.11_Toshimitsu Ukei

Reverendo Toshimitsu Uke (Igreja Novo Horizonte)

Ontem à noite foi realizada a cerimônia em memória dos antepassados, o que me fez relembrar e refletir sobre muitas coisas. Afinal, foi graças aos antepassados que meu destino foi radicalmente mudado e conduzido à evolução espiritual através deste maravilhoso e imutável ensinamento transmitido por Oyassama.

A Igreja Novo Horizonte, do qual sou o condutor, teve seu início como sucessão a Igreja Urai, filial da Igreja Bauru. O condutor da Igreja Urai, em seu retornamento, não possuía um sucessor e, naquela época, o Reverendo Shichiro Otake (2º condutor da Igreja Bauru) solicitou ao meu pai se poderia assumir esta responsabilidade e elevar a Casa de Divulgação Novo Horizonte à Igreja Novo Horizonte assimilando os compromissos da Igreja Urai.

O compromisso foi aceito e, em abril de 1980, meu pai regressou à Jiba e recebeu o consentimento, nascendo assim a Igreja que foi inaugurada em 21 de junho do mesmo ano.

No entanto, com uma jornada cansativa que foi os preparativos ante a inauguração e nos três dias de atividades de inauguração que foram o assentamento dos símbolos sagrados, festa de inauguração e o primeiro serviço sagrado mensal da Igreja, aliado aos problemas respiratórios de meu pai, levou-o a uma fadiga tendo sido internado no hospital no dia seguinte da grande data.

Após sete dias de internação, veio o comunicado do hospital de seu retornamento, o qual foi recebido com muito choque da minha parte pois acreditava piamente na sua recuperação. Isso tudo trouxe em meu coração o sentimento de frustração, decepção e revolta. Era inevitável acreditar que sua aceitação como condutor da igreja tivesse lhe causado tamanho desgaste físico e, por conseguinte, a sua fraqueza e conseqüente adoecimento e morte. Também transferi parte dessa culpa para o condutor da Igreja Bauru e também do Primaz da Tenrikyo no Brasil, Chujiro Otake, que o incentivou a aceitar essa responsabilidade.

Após o ocorrido, o Primaz Chujiro Otake me ligou, mas recusava a atendê-lo. Na terceira ligação dele, minha esposa chorava pedindo que eu o atendesse. Logo ele se desculpou e lamentou o ocorrido e continuou dizendo que, assim como o nascimento, o fim da vida ocorre por uma vontade Divina, trata-se de uma providência Divina. Exemplificou citando que numa visita ao hospital sempre encontra-se aqueles que pedem por sua própria morte para evitar sofrimentos, mas nem todos conseguem esse fim por mais que desejem.

Terminado os preparativos para o funeral, já a noite, pensei em descansar. Foi um momento onde pude meditar. Indagava se deveria fugir desta responsabilidade assumida por meu pai como condutor da igreja. Mas isso me fez sentir ingrato por tudo que havia aprendido com meu pai. Então, dirigi-me a seu falecido corpo e disse: Meu velho, descanse tranqüilo pois darei continuidade, peço só que seja meu braço direito.

Isso surpreendeu minha esposa que me apoiou. Nessa época tínhamos cinco filhos e o mais velho apenas 12 anos.

Isso ocorreu há quase 30 anos e, frequentemente, me pergunto como seria minha vida se tivesse tomado o caminho em outra direção. Não posso ter certeza de como seria, mas naquela época, antes destes acontecimentos, minha vida era apenas de trabalho, bebida, pescaria e outros lazeres que atendessem meu prazer próprio. Pensando nisso, vejo que meu presente poderia ser de desonras, poucos amigos, sem alicerces familiares e sem rumo.

Mas, graças a sábia escolha que certamente teve influência e orientação de meus antepassados, hoje vivo um momento de glória, cercado por meus filhos e netos, dos carinhos de minhas noras e de todas as graças concedidas por Deus-Parens e Oyassama.

Por isso, o dia em que realiza-se a cerimônia em memória dos antepassados, deve ser um dia de reflexões. Tenho certeza que todos devem ter colhidos bons frutos pela orientação, experiência, compaixão, sabedoria e amor recebido pelos que nos antecederam. Devemos tentar contentá-los e, assim como eles nos influenciaram para as coisas boas, retribuir disseminando coisas boas para as futuras gerações. Creio que essa seja uma boa forma de retribuição e demonstração de gratidão.

Para finalizar, gostaria de deixar uma mensagem e dizer que vivemos uma época de plantio de boas sementes, por isso devemos nos esforçar unidos na salvação e divulgação visando o centenário de fundação do Fujinkai, a ser comemorado no dia  dezenove de abril do ano que vem, e do sexagésimo aniversário de fundação do Dendotyo, que será comemorada no dia doze de junho de 2011.

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