2009.10_Massahiko Iburi

Reverendo Masahiko Iburi – Diretor Geral Administrativo da Sede da Igreja

 

As minhas felicitações pela realização da Grande Cerimônia de Outubro do Dendotyo.

Como é do conhecimento dos senhores, a Grande Cerimônia é realizada recebendo-se a razão da Grande Cerimônia do dia 26 de outubro, executada em Jiba. É o dia original da Revelação Divina, quando Deus-Parens, através da boca de Oyassama, se revelou pela primeira vez aos homens, transmitindo a sua intenção.

Ontem foi realizado magnificamente o Encontro de Incentivo ao Yoboku para os 60 anos de fundação do Dendotyo. A palestra de hoje será uma continuidade daquilo que explanei ontem, no encontro.

Ontem, falei sobre as minhas lembranças de 40 anos atrás, quando o Dendotyo estava em plena atividade visando os 20 anos de fundação. Essa caminhada é que tem ligação com o dia de hoje. Depois do encontro, eu e o Primaz conversamos sobre vários assuntos. Daqui a 40 anos, será o Centenário do Dendotyo.

Se puder vir novamente daqui a 40 anos, no centenário, poderia ver a caminhada da evolução espiritual dos senhores. Porém, pensando bem, estaria com 106 anos de idade. Mesmo entre os senhores, a maioria já não estará presente no centenário, pois 40 anos é um longo tempo. Passados 40 anos, o Dendotyo alcançou um grande desenvolvimento.

Como disse, vou continuar falando sobre o tema de ontem que foi a evolução espiritual, mas de um ponto de vista mais profundo. Como poderemos fazer a evolução espiritual? Ou seja, a evolução espiritual é um trabalho a ser feito por cada um de nós que busca o amparo em Deus-Parens e Oyassama. É um problema que pertence a mim, também. Cada um deve fazer a divulgação a uma nova pessoa, orientando-a para este Caminho. Desse ponto de vista, pode-se dizer como o cuidado e a atenção a ser dada a essa pessoa. Então, como deve ser feito esse cuidado e essa orientação?

Sobre a evolução espiritual e a orientação e o cuidado em relação as pessoas, tenho o seguinte pensamento: é o ensinamento de Deus-Parens que diz que “dois em um é a razão celeste”. É o pensamento de que coisas diferentes ao se unirem, formam uma coisa nova. Dois em um é a razão do céu. Existindo o pai e a mãe, nascem os filhos. É um exemplo de fácil compreensão. Cuidar e orientar as pessoas é fazer a evolução espiritual, ou seja a razão de dois em um.

Outro exemplo fácil é a razão e a emoção.  A razão é o céu, é o rigor. Deve ser sempre respeitado para não termos problemas. Este é o mundo da razão. A emoção é algo caloroso. O ser humano tem defeitos. Se for observado pelo mundo da razão, estes defeitos se tornam claros, mas pelo mundo da emoção, os defeitos podem ser tolerados e aceitos. Quando houver o equilíbrio de dois em um, da razão e da emoção é que será possível fazer o cuidado e a orientação e a própria pessoa estará evoluindo espiritualmente.

O Primeiro Primaz, reverendo Chujiro Otake, era uma pessoa severa e rigorosa sobre à razão divina, principalmente em relação a Jiba. Creio que para orientar as pessoas, era necessário esse rigor para conduzir ao mundo de Oyassama. Entretanto, somente com esse rigor e severidade, as pessoas poderiam abandonar a fé. Por isso, tenho a convicção de que a sua esposa Chiyo, conhecendo esta característica do marido, desempenhou uma função muito importante, trazendo equilíbrio entre a razão e a emoção. É assim que se pode fazer o cuidado e a orientação das pessoas. Existe a expressão: rígido e maleável, maleável e rígido. É a razão de dois em um.

Vou falar sobre dois em um, comparando com o espírito e a forma. A fé pertence ao espírito. Como disse ontem, quando se aumentam as alegrias é sinal de evolução espiritual. Independente de como os senhores foram atraídos ao Caminho, se foi através dos pais, dos avós ou dos bisavós, é porque existiu o sentimento de gratidão a Deus-Parens. Sentiu gratidão por ter sido salvo de uma doença. Ou um conhecido era do Tenrikyo e encaminhado por ele, sentiu algo indescritível ao conhecer o ensinamento e passou a seguir com alegria. Do Brasil, regressou à distante Jiba e sentiu que se o mundo todo transformasse como a Terra Parental seria maravilhoso. Por ter havido uma mudança espiritual é que todos estão aqui no dia de hoje.

Entretanto, de nada adianta ter ocorrido a mudança espiritual naquele momento, pois o ser humano, com o passar do tempo, acaba esquecendo a gratidão e a emoção.

Na época em que Oyassama estava presente fisicamente, passados quase 20 anos após cair na profunda pobreza, em 1854, começou a entregar a Permissão do Parto Feliz. Desde então começaram a surgir maravilhosas salvações. Muitos doentes foram procurar Oyassama e receberam a salvação. Com certeza, dezenas e centenas de pessoas sentiram alegria e gratidão por terem sido salvos por Oyassama. A maioria era de camponeses e agricultores. Para manifestar gratidão, levavam uma porção de arroz, verduras e legumes que eles mesmos produziam.

Essa situação continuou por muito tempo e surgiu uma pessoa diferente. Ele recebeu a graça da salvação da esposa que estava com complicações pós-parto. Ele já não tinha mais esperança, mas ao receber a salvação, como os demais, sentiu uma imensa gratidão. Pensou em fazer uma retribuição, mas como não era agricultor, não podia oferendar arroz, verduras ou legumes. Ele era um humilde carpinteiro. Após conversar com a esposa, foi ao encontro de Oyassama.

Em seu quarto, atrás de Oyassama havia sido consagrado o gohei, bastão com tiras de papel, como sendo o símbolo divino. Ao ver essa situação, ele teve a idéia de fazer um sacrário para poder consagrar esse gohei, que era o símbolo divino. Sendo carpinteiro, era algo que poderia fazer com facilidade. Disse a Oyassama que construiria um sacrário para oferecer em sinal de agradecimento. Ele pensou que Oyassama ficaria contente e agradeceria, mas foi diferente, pois ela disse que não precisava de sacrário. Ela disse para fazer uma construção de um tsubo quadrado (3,30 metros quadrados) e o acréscimo dependeria do espírito.

Por não ter compreendido o significado dessas palavras, foi solicitar a orientação aos veteranos, ao Shuji e a Kokan, filhos de Oyassama. Após várias reuniões e tendo Shuji e Kokan solicitando orientações a Oyassama, a conversa foi tomando forma e finalmente ficou decidida a construção do Local do Serviço.

Um carpinteiro que desejou fazer um sacrário, uma coisa pequena e que depois se transformou no Local do Serviço. Chegando a esse ponto, o carpinteiro já não poderia fazer sozinho.

Todos que estavam presentes, sabendo dessa intenção de Oyassama, também desejaram ajudar na obra. Uma pessoa ficou com as madeiras, outra com as telhas, outra com os tatames. Algumas pessoas contribuíram com dinheiro e assim, houve a união da sinceridade de todos. Esta é a origem da construção da Tenrikyo. A união da sinceridade dos fiéis é a mais importante.

Quem começou a idéia foi o carpinteiro, por isso ele ficou responsável da mão-de-obra. Assim, teve início a construção. O importante aqui é o sentimento de agradecimento a Oyassama por ter sido salvo e demonstrar isso de algum modo formal. Fazendo isso se torna possível sentir mais profundamente a intenção de Oyassama e passa a ser também o seu próprio desejo.

Manifestar a gratidão de um modo formal. Isso não deve ser apenas uma vez, trazendo verduras a Oyassama e terminar desse modo. Seria como se fosse ao hospital e depois pagar as despesas. Agindo dessa maneira não se faz a evolução espiritual. O importante é sempre manter o sentimento de agradecimento a Oyassama e manifestar em algo formal.

Nesse caso, o carpinteiro freqüentou a Residência todos os dias. A sua casa ficava a cinco quilômetros da Residência. No Brasil, cinco quilômetros talvez seja perto, mas no Japão é uma grande distância. Deixando o seu serviço, foi todos os dias trabalhar na Residência, percorrendo cinco quilômetros.

Ao freqüentar todos os dias a Residência, o seu espírito passou a ficar mais próximo de Oyassama. O importante é a continuidade em demonstrar o sentimento de gratidão em algo formal. Na obra das igrejas, quanto mais tempo durar, as pessoas que estão envolvidas se unem e fazem conjuntamente a evolução espiritual. Passam a compreender a intenção de Deus-Parens.

 

Será que os senhores conhecem a igreja da Tenrikyo que existe no Congo, na África? O primeiro condutor foi o reverendo Alfonso Nosonga. Atualmente, já está no quarto condutor que se chama Pierre Bazebibaka.

Tive a oportunidade de reverenciar a Cerimônia de Posse desse condutor. Já reverenciei muitas igrejas e presenciei muitas situações do Serviço Sagrado. Porém, a que mais ficou guardada em meu coração, foi o Serviço realizado na Igreja Congo Brazzaville. Fiquei emocionado com o Serviço Sagrado realizado no Brasil e também na Coréia. Na Coréia, foi possível fazer a tradução, de modo que o Serviço Sagrado é feito em coreano. No Brasil, parece que a língua portuguesa é mais difícil e deve demorar algum tempo para isso acontecer. É lógico que o Serviço Sagrado realizado nas igrejas do Japão também me deixa emocionado.

Entretanto, a do Congo foi algo especial. O que me emocionou foram as pessoas que realizaram o Serviço. Havia somente algumas pessoas que tinham ido de Jiba. A maioria era formada pelos fiéis africanos. A língua que eles falam é o idioma rally e o francês. Porém, o Serviço não é realizado nem em rally e nem em francês. Como aqui no Brasil, é realizado em japonês.

Ao fechar os olhos e ouvir os hinos, parecia estar em alguma igreja no Japão, pois tudo estava em harmonia e tocava o fundo do meu coração. Ao abrir os olhos percebia que estava na África. Sendo africanos, diferente dos japoneses, eles são bem mais altos e fazem movimentos mais soltos. Possuem um maior senso musical.

Senti que estava realmente na África. Não havia ninguém que estava olhando os livros dos instrumentos e todos cantavam em voz alta, em harmonia. Creio que a maioria das pessoas que faziam a reverência, tinham pouco conhecimento da doutrina. Não é como no Brasil que existe o Curso de Doutrina ou o Seminário de Formação Espiritual.

Durante quase meio ano, após a confirmação da data da cerimônia, quase todas as noites fizeram o treino do Serviço Sagrado para poderem corresponder a Deus-Parens.

Carregavam a todos os lugares, o livro de Hinos Sagrados, Mikagura-uta para treinarem, seja no taxi, seja na cidade, até mesmo durante a lavoura, cantavam os hinos. Foi assim que no dia da cerimônia, todos realizaram um maravilhoso Serviço. Estava contida a sinceridade na execução do Serviço.

Através da manifestação formal da realização do Serviço é que as pessoas do Congo foram se aproximando da intenção de Deus-Parens.

Depois da cerimônia, o Departamento de Missões Exteriores, enviou professores para fazer um curso parecido com o Curso de Doutrina. As pessoas do Congo passaram a compreender gradualmente o ensinamento. Ao desenvolver a parte formal, foi sendo desenvolvida também a evolução espiritual.

 

Mesmo a oferenda de dinheiro ou de coisas, até de tempo, por haver a continuidade, por haver a prática é que se passa a entender o desejo de Oyassama. O sentimento de gratidão vai aumentando dentro do coração e acontece o crescimento espiritual.

Em relação a parte espiritual seria o objetivo, o ideal, o pensamento. Em relação a parte formal seria o meio, a realidade, a atitude. O espírito e a forma.

Todos nós estamos sendo vivificados. Se estiver alguém que não esteja vivo que levante a mão. Para viver precisamos nos alimentar. Nos alimentamos para poder viver.

Quando se começa a ter coisas em abundância, ao invés de comer para viver, aumentam as pessoas que vivem para comer. É algo engraçado. No Japão existem muitas pessoas que estão vivendo para comer. Principalmente as mulheres de meia idade. Acho que muitas mulheres depois vão brigar comigo.

Procuram incansavelmente restaurantes e comidas dizendo até que se isso acabar é melhor morrer. Vão a procura de comida italiana, coreana, chinesa, feijoada e churrasco, ou seja, vivem os dias para comer.

Sobre isso é dito como sendo a inversão de valores. Algo que originalmente era o modo correto ficou invertido. Os meios se tornaram em objetivo. Talvez possa parecer estranho, mas os meios também são importantes. Isso porque são através dos meios que as pessoas ficam motivadas. Viver para poder comer pratos deliciosos, seria viver intensamente em busca destes pratos. Se somente o objetivo fosse importante, de comer para poder viver, o mais rápido seria a comida dos astronautas. Quase não há sabor ou forma.

Outro jeito seria reunir os alimentos como as verduras, a carne, o arroz, o trigo e preparar de um modo que possa ser comido, sem a necessidade de temperos. Depois de comer os alimentos poderia comer o sal ou o shoyu e assim, misturar tudo dentro do estômago.

Porém, se for assim, ninguém sentiria vontade de comer. Essa prática seria rejeitada pelas pessoas. Buscar a evolução espiritual também é o mesmo. Não adianta ficar somente pensando a respeito. É preciso de um meio.

Esse meio seria o Serviço Sagrado, a construção, a divulgação e a salvação. Ontem o senhor Shingo Imai falou sobre o missionamento. No início, não se sentia satisfeito, pensando o motivo de se fazer a divulgação. As pessoas recusavam e ficava desanimado. Mas sempre vinha à sua mente o rosto da esposa e dos filhos e renovava a sentimento de continuar andando.

Continuou a divulgação tentando se animar de alguma maneira e com o passar do tempo, passou a sentir satisfação do que estava fazendo. Foi um relato emocionante.

Não é porque compreendeu o ensinamento, não é porque entendeu o caminho da dedicação única à salvação, não é porque soube profundamente do desejo de Oyassama que se passa para a prática.

Mesmo que a compreensão seja pequena, mesmo que a alegria seja simples, isto é que se torna a semente. O condutor da Igreja Manaus, reverendo Otonari falou a respeito da semente. Para fazer a semente germinar forte e saudável é necessário colocar adubo, dar água e tirar as ervas daninhas. A semente da evolução espiritual também deve receber os devidos cuidados. Estes cuidados são as ações as atitudes. É a prática. A prática formal seria o regresso a Jiba ou participar dos cursos doutrinários. É a dedicação em direção a um objetivo.

O que gostaria de alertar é o perigo de fazer com que os meios se tornem muito grandes. Os meios se tornarem grandes seria como se para ter uma vida mais alegre e agradável, acha que seria normal beber um pouco além da conta. Se essa quantidade for ficando maior, o que aconteceria? Com certeza a bebida iria estragar a sua vida. No mundo existem muitas pessoas nessa situação.

A construção de uma igreja. Quanto maior a obra, o condutor e os diretores dessa igreja e os fiéis devem estar firmemente determinados. Se a conteúdo não estiver à altura, a obra poderá cair sobre si.

Se o objetivo e os meios não estiverem em equilíbrio, se o espírito e a forma não estiverem equilibrados surgirão muitos problemas.

O Caminho do Brasil está em direção aos 60 anos de fundação do Dendotyo. A presença do Shimbashira e esposa já estão confirmados para a cerimônia comemorativa. Para isso, nesse momento, todos estão se esforçando na evolução espiritual. E para demonstrar isso de um modo formal é que se deseja reunir dez mil pessoas para a comemoração.

Para se receber essa graça formal é preciso uma dedicação condizente a essa meta. Essa dedicação é que estará ligada na evolução espiritual de cada um.

No centenário, já terei renascido e virei ao Brasil para ver como está o Caminho. Creio que nessa ocasião, muitos dos senhores também terão renascido e vão me receber.

Como disse ontem, desde os 20 anos até os 60 anos do Caminho no Brasil, apesar dos problemas e das dificuldades, chegou-se ao desenvolvimento dos dias de hoje. Se o Caminho for avançando nesse ritmo, o centenário será maravilhoso.

Não façam cerimônia para dizer que o caminho da salvação do mundo começa pelo Brasil. Os japoneses se sentirão incentivados para também se animarem cada vez mais no Caminho.

Vivemos em países que se encontram em lados opostos, mas o fato de saber que o ensinamento de Oyassama está sendo praticado com fervor é algo muito gratificante.

Espero a contínua dedicação de todos os senhores e termino assim as minhas palavras.

Muito obrigado.

 

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