2008.12_Susumu Tatebayashi

Reverendo Susumu Tatebayashi (Igreja Brasill Hoyo)

Bom dia. Com a permissão dos senhores, tentarei cumprir a missão a que fui incumbido hoje.

Neste momento, foi celebrada magnificamente a cerimônia mensal de dezembro da Sede Missionária Dendotyo, tendo ao centro o Primaz Tyotyo-sama. E foi com imensa alegria que, juntamente com todos os senhores, pude reverenciar o Serviço Sagrado e a Dança das Mãos dos Doze Hinos.

          É com imensa alegria também que chego a esta última cerimônia mensal deste ano, tendo a oportunidade de crescer um pouco mais espiritualmente, através desta palestra da Cerimônia Mensal.

Porém, a minha maior alegria hoje é poder estar falando. Sim, simplesmente, estar falando.

Gostaria de explicar, apesar de muitas pessoas já saberem o que se passou. Há pouco mais de três anos, passei por uma cirurgia para a retirada de metade do pulmão esquerdo, devido a um nódulo encontrado no brônquio. Graças à proteção de Deus-Parens, à orientação de Oyassama e à sincera oração de muitas e muitas pessoas, recebi a graça da recuperação em bem pouco tempo.

Porém, no início deste ano, a doença voltou e, desta vez, perdi a voz, pois um novo nódulo, de cerca de cinco centímetros, estava comprimindo o nervo da corda vocal esquerda. A minha voz praticamente desapareceu e era até difícil fazer-me compreender nas pequenas coisas do dia-a-dia. Como o  nódulo estava localizado num lugar de difícil acesso, era impossível de se fazer a cirurgia e assim, optou-se por um tratamento de radioterapia e quimioterapia.

Novamente, recebendo a proteção de Deus-Parens, a orientação de Oyassama e graças à sincera oração de muitas pessoas, recebi uma grande graça. O nódulo localizado no peito desapareceu por completo, quando a expectativa dos médicos era de que apenas diminuísse de tamanho.

Porém, apesar do desaparecimento do nódulo, a minha voz não voltou imediatamente. Consultei alguns médicos e todos diziam que, sem uma cirurgia de correção da corda vocal, a voz não voltaria.

Mas o inexplicável começou a acontecer quando regressei a Jiba, para agradecer pelo término dos tratamentos de radioterapia e quimioterapia. A cada dia, a voz melhorava, apesar de o médico que consultei no Ikoi-no-Iê dizer que, mesmo com a cirurgia, a melhora da voz não seria muito significativa. E, cerca de três semanas após de voltar ao Brasil, a minha voz voltou praticamente ao que era antes. Assim, estar podendo falar, após ficar praticamente sete meses sem falar, é uma imensa alegria.

Agradeço aqui, todo o apoio, a consideração e a força que recebi neste período, seja através dos Serviços de Solicitação, da ministração do Sazuke ou de uma palavra de incentivo. Os senhores não imaginam o como foi importante para mim. Muito obrigado.

 

Logicamente, em toda a orientação divina, existe uma profunda intenção de Deus-Parens. E a busca em tentar enxergar esta intenção foi muito importante para perceber e sentir muitas coisas.

Senti, sem dúvida nenhuma, o extraordinário trabalho de Deus-Parens, que nos orienta pacientemente. Não apenas no desaparecimento, mas, principalmente no surgimento do problema. Pois tudo é resultado exatamente do nosso interior, ou seja, dos nossos usos espirituais e das nossas predestinações. E, como se não bastasse, mostrando-nos tudo pacientemente, de acordo com a nossa capacidade de compreender, absorver e evoluir.

            Senti também o caloroso amor de Oyassama através da eficácia dos meios ensinados por Ela para a salvação, ou seja, o Serviço Tsutome e o Dom da Concessão Sazuke.

Não sei se sabem, mas a escala para esta palestra da Cerimônia Mensal está definida desde o início do ano. Assim, apesar de estar falando só agora, desde janeiro, antes mesmo de perder a voz, já sabia que falaria hoje. Por isso, quando recebi a graça, de voltar a falar, no mês de agosto, logo pensei em falar um pouco sobre o Serviço Tsutome e o Dom do Sazuke. Mas, como todos devem se recordar, no mês passado, o Reverendo Masahiro Kimura explanou exatamente sobre isso.

Por isso, para não repetir o que foi abordado pelo mestre, desejo falar um pouco sobre outro ponto que senti, que foi a Razão de Jiba e o mérito que herdamos dos antecessores, devido às sementes plantadas por eles.

 

            Como já disse, desde o dia que cheguei em Jiba, para agradecer o término do tratamento, a cada dia, a voz parecia melhorar. Porém, um fato foi determinante para que sentisse uma sensível melhora.

            Foi ter aceitado fazer a palestra no Encontro de Incentivo à União Espiritual dos Jovens da Tenrikyo. Em abril ou maio, quando estava completamente sem voz, a Sede da Associação dos Moços fez a primeira sondagem para fazer a palestra. Porém, fiquei relutando em aceitar; pois, afinal, estava sem poder falar.

            Mesmo nessas condições, diretores da Associação vieram insistindo para que eu falasse nesse Encontro. Acreditei que eles estavam tentando me incentivar, para que não desanimasse em meio ao tratamento.

            Mas a verdade é que era muito mais do que um simples incentivo. Um pouco antes de partir de Jiba, de volta para o Brasil, recebi o telefonema do presidente da Associação, insistindo mais uma vez para fazer a palestra. Diante de tamanha consideração, mesmo ainda sem voz, acabei aceitando e disse: “não sei como vai ser, mas tentarei cumprir a missão da melhor maneira possível”.

            Foi incrível. A partir deste dia, a voz começou a voltar e, em questão de duas ou três semanas, já estava falando normalmente. Não era apenas um incentivo. A Associação dos Moços, os seus diretores, queriam que eu recebesse a graça através da Razão de Jiba.

           Acredito que isto fica ainda mais claro se lhes contar que, nas duas ocasiões em que fiz a palestra no Encontro, fui acometido por uma terrível diarréia durante a madrugada, no dia da palestra. Em Recife, quase não consegui fazer a palestra e no México, após refletir e desculpar-me com Deus-Parens, pude cumprir a missão sem maiores problemas.

            Ouvi dizer certa vez que a diarréia é a falta de elevar a razão, de respeitar a razão. Apesar de ter recebido a graça da voz aceitando uma indicação vinda de Jiba, acredito que não estava elevando, considerando devidamente a razão de Jiba. E quando me dei conta disso e procurei reformular a minha atitude espiritual, de alguma forma, Deus-Parens permitiu que cumprisse minha missão.

 

            De toda forma, a recuperação da voz e o recente desarranjo estomacal serviram para que sentisse com o próprio corpo a razão de Jiba.

            Pra nós, Jiba é o ponto central da nossa fé. É o local original da criação humana, onde está assentado o Pedestal Kanrodai, como prova disso. É onde se encontra Deus-Parens e, de acordo com esta verdade, Oyassama trabalha eternamente viva. E é também, onde se executa o Serviço Tsutome, da salvação de todas as coisas.

 

Apesar disso tudo, ainda não compreendia muito bem sobre como recebi esta Razão de Jiba. E aí, ao ler alguns livros, principalmente sobre alguns mestres do Caminho, percebi que recebemos a Razão de Jiba graças ao mérito dos mestres pioneiros deste Caminho, graças aos predecessores da fé no Brasil, graças aos nossos pais e predecessores espirituais e graças aos pais e predecessores de nossa famíllia.

A mestra Yoshi Nakagawa, por exemplo, que é personagem da coluna “Seguindo os passos dos pioneiros” do Jornal Tenri deste mês, é um grande exemplo. Por volta de 1892, ela missionava em Akakuma, região de Osaka, e não estava alcançando muitos resultados no missionamento, sendo insultada e injuriada permanentemente.

Desejando que sua sinceridade fosse aceita por Deus-Parens e que Deus-Parens sustentasse as solicitações através da sua plena providência, Yoshi decidiu que regressaria a Jiba toda vez que iniciasse uma solicitação e a cada vez que recebesse a graça. O único problema era a distância: 100 quilômetros de Akakuma até Jiba. Ou seja, ela andava 400 quilômetros a cada salvação; 200 no pedido e 200 no agradecimento.

Porém, 200 quilômetros de uma única vez, para uma mulher, com um bebê nas costas e um mínimo de grãos para a refeição, não era fácil. Certa noite, a criança às costas não parava de chorar. Assim, resolveu amamentá-la um pouco distante da trilha. Quando a criança parou de chorar, olhou para a trilha por onde andava e viu uma matilha de lobos exatamente no mesmo local por onde passava há pouco.

Numa outra ocasião, foi perseguida por um homem e, por mais que tentasse fugir, não iria conseguir se livrar. Quando estava para ser alcançada, ela orou “Namu TenriÔ-no-Mikoto”. O homem caiu, como se tivesse sido arremessado ao chão, e desmaiou. Yoshi pensou em fugir, porém, sendo uma noite fria, cuidou do homem até que despertasse e transmitiu-lhe o ensinamento de Deus-Parens. O homem desculpou-se e foi embora, como se fugisse.

Desta forma, a convicção de Yoshi, de que Deus-Parens estava a protegendo, a sua sinceridade, desejando que algum enfermo se salvasse, fez com que ela conduzisse seus passos a Jiba, dedicasse a sua sinceridade a Jiba.

 

Por isso, Jiba é um local de encontro. O encontro do infinito amor parental de Deus-Parens com a sinceridade verdadeira dos seus filhos. Até hoje, muitas e muitas pessoas, a começar por mestres como Yoshi Nakagawa, vieram dedicando a sua sinceridade a Jiba. Deus-Parens aceita esta dedicação e a Oyassama realiza a salvação extraordinária.

 

O que posso dizer depois do que passei é que, seguir a fé não nos torna imunes das orientações de Deus-Parens, pois afinal todos nós temos os nossos defeitos, o nosso caráter e a nossa predestinação.

Porém, graças ao mérito herdado dos antecessores, as grandes desgraças são transformadas em pequenos problemas e estes pequenos problemas são eliminados. Deus nos sustenta através da plena providência.

 

Assim, acredito que agora é preciso retribuir a tudo que recebemos, para podermos deixar também a nossa contribuição, dedicando-nos a Jiba e acumulando virtudes e méritos para as próximas gerações e também às pessoas que vêm à igreja em busca da salvação.

Porém, para nós, que vivemos distantes de Jiba e estamos impossibilitados de nos dedicarmos e de conduzirmos nossos passos com freqüência, as igrejas a que pertencemos e, principalmente, a Sede Missionária Dendotyo são a representação de Jiba. Não é a mesma coisa, porém, se dedicarmos com sinceridade, voltando nosso coração a Jiba, tenho a certeza que Deus-Parens aceitará o nosso sentimento.

As obras comemorativas para os 60 Anos de Fundação, que começaram ontem, com a celebração da Cerimônia de Início das Obras, é uma excelente oportunidade para receber a razão de Jiba.

Porém, na igreja a que pertenço, a Igreja-Mor está às vésperas da cerimônia comemorativa de fundção e também está realizando obras, pedindo a colaboração de todos.

A Associação Feminina está com uma campanha, de procurar dar valor a tudo e, dentro disso, fazer a dedicação diária.

Com tudo isso, ao ser anunciada a contribuição para as obras comemorativas da Sede Missionária, confesso que hesitei em falar na nossa igreja. Demorei dois meses desde que recebi o esboço, de como vai ficar o prédio, e os envelopes para falar sobre esta dedicação. Mas, pensando bem, para nós, é como se estivéssemos nos dedicando a Jiba. É como se estivéssemos acumulando méritos para as próximas gerações.

             Ficarei muito feliz se puder caminhar o próximo ano, que é o ano da prática efetiva rumo aos 60 Anos de Fundação da Sede Missionária Dendotyo, dedicando-me com sinceridade às obras, e também se puder caminhar rumo à Vida Plena de Alegria tão ansiada por Deus-Parens, tendo este ensinamento como ponto de apoio seguro, juntamente com os senhores. Muito obrigado.

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