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Tyotyo_2011.09

Às senhoras, que no dia a dia têm se dedicado fervorosamente às missões do Caminho nas igrejas que lhes foram confiadas por Deus-Parens, seja como condutora, seja como esposa de condutor, e ainda como diretoras da Associação Feminina, meu sincero agradecimento e apreço. Muito obrigado, do fundo do coração.

O tempo passa rápido e já se passaram dois meses desde a cerimônia comemorativa dos 60 anos de fundação do Dendotyo, realizada no dia 12 de junho, com a presença do Shimbashira e sua esposa. Pudemos realizá-la sem quaisquer problemas, recebendo a presença de 6150 pessoas vindas de todo o Brasil.

Pude ver o registro dos vários eventos ocorridos antes, durante e depois da cerimônia comemorativa em DVD e verifiquei a imagem das senhoras trabalhando animadamente como encarregadas de alojamento, de cozinha ou do Recanto Tenri. Pude sentir renovadamente a importância de se trabalhar em união espiritual. Meus sinceros agradecimentos.

Ainda, uma coisa que me marcou de forma especial nesta cerimônia comemorativa dos 60 anos foi que, diferentemente das cerimônias comemorativas até os 40 anos, em que a maioria dos regressantes era de São Paulo e do Paraná, estados onde estão concentradas a maioria das igrejas e casas de divulgação, desta vez tivemos o regresso de pessoas de 21 dos 27 estados brasileiros. Dentre essas pessoas, 206 vieram de 15 estados que ficam a mais de 1000 quilômetros do Dendotyo. Foi uma cerimônia comemorativa em que pude sentir que o Caminho do Brasil, mesmo que gradualmente, está se difundindo para todo o território nacional.

Na tradição japonesa, quando se completa 60 anos, chamamos isso de Kanreki, ou seja, completa-se um ciclo sexagenário desde o ano do nascimento e inicia-se um novo ciclo de vida. Por isso, comemora-se vestindo roupas vermelhas, como um bebê. O Dendotyo do Brasil alcançou o Kanreki. Assim, com o espírito renovado como se tivesse renascido, gostaria que todos os fiéis do Brasil avançassem decididamente rumo a um novo caminho de maturação espiritual com espíritos unidos.

Nesta época oportuna de uma nova partida, recebi a solicitação para fazer uma palestra às senhoras diretoras. Assim, gostaria de contar com a atenção de todas por alguns minutos. 

A Associação Feminina da Tenrikyo atingiu o seu centenário no ano passado, no dia 19 de abril, quando foi realizada magnificamente a 92ª Assembleia, comemorativa dos cem anos de fundação, em Jiba. Tivemos a participação de numerosas pessoas do Brasil também. Tendo em vista a nova partida, no Curso para Diretoras realizado em agosto do ano passado, fizemos um estudo sobre “As Indicações Divinas e a Associação Feminina”. Na Indicação Divina de 25 de março de 1898, na solicitação sobre o estado de saúde de Ito Massui, temos: “A Associação Feminina não foi criada a partir do dever moral. Nem para manter a aparência. E nem para a sociedade.” Como explanado aqui, ensina que a Associação Feminina da Tenrikyo não é uma associação para manter as aparências e nem para atender ao dever moral para com a sociedade. Creio que o ponto mais importante em que as associadas da Associação Feminina devem focar o espírito é em evoluir espiritualmente no sentido de se tornarem pessoas condizentes com a posição de senhoras do Caminho. Para se tornarem senhoras condizentes com o Caminho, como já devem ter ouvido em diversas oportunidades e devem saber plenamente, a imagem ideal e suprema é almejar ser uma pessoa como Oyassama. Para isso, na continuação da Indicação Divina está explanado: “A Associação Feminina deve iniciar o caminho estabelecendo o caminho da orientação mútua.” Se for dizer a partir do que devem fazer a orientação mútua, devem tomar por base os fatos havidos desde o início do Caminho: “nas histórias antigas houve este fato, houve aquele fato, e nessas horas, Oyassama ensinou dessa forma, orientou daquela forma”. Com base nisso, devem refletir a respeito do modo de vida de cada uma, e orientar umas às outras sobre os pontos que não são percebidos individualmente, a fim de evoluir espiritualmente para corresponder ao anseio de Oyassama.

Por exemplo, nos Episódios da Vida de Oyassama, temos: “Diz-se que, certa vez, os três: Yonossuke Shimizu, Shirobei Umetani e Tora Hirano, reunindo-se diante de Oyassama, contavam mutuamente sobre o fato de que suas irmandades não iam como desejavam, quando Ela os consolou explicando: ‘Seja qualquer flor, há ano que floresce e outro que não floresce. Mesmo que não floresça num ano, quando mudar outra vez o ano florescerá.’” Houve quem fez a determinação espiritual visando os três anos, mil dias rumo aos 60 anos de fundação do Dendotyo, trabalhou com esforço na divulgação e na salvação, mas não obteve o resultado esperado. Pode ser que não tenha florescido agora, mas creio que Oyassama está incentivando, dizendo que se trabalhar com afinco nas atividades dos 130 anos do ocultamento físico de Oyassama, poderá receber a graça do florescimento de uma flor.

As pessoas que se reúnem na igreja devido a uma predestinação devem procurar abrir o seu coração umas com as outras, e quando o espírito estiver desanimado, devem relembrar a vida-modelo de Oyassama e pensar: “O que Oyassama fez nessas situação?” “O que ela ensinou?” Ainda, devem estudar sobre a reação das pessoas que receberam essas orientações: como fizeram para colocá-las em prática e receber as graças?

Creio que a imagem verdadeira das atividades da Associação Feminina é caminhar incentivando umas às outras no sentido de mudar a direção do espírito do lado que não consegue se contentar para o lado que consegue se contentar. Devem se esforçar para tornar fatos infelizes em contentamento. Acredito que o contentamento é algo que deve ser buscado.

Também nos Episódios, temos: “No dia 6 de fevereiro de 1886, chegou a Shirobei Umetani, que estava na residência divina, a notícia de sua casa de que a segunda filha Mitie, que sofria de uma doença, falecera. Quando foi levado à presença de Oyassama, disse-lhe o fato aproveitando o ensejo da conversa. Então, Ela lhe disse: ‘Então, foi um afortunado!’ Umetani, julgando-a ter-lhe ouvido mal, disse mais uma vez: ‘É que perdi uma filha’ — quando Ela lhe dirigiu apenas estas palavras: ‘Foi feliz por não ter sido a mais velha, não é?’”

Penso que o primeiro fundamento para desenvolver as atividades da Associação Feminina é a atitude de discutir. As associadas devem discutir seriamente, devem caminhar buscando o contentamento dentro dos sacrifícios e das dificuldades. Sem importar se o número de associadas é grande ou pequeno, creio que as atividades da associação servem para que compartilhem o espírito, umas com as outras.

Ainda, as atividades da Associação Feminina e as atividades de salvação na igreja não são coisas distintas. Penso que “educar para que cada senhora ligada à igreja seja capaz de fazer a retribuição das graças através da dedicação única à salvação” também é uma das atividades da Associação Feminina. Isto é, verdadeiramente, uma atividade de salvação e desenvolvê-la com afinco fará com que o conteúdo da igreja seja aprimorado.

Em qualquer organização, em qualquer associação, o trabalho consciente da pessoa que está ao centro, ou seja, do líder, terá relação direta com a prosperidade dessa associação. É importante que o líder, antes de tudo, tome a iniciativa de dedicar-se nas missões do Caminho. Ouvindo que “a mulher não deve se destacar”, ou que “o importante é a moderação”, se apenas ficarem fazendo cerimônia, a associação não se desenvolverá. Nas atividades de salvação, podem se destacar sem cerimônia. No entanto, se por excesso de entusiasmo, deixarem de respeitar a razão do condutor, que é a pessoa que recebeu a razão como cerne da igreja, destacando-se demais ou enfrentando-o, nisso não haverá a razão. Acolhendo o pensamento do condutor e preocupando-se em trabalhar na retaguarda, é importante que façam a dedicação aos yobokus e fiéis.

Mesmo as diretoras, são de diversos tipos. Existem pessoas que receberam essa posição depois de terem se dedicado durante longo tempo ao Caminho, e existem aquelas que assumiram essa posição mesmo sendo jovens e não tendo muita experiência. Aqui está a diferença em relação às associações da sociedade. Mesmo sendo jovens e sem muita experiência, para as pessoas que se tornaram diretoras automaticamente porque o marido recebeu a permissão de condutor “é importante fazer um esforço para educar primeiro a si mesma”. É importante fazer, a cada dia, o esforço para poder corresponder à posição recebida. Aí estará o Caminho para que se possa educar a si mesma. Dentro da igreja, ao invés de pedir para as pessoas mais velhas ou aos veteranos para que façam isso ou aquilo, devem primeiramente tomar a iniciativa de fazer voluntariamente as coisas desagradáveis, as coisas mais difíceis, acumulando méritos e construindo a razão. Fazendo assim, mesmo que seja jovem, será respeitada pelos fiéis como esposa do condutor.

·      Devem verificar atentamente o próprio espírito e sempre refletir se estão trabalhando de modo a corresponder ao amor parental dia a dia.

·      Devem refletir dia a dia sobre os usos espirituais considerados poeira e esforçar-se para purificar o espírito.

·      Em vez de dar ordens, apenas, devem primeiramente tomar a iniciativa por si mesmas e se trabalhar.

·      Devem trabalhar de modo que não sejam apoiadas apenas pela satisfação sincera das pessoas ao redor, dos diretores ou dos veteranos da igreja. Por exemplo, é falarem coisas como: “vamos ouvir com ‘satisfação sincera’ porque é algo que a esposa do condutor que está falando”, ou “como a esposa do condutor ainda é jovem, é compreensível que aja assim, por isso nós é que devemos ter ‘satisfação sincera’”.

A missão de Oyassama está em encaminhar os seres humanos para a vida plena de alegria desejada por Deus-Parens. Nós, yobokus, somos os instrumentos que levarão a vida plena de alegria ao mundo como se fôssemos as mãos de Deus-Parens. Os yobokus devem tomar a iniciativa de encaminhar as outras pessoas para a vida plena de alegria. Para trilhar esse Caminho, devem ter como exemplo a vida-modelo de Oyassama.

Oyassama tinha a alma de Izanami-no-Mikoto e o seu papel era o de dar à luz e educar. Oyassama, que tinha o papel de educar os serem humanos que nasceram neste mundo, para se tornarem pessoas maduras, não apenas educou os filhos que nasceram, mas se preocupou em possibilitar-lhes a vida plena de alegria. Oyassama, quando ia orientar as pessoas sob a luz do ensinamento, não ensinava tudo de uma vez. Ensinava repetidamente uma mesma coisa de maneira fácil de entender, até que as pessoas conseguissem se convencer. Ainda, observando a personalidade e a situação de cada pessoa, mudava as palavras e a maneira de falar de modo que se ajustasse a essa pessoa, e orientava de maneira calorosa, envolvendo o espírito dessa pessoa. Era, verdadeiramente, “o amor parental que orienta: se engatinhar, levante; se levantar, caminhe!” Eu tenho três netos. O terceiro está com dois anos e meio e é muito levado. Quando fiz o regresso a Jiba no ano retrasado, engatinhava com esforço pelo quarto todo. Ano passado já conseguia andar em pé e este ano já pula do sofá e dá aflição só de ver. Para os pais, se uma criança não consegue andar em pé e continua o tempo todo engatinhando, isso é preocupante. Quando acha que está engatinhando, já fica em pé, e quando fica em pé, já quer que ande. Esse é o amor parental.

As atividades da Associação Feminina são desenvolvidas tendo como objetivo a educação visando a vida plena de alegria e não há outro meio para fazê-lo fora da vida-modelo de Oyassama. A educação dos fiéis, ou seja, das pessoas que nasceram através da divulgação e da salvação, e o modo de orientar os fiéis de fé antiga para uma maior evolução espiritual devem ser aprendidas da vida-modelo de Oyassama.

Oyassama nos ensinou como trilhar o Caminho para a vida plena de alegria. O atalho mais curto para a vida plena de alegria é cada qual viver, dia a dia, contente e animada, com espírito alegre, tendo a convicção da devoção única a Deus, refletindo sempre sobre si mesma e fazendo constantemente a limpeza das poeiras que se acumulam no espírito, esquecendo a ambição.

Nós somos as pessoas que devem transmitir e difundir o ensinamento de Oyassama. Não se deve difundir o próprio pensamento, mas devem, sim, espargir a fragrância da intenção de Deus-Parens. Para isso, antes de tudo, é importante trabalhar com o espírito estabelecido em conformidade com o ensinamento. E acolhendo firmemente esse espírito de contentamento estabelecido com seu calor, como mulheres que são, gostaria que trabalhassem pacientemente na educação dos fiéis.

É necessário tomar cuidado para que não haja contradições entre a doutrina explicada por Oyassama e a doutrina praticada por nós. É importante refletir sempre se as nossas atitudes diárias estão de acordo com o ensinamento, se não estão misturadas de senso comum da sociedade.

Dentro dos Hinos Sagrados, Oyassama disse: “Por mais que venham a crer, não devem ter erros espirituais.” Seguindo a fé por longos anos, podemos pensar que estamos vivendo dia a dia conforme o ensinamento de Oyassama, que não estamos fazendo nada de errado. No entanto, quando são mostrados enfermidades ou problemas circunstanciais ao nosso redor, é importante ter humildade e refletir honestamente se não estamos cometendo erros espirituais.

Como é um Caminho aberto por Oyassama, é um Caminho que deve, logicamente, ser trilhado por todos aqueles que creem neste ensinamento. É um Caminho aberto e trilhado pessoalmente por Oyassama, com a preocupação de que as pessoas que vêm depois pudessem trilhá-lo sem maiores problemas. Por isso é chamado de “Caminho da vida-modelo”. O Caminho da vida-modelo não é, em absoluto, um caminho fácil de ser trilhado. No entanto, se determinar o espírito disposta a trilhá-lo, qualquer pessoa poderá trilhar esse Caminho.

Existe a expressão “não há distinção entre pinheiro macho ou fêmea”, mas ela não aparece nem nas Escrituras Divinas, nem nos Hinos Sagrados e nem nas Indicações Divinas. Nas Indicações Divinas temos muitas vezes as expressões: “não há distinção entre homem e mulher” e “sem distinção entre homem e mulher”. A expressão “não há distinção entre homem e mulher” não significa a igualdade de direitos entre homem e mulher, como se diz na sociedade. Existe a virtude atribuída distintamente ao homem e à mulher. O homem tem o trabalho da umidade, do suporte ósseo e da razão de semente. A mulher tem como virtude o trabalho do calor, da ligação da pele e de viveiro, isto é, de gerar e educar. O homem não pode se tornar mulher e a mulher não pode se tornar homem. São os destinos que cada um possui. Os papéis de homem e de mulher podem ser cumpridos quando se consegue valorizar plenamente as virtudes recebidas por cada um. A base, normalmente, é algo que fica por baixo. Não é algo que fica por cima. A função da base é dar sustentação a algo que está em cima ficando por baixo, e não se colocando por cima. Isto também é algo importante para estabelecer as coisas dentro da igreja. No lar, respeitando o marido, que é o chefe da família, e na igreja, respeitando a razão do condutor, o importante é dar apoio a eles em qualquer situação que seja.

Valorizando plenamente a natureza recebida como mulher, devem orientar as pessoas, gerar e educar filhos do Caminho. Mesmo que haja ocasiões em que sejam pisoteadas ou cobertas de lama, penso que é importante concentrar-se no trabalho como “base do Caminho”, sempre valorizando e educando as pessoas. Assim, a questão não é que “a mulher é prejuízo e o homem é lucro”. Devemos refletir sobre as virtudes atribuídas por Deus-Parens distintamente ao homem e à mulher.

Em seguida, falarei sobre as palavras do Shimbashira na cerimônia comemorativa dos 60 anos do Dendotyo, onde ele explicou seriamente sobre o papel que possui a sede missionária. Falou primeiramente sobre o trabalho como centro do tratamento e da fertilização e depois sobre o fato do Dendotyo, como uma razão da denominação, possuir o mesmo significado de uma igreja. Como esta explicação tem uma relação muito grande com as senhoras, vou ler sobre o segundo ponto a título de recapitulação, apesar de ser um pouco longo.

“A sede missionária tem, também, o mesmo significado de uma igreja, possuindo uma razão da denominação. Assim como cada igreja existente nas diversas localidades, carrega também o papel de ser a academia de dedicação sincera à salvação, um modelo de vida plena de alegria nessa localidade. Em poucas palavras, pode-se dizer que a vida plena de alegria é a vida repleta de alegria que corresponde à intenção de Deus-Parens. Indo à sede missionária (igreja), podemos apreciar um ambiente alegre e feliz, que corresponde à vontade de Deus-Parens; reverenciando na sede missionária (igreja), o espírito se acalma e o sentimento deprimido se anima naturalmente. Creio que este é o significado de ser o modelo de vida plena de alegria. Originalmente, uma igreja nasce do fervor incontrolável de pessoas que, conhecendo as providências de Deus-Parens, sentem gratidão e querem retribuir por elas. A igreja é o local onde as pessoas assim reunidas trabalham para aprimorar o espírito buscando o ensinamento, e se dedicam à evolução do espírito para poderem concretizar a vida plena de alegria. Ainda, dedicar-se às atividades de missionamento visando os de fora é o significado da academia da dedicação sincera à salvação. Não é no tamanho do terreno ou da construção que existe um significado. É no ambiente criado pelas pessoas que se ligam à igreja que existe significado. Para isso, penso que, primeiramente, o primaz (condutor da igreja) e as pessoas que moram na sede missionária (igreja) devem se esforçar para assimilar no espírito a intenção de Deus-Parens e o ensinamento de Oyassama, e desenvolver as atividades para que a sede se torne um local central da localidade, onde todos possam se reunir contentes do fundo do coração. Nas Indicações Divinas, temos: ‘Bem, mesmo trilhando o Caminho, não conhecem a razão do Parens. Por haver o caminho antigo é que há o caminho novo. O caminho antigo se diz pais, o caminho novo, filhos. Gradualmente, por procurarem trilhar o caminho novo, se esquecem do caminho antigo. Compreendam bem. Por haver o caminho antigo é que se diz caminho novo.’ (7 de outubro de 1889) Justamente por haver o caminho da vida-modelo de Oyassama é que se abriu o caminho das novas gerações, e por haver o caminho das novas gerações é que temos o nosso Caminho atual.”

Explicou de maneira simples e facilmente compreensível a imagem ideal de uma igreja, desde o início de sua formação. Diz que uma igreja nasce do fervor incontrolável de pessoas que, conhecendo as providências de Deus-Parens, sentem gratidão e querem retribuir por elas. Diz ainda que a igreja é o local onde as pessoas reunidas trabalham para aprimorar o espírito buscando o ensinamento, e se dedicam dia a dia à evolução do espírito para poderem praticar a vida plena de alegria. Diz também que não é no tamanho do terreno ou da construção que existe significado, mas é no ambiente criado pelas pessoas que se ligam à igreja que existe significado. O trabalho do condutor e da esposa é pensar sempre em como fazer para que um maior número de pessoas possam se reunir na igreja. Há uma grande diferença entre dirigir palavras calorosas ou ficar indiferente às pessoas que vêm reverenciar. É claro que as pessoas que vêm reverenciar, vêm para reverenciar Deus-Parens e Oyassama, mas o ambiente na igreja também é muito importante. Como é ensinado que a igreja é a academia para o modelo de vida plena de alegria, é importante que a igreja esteja sempre transbordante de alegria. Para receber essa graça, é importante que os diretores e fiéis estejam harmonizados em união espiritual, tendo o condutor ao centro. Ainda, mesmo o dinheiro e as mercadorias oferendadas a Deus-Parens na igreja, é importante que aceitem a sinceridade das pessoas com gratidão, do fundo do coração. Assim como está registrado nos Episódios da Vida de Oyassama, Oyassama sempre recebeu as oferendas feitas pelos fiéis dizendo palavras de agradecimento. Assim, é importante tratar os fiéis com sentimento sincero. Ainda, é importante manter o interior do recinto de reverência sempre limpo, dando ênfase a isso.

Na Indicação Divina de 15 de julho de 1901, temos: “Se um se desajusta, todos se desajustam. Diz-se uma cabeça principal. Se a cabeça principal se desajusta, todos se desajustam. Sem deixar desajustar, se passar dia a dia com alegria constante, a razão circulará. No entanto, se fizerem dizendo ‘que coisa, que coisa’, essa coisa é que circulará. Depois que circular, nada se poderá fazer. Não poderá ser revertido.”

Se compreendermos a cabeça principal como o condutor da igreja, se o condutor se desajustar, todas as pessoas ligadas a essa igreja se desajustarão. Se passar dia a dia com espírito alegre, dizendo como está contente, como está grato, essa razão é que circulará. No entanto, se ficar com espírito de insatisfação, a razão da insatisfação é que circulará e se tornará uma situação que não poderá ser revertida. Orienta que os erros de avaliação do condutor da igreja ou da esposa podem se transformar num grande problema.

Penso que a harmonização da igreja começa na harmonização da família do condutor que mora na igreja. Se a família se harmoniza, tudo se harmoniza pacificamente. Especialmente no caso das mães, gostaria que educassem firmemente os filhos, que vão nos suceder, como filhos condizentes com o Caminho.

Para educar os filhos, devem se conscientizar de que as senhoras mesmas são filhas do parens (Deus-Parens) e fazer o esforço em educar. Vendo isso, os filhos se tornarão filhos condizentes com este Caminho. Dentre a senhoras, há aquelas que têm filhos ainda pequenos, e também aquelas que já terminaram a fase de educar os seus filhos. No entanto, disciplinar os filhos é “não deixar, de maneira alguma, que façam coisas que não se deve fazer, mesmo que queiram”. Quer dizer, não se deve deixar tomar atitudes egocêntricas, como bater na cabeça dos outros ou roubar coisas dos outros. Por outro lado, “forçar para que façam, a todo custo, as coisas que devem ser feitas, mesmo que não queiram”, ou seja, acordar cedo, ser honesto, ser trabalhador, executar o Serviço sagrado, cumprimentar as outras pessoas, tudo isso é importante que seja orientado desde quando são pequenos. 

Na verdade, depois da cerimônia comemorativa dos 60 anos do Dendotyo, acompanhei o Shimbashira e sua esposa em visitas doutrinárias a seis igrejas. Certa oportunidade, dentro do carro, fui perguntado pelo Shimbashira a respeito de uma das atividades do Shonenkai, que é o Otomarikai (pernoite) na igreja.

Disse a ele que em 1976, na época em que houve o chamamento para a “Realização do Otomarikai em 100% das igrejas”, muitas das igrejas daqui do Brasil realizaram o Otomarikai, mas hoje em dia, são poucas as igrejas que estão realizando. Nas igrejas onde o condutor é da segunda ou da terceira geração e já consegue fazer as orientações em Português, a realização é possível, mas nas igrejas onde o condutor é japonês e idoso, existe a barreira da língua e a realização é mais difícil. Assim, na Divisão Brasil do Shonenkai, dissemos às igrejas que, quando reunissem as crianças, se não houvesse encarregados para orientar, poderiam nos solicitar que enviaríamos coordenadores para auxiliar. Mesmo assim, quase nenhuma igreja fez a solicitação. Assim respondi a ele.

O que penso sobre a atividade do Shonenkai é que ela é uma atividade em que se deve dedicar para ligar as crianças à fé, de modo que evoluam para se tornarem Yobokus. No entanto, o resultado disso não aparece imediatamente na expansão do Caminho. Enquanto não completa 15 anos, o jovem não pode entrar para o Curso Estudantil, e o Seminário de 28 dias é somente a partir dos 17 anos. Apesar de saber da importância das atividades do Shonenkai, se descuidar, pode ser que elas acabem ficando em segundo plano. Nessas idas e vindas, existem muitos casos em que a criança acaba se afastando da fé.

Nas Indicações Divinas, temos: “Se educar, se educa. Se não educar, não se educa.” (12/06/1890). Somente fazendo o esforço em educar é que se pode receber a graça de ver os filhos educados.

Penso que as atividades do Shonenkai são como semear as sementes. As sementes plantadas brotarão algum dia. Como um instrumento para fazer brotar a fé e educar as crianças é que existe o “Otomarikai na igreja”. Ao realizá-lo, com certeza a distância entre a igreja e as crianças será encurtada. Se seguir realizando durante 20 ou 30 anos, o resultado disso aparecerá. Penso que é uma atividade que levará, infalivelmente, ao aprimoramento do conteúdo da igreja.

Recentemente, na Sede do Shonenkai, parece que fizeram uma pesquisa sobre o motivo pelo qual não se realiza mais o Otomarikai. Além das respostas esperadas, como a “diminuição do número de filhos” e “falta de encarregados para realizá-lo”, houve também a resposta de que “é porque não há nenhum forte chamamento”. Por isso é que foi feito novamente o chamamento.

O Otomarikai na igreja é a o evento ideal para criar oportunidades para as crianças frequentarem a igreja. Só de pernoitar na igreja e sentir o seu ambiente, o Otomarikai já cumpre o seu papel de ligação. Por isso, gostaria de solicitar às senhoras que, consultando o condutor, passem a realizá-lo sem falta em suas igrejas também.

O ponto básico para a realização do Otomarikai na igreja é que “basta que as crianças pernoitem na igreja”. Por exemplo, a programação pode ser simplesmente: reunir na igreja no final da tarde, realizar o Serviço da noite, jantar com a família do condutor da igreja e, no dia seguinte, fazer o Serviço da manhã, tomar café e fazer a limpeza dos arredores da igreja, encerrando em seguida. Podem pensar que, ao reunir crianças, é necessário fazer alguma atividade, mas pode-se apenas fazer com que elas experimentem o dia a dia comum da igreja.

O dia a dia da igreja é o dia a dia que tem Deus-Parens ao centro, é uma vida em que os sentimentos de gratidão, satisfação e salvação existem naturalmente, tendo como base os ensinamentos de Oyassama. É importante realizar juntos os Serviços da manhã e da noite, agradecer antes e depois das refeições, falando “itadakimassu” e “gotissoussama” e batendo duas vezes as palmas das mãos, ensinar para as crianças que o Serviço sagrado é realizado para agradecer a Deus-Parens pelo fato de estarmos sendo vivificado e também para solicitar pela felicidade de todas as pessoas do mundo.

Ainda, no Otomarikai, as crianças maiores cuidam das crianças menores e brincam com elas. Ao fazer juntos os preparativos e a arrumação das refeições, a limpeza dos quartos onde dormiram, ou seja, ao fazer juntos as coisas do dia a dia da igreja que podem ser plenamente realizadas por crianças, estaremos semeando no espírito das crianças as sementes da fé e elas também, naturalmente, irão assimilar a atitude de Hinokishin.

Outro ponto é que, para as crianças, “dormir longe dos pais, fora de sua própria casa”, isso em si já é um grande evento. As crianças se divertem só pelo fato de dormirem fora de casa. Ver televisão junto com a família do condutor; ouvir histórias de quando o condutor era criança; se for menino, brincar com os meninos maiores que moram na igreja; se for menina, conversar com a esposa do condutor ou com as meninas mais velhas; essas coisas que parecem não ter importância são divertimentos que as crianças não conseguem vivenciar no seu dia a dia. Uma coisa que se deve tomar cuidado quando se hospeda as crianças na igreja é que é importante cuidar delas como se fossem nossos próprios filhos. Para as crianças, o sentimento de confiança por terem sido cuidadas, por terem recebido atenção, posteriormente se tornará uma ligação com a igreja.

Ao mesmo tempo em que o Otomarikai é um grande evento para as crianças, a influência que exerce sobre os pais também é grande. Para que a criança participe, é necessário que haja, sem falta, a autorização dos pais e por isso, torna-se uma oportunidade para conversar com eles. Pode-se pedir para que os pais tragam e levem os filhos, pode-se pedir para que ajudem na cozinha quando o número de participantes é grande, enfim, acaba se tornando uma oportunidade para que venham à igreja.

Em Jiba, o ápice das atividades é o Regresso das Crianças a Jiba, que é colocado como uma compilação das atividades nas igrejas e nas sedes regionais. No Brasil, em última instância, o foco é colocado no Encontro Infantojuvenil, Tsudoi, promovido pelo Dendotyo e penso que a dedicação em relação às crianças na igreja se tornará importante.

Nas Indicações Divinas, temos : “Tenham no espírito, que se salvar uma pessoa salvará milhares.... Se um crescer, todos crescem. Se um desmoronar-se, todos desmoronam-se.” (14/12/1904) Será suficiente que o condutor e sua esposa cuidem com carinho das crianças que vêm participar do Otomarikai como se fossem seus próprios filhos.

Nas igrejas onde é difícil realizar todos os meses, acredito que se pode realizar uma ou duas vezes por ano. Creio que pode ser realizado próximo das datas das atividades do Shonenkai do Dendotyo, como o Encontro Infantojuvenil ou o Ensaio Geral do Serviço. Se for depois do Encontro Infantojuvenil, pode ser realizado como reunião de avaliação ou confraternização. Ser for antes do Ensaio Geral do Serviço, pode-se fazer o treinamento das crianças que estão escaladas.

Penso que as crianças que participam de todo o ciclo de atividades do Shonenkai avançam sem muita resistência ao Curso Estudantil e ao Seminário de 28 dias. Ao se formarem no Seminário de 28 dias, virão a servir também nas tarefas da Cerimônia mensal em suas igrejas.

Na revista “Miti no Tomo” deste ano, havia um artigo sobre um condutor de 76 anos de idade. Em agosto do ano retrasado, houve o chamamento da Sede do Shonenkai para a “Realização do Otomarikai em todas as Igrejas”. Pensando que tinha que fazer algo em relação a isso, assistindo um vídeo de apresentação do Otomarikai, viu a cena de um condutor idoso fazendo Hinokishin com o seu neto e pensou: “Acho que isso eu também consigo fazer!” “Apesar de eu e minha esposa sermos de idade avançada e não termos quem nos ajude, apesar da insegurança, falei com os fiéis. No final, a única criança que se dispôs a participar foi o filho de um fiel fervoroso que estava no quinto ano do ensino fundamental. No dia marcado, veio junto com a sua mãe, no final da tarde. Depois de realizarmos o Serviço da noite, a mãe foi embora junto com outros fiéis. Era o Otomarikai apenas do casal de condutores e uma criança. Enquanto minha esposa preparava o jantar, brincamos de abrir a melancia batendo com uma vara. Foi a única atividade recreativa, mas ouvindo depois, foi a primeira vez que a criança tinha feito aquilo e ficou muito feliz. Depois do jantar, jogamos cartas e na manhã seguinte, após o Serviço da manhã, falei um pouco sobre Deus-Parens e encerramos. Essa foi a programação.” Usar a criatividade, pensando em como fazer para contentar a criança é importante. Este condutor de 76 anos pensou nessa brincadeira de abrir a melancia batendo com uma vara. Para a criança, acabou se tornando uma grande alegria.

No capítulo 3 da Minuta da Vida de Oyassama, temos a seguinte frase dita por Oyassama: “Não posso deixar a quem vier a esta casa sair sem antes contentá-lo. Para mim, Parens, todos os seres humanos do mundo são meus filhos.” É importante que as pessoas que vivem na igreja se esforcem para ter esse tipo de espírito.

Mudando de assunto, na reunião dos diretores da Sede, em 26 de maio deste ano, o Departamento de Missionamento autorizou a distribuição a todas as igrejas de um impresso explicativo das “Dez Providências Divinas” e das “Oito Poeiras”. Após receber as palavras do Shimbashira na Grande Cerimônia do Outono do ano passado, foram realizadas discussões dentro do Departamento de Missionamento que resultaram nos preparativos para esse impresso. Na Grande Cerimônia de Outono, realizada em outubro do ano passado, o Shimbashira disse em sua palestra: “... Antigamente era dito ‘ingressar na fé, ou seja, fazer o missionamento’. Ouvimos que muitas pessoas engajavam-se no missionamento logo após concluir o seminário Bekka, amparando-se somente na doutrina das Dez Providências Divinas e das Oito Poeiras. Aí existia a emoção por terem sido salvos de doenças e problemas circunstanciais e desejar retribuir de alguma forma. Tenho a certeza de elas possuíam a convicção de que ensinamento da Tenrikyo era maravilhoso e de que a fé neste Caminho era gratificante. Embora a realidade da época fosse diferente da de hoje, não podemos simplesmente considerar o ânimo dessas pessoas como uma história do passado. ... Entretanto, não se trata apenas de coisas que nos dão suporte no missionamento. As grandes providências que recebemos dia a dia, no mundo e dentro do corpo, são coisas que nos foram ensinadas sistematicamente e servem como pistas para refletirmos a respeito do significado contido nos nós, ou seja, enfermidades e problemas circunstanciais que nos são mostrados. Não posso deixar de sentir um gratificante amor parental especialmente no fato de ter ensinado que os erros de uso espiritual são como poeiras, que podem ser limpas se fizermos uma reflexão de nossas atitudes dia a dia. Ainda, estes são ensinamentos da doutrina que estão muito ligados à nossa vida cotidiana.”

O objetivo é fazer a promoção a todo o Caminho, de modo que todos os Yobokus assimilem os ensinamentos das “Dez Providências Divinas” e das “Oito Poeiras”, e pratiquem no dia a dia.

As “Dez Providências Divinas” e as “Oito Poeiras” são ensinamentos básicos dentro da doutrina para a vida religiosa. Até 1948, havia uma prova prévia antes de conduzir as preleções do Besseki e as pessoas tinham que ter decorado as “Dez Providências Divinas” e as “Oito Poeiras”. Atualmente, não se diz mais “prova prévia”, mas se diz “juramento do Besseki”. Talvez devido a isso, nos últimos anos, acredita-se que o número de pessoas que conseguem explicar esses ensinamentos está demasiadamente reduzido. Assim, para que todos os Yobokus e fiéis possam decorar a explicação sobre as “Dez Providências Divinas” e as “Oito Poeiras”, foi elaborado e distribuído esse impresso.

Esta é uma ação concreta ligada ao lema “Gratidão, Satisfação e Salvação - Chave para a Vida Plena de Alegria” – e para que ela atinja todo o mundo, as pessoas do Caminho devem mostrar o exemplo. Serve, assim, como ferramenta para isso.

A explicação das “Dez Providências Divinas” se baseia na Doutrina da Tenrikyo e a explicação das “Oito Poeiras” é uma composição baseada no Livro-base do Besseki, no Manual dos Fiéis e na Prova Prévia. Foram compiladas na esperança de que sejam amplamente difundidas a todos os fiéis e Yobokus de todo o Caminho. No entanto, as palavras e expressões não precisam ser necessariamente essas que estão no impresso. Estamos trabalhando para traduzir isso para o Português e distribuir o quanto antes.

Então agora, vou ler todo o texto.

 

As Dez Providências Divinas

Deus-Parens criou este mundo e os seres humanos com o desejo de compartilhar o viver alegre e feliz, e é o Deus original e verdadeiro que nos concede sua proteção.

Classificou em dez as providências, e explicou-as detalhadamente dando-lhes o respectivo nome divino.

Kunitokotati-no-mikoto – Representa a providência divina dos olhos e umidade no corpo humano e da água no mundo.

Omotari-no-mikoto – Representa a providência divina da temperatura no corpo humano e do fogo no mundo.

Kunissazuti-no-mikoto – Representa a providência divina do órgão genital feminino e da conexão da pele no corpo humano e da conexão em geral no mundo.

Tsukiyomi-no-mikoto – Representa a providência divina do órgão genital masculino e do esqueleto suportador no corpo humano, e do suporte em geral no mundo.

Kumoyomi-no-mikoto – Representa a providência divina da entrada e saída dos alimentos no corpo humano, e da subida e descida da umidade no mundo.

Kashikone-no-mikoto – Representa a providência divina da respiração no corpo humano, e do vento no mundo.

Taishokuten-no-mikoto – Representa a assistência divina de cortar a conexão do bebê com o útero da mãe no nascimento e de cortar a respiração no retornamento. No mundo, a providência do corte em geral.

Otonobe-no-mikoto – Representa a assistência divina de extrair a criança do útero da mãe no nascimento. No mundo, a providência da extração em geral.

Izanagui-no-mikoto – O protótipo de homem, a função de semente.

Izanami-no-mikoto – O protótipo de mulher, a função de viveiro. 

Graças às providências concedidas por Deus-Parens dia a dia é que podemos usar livremente este corpo distinguindo as coisas com os olhos, escutando a razão com os ouvidos, cheirando com o nariz, mastigando com a boca, trabalhando com as mãos e caminhando com as pernas.


As Oito Poeiras

Os corpos humanos são coisas tomadas emprestadas de Deus-Parens, e somente o espírito é um bem próprio. A começar pelo corpo, tudo o que acontece ao nosso redor são providências concedidas de acordo com o espírito de cada um.

Os usos espirituais que não condizem com a intenção de Deus-Parens são citados como “poeira”. Mesmo os pequenos usos espirituais considerados “poeira”, se ficarem acumulados, ao final deixaremos de receber a plena providência. Então, usando os ensinamentos de Deus-Parens como vassoura, devemos trabalhar incessantemente na limpeza do espírito, e também cuidar para não deixar as outras pessoas acumularem poeiras.

Como referência para fazer a limpeza dos usos espirituais considerados poeira foram ensinadas as “oito poeiras”, sendo elas a mesquinhez, a cobiça, o ódio, o amor-próprio, o rancor, a raiva, a ambição e o orgulho.

Mesquinhez (Oshii): É relutar em ceder esforço espiritual e físico; é relutar em pagar impostos ou aquilo que deve ser pago; é faltar ao dever que lhe compete ou pode cumprir em benefício do mundo, do Caminho ou dos próximos; é relutar em devolver o que tomou emprestado; é desejar levar uma vida cômoda deixando as duras tarefas para os outros. Todos esses usos espirituais que não estão de acordo com a razão divina, que relutam em ceder esforço espiritual e físico, são a poeira da mesquinhez.

Cobiça (Hoshii): É desejar dinheiro sem dedicar-se e sem trabalhar; é querer vestir roupas boas ou comer coisas não condizentes com a própria situação; é o espírito de desejar mais embora já tenha o bastante. É de suma importância estabelecer o espírito de satisfação sincera, seja em que for. 

Ódio (Nikui): É julgar mal e detestar aqueles que aconselham para o nosso bem; é odiar, falar mal pelas costas ou ridicularizar outras pessoas sem motivo, apenas por não simpatizar ou não tolerá-las. Ainda, pessoas próximas, como marido e mulher, pais e filhos, discutirem devido a caprichos pessoais também é considerado poeira. 

Amor-próprio (Kawai): É o espírito que não se importa com os outros desde que tudo esteja bem consigo mesmo. Mimar e ser conivente com os próprios filhos, deixando-os ter insatisfação por comida e vestimentas, não educar naquilo que deve ser educado, não advertir sobre as más condutas, deixando-os fazer tudo o que quiserem não é correto. Ainda, falar mal dos outros em benefício próprio também é a poeira. Se tem tanto amor por si e pelos filhos, deve pensar nos outros, deve amar os filhos dos outros também.

Rancor (Urami): É sentir resentimento das pessoas por acreditar que foi humilhado, foi impedido de realizar a sua aspiração ou foi alvo de más referências. Sentir rancor dos outros sem considerar a própria falta de inteligência, força ou merecimento é considerado poeira. Antes de ter rancor dos outros, é importante refletir sobre si mesmo.

 Raiva (Haradati): Ocorre devido ao egoísmo, por não conseguir purificar o espírito. Sente-se raiva dizendo que alguém falou mal de si ou que alguém fez algo contra si porque se quer impor o próprio pensamento, sem ouvir o que a outra pessoa tem a dizer. É aconselhável, a partir de agora, que eleve a razão e deixe de sentir raiva. A impaciência e o descontrole emocional faz perder as virtudes e podem abreviar a própria vida.

 Ambição (Yoku): É o espírito ávido de querer ter mais que os outros, de tomar para si o quanto for possível. É enganar na medida tapeando os outros, tomar para si o que é dos outros ou ter lucro desmedido. Tomar para si toda e qualquer coisa sem dar o devido valor é ambição profunda. Ainda, perder-se por sexo é avidez sexual.

Orgulho (Kouman): é ser presunçoso, vangloriar-se ou gabar-se. É utilizar o poder financeiro ou a posição social para subjugar e humilhar as outras pessoas. Ainda, é lisonjear os superiores e maltratar os subordinados, é orgulhar-se da própria inteligência, subjulgando as pessoas, é fingir saber aquilo que não sabe e ficar procurando somente a falha dos outros. Tudo isso é a poeira do orgulho.

Isso é tudo. Gostaria que todas decorassem as “Dez Providências Divinas” e as "Oito Poeiras" em Português e difundissem isso amplamente a todo o Brasil.

Todas as senhoras têm a igreja que lhes foi confiada por Deus-Parens e, sem ter nenhum dia de descanso, dedicam-se sinceramente às tarefas deste Caminho. Expresso o meu apreço a todas as senhoras. Gostaria de solicitar que todas trabalhem animadamente até passarem o bastão para a próxima geração, recebendo a providência de ter um ambiente mais animado na igreja sob sua responsabilidade. Assim encerro a minha palestra. Muito obrigado pela atenção. 
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