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Tyotyo_2010.10

A todos os senhores, que sem se importar com a distância, reverenciaram a Grande Cerinônia de Outubro, e também por termos executado o “Serviço Tsutome” alegre e animadamente, os meus sinceros agradecimentos. No dia-a-dia, agradeço por estarem se empenhando nos afazeres do Caminho, todos, em suas respectivas posições. Muito obrigado. A partir deste momento, realizarei a palestra da Grande Cerinônia; e apesar de ciente de que estejam cansados, solicito a atenção por alguns instantes.

Restam 2 meses e meio para o término deste ano; e, revendo o ano que passou, tivemos a Cerimônia pelo Aniversário de Oyassama no dia 18 de abril e no dia seguinte, dia 19, a Assembléia Geral Comemorativa pelo Centenário de Fundação da Associação Feminina, sendo que regressaram cerca de 660 pessoas do Brasil. Devido também a isto, neste ano, de janeiro a setembro, 178 pessoas receberam o Dom da Concessão Sazuke. Se observarmos que em todo o ano passado, foram 56 pessoas, e no ano retrasado, 62 pessoas, o resultado foi um crescimento de duas, três vezes. Além disso, em janeiro deste ano, foi realizado o 100º Curso de Formação Espiritual do Brasil – Shuyokai, promovido desde 1964 na Sede Missionária Dendotyo. Nestas 100 edições, o número total de concluintes é de 5.934 pessoas. Para que os novos yoboku possam evoluir como pessoas capazes de ministrar o Dom de Sazuke, para que os formandos do Shuyokai, dirigindo uma palavra às pessoas que ainda não conhecem o ensinamento deste Caminho, possam crescer como instrumentos capazes de espargir a fragrância, solicito a dedicação dos senhores.

Celebrada no dia 26 deste mês, em Jiba, a Grande Cerinônia de Outono relembra o dia 26 de outubro de 1838, quando Deus-Parens, tomando Oyassama como seu Sacrário, revelou-se diante das pessoas esclarecendo a verdade detalhada de todas as coisas. Assim, em comemoração a este dia original, celebra-se anualmente esta cerimônia. Nós, seres humanos, pudemos ouvir pela primeira vez as palavras de Deus-Parens em outubro de 1838.

No começo da Doutrina de Tenrikyo, Capítulo I, está registrado: “Eu sou o Deus original, o Deus verdadeiro. Nesta casa há uma predestinação. Desta vez, revelei-me neste mundo para salvar toda a humanidade. Desejo ter Miki como meu Sacrário.” Assim, é nos ensinado que estas foram as primeiras palavras de Deus-Parens. Chamamos este Deus original, Deus verdadeiro de Deus-Parens ou de Deus-Parens, Tenri-Ô-no-Mikoto.

Oyassama, quando esclareceu a razão de Deus-Parens, na Escritura Ofudessaki, de acordo com a evolução espiritual das pessoas, foi alterando a sua denominação, de Deus para Tsukihi e depois para Parens. No início da Escritura Ofudessaki, Parte I, está registrado:

Observando todos do mundo por todas as épocas,

não encontro quem tenha entendido o meu coração. Of. I-1

É natural que assim seja, pois nunca o expliquei,

não é sem razão que não saibam coisa alguma. Of.  I-2

Desta vez, Eu, Deus, revelando-me diante de todos,

farei ouvir-me explicando os detalhes de tudo. Of.  I-3

Assim, desde a longínqua antiguidade até o ano de 1838, os seres humanos desconheciam os sacrifícios de Deus-Parens e nada sabiam a respeito da Criação Original. Os ancestrais da humanidade, durante longos anos, vieram vivendo sucessivamente a bel-prazer, envoltos de egoísmo e de poeiras, atormentando-se e sofrendo por isso. Acredito que viviam apenas em busca do paraíso utópico. Deus-Parens, achando lastimável esta situação, aguardando a chegado do tempo pré-determinado, estabeleceu Oyassama como seu Sacrário, revelou-se a este mundo e esclareceu os detalhes de todas as coisas.

            As palavras que saíram inicialmente da boca da Oyassama, para as pessoas da época, acredito que não tenham sido algo imediatamente compreensível. Fazer estas pessoas compreenderem da real existência de Deus-Parens, ensinar a postura espiritual que se deve ter como seres humanos, o modo de viver o dia-a-dia, o como trilhar o caminho para a Vida Plena de Alegria e Felicidade, orientando-os e fazendo-os crescerem, como se estivesse cuidando de um bebê até que se tornasse uma pessoa madura; imagino que isto deva ter exigido de Oyassama atenção especial e profundos sacrifícios, inexpressáveis apenas por meio de palavras..

Na preleção do Besseki é nos ensinado:

“Geralmente, nada sabemos dos primeiros anos da infância. Não há quem se lembre do seu próprio nascimento, tampouco do seu lugar e o tempo.  Somente os pais sabem disso.  Conhecemos quem são nossos pais, quando e onde nascemos, naturalmente, porque eles nos ensinaram. Portanto, conhecemos a nossa idade e a terra natal graças a eles.  Se não acreditássemos neles, todos os fatos do nosso nascimento seriam um mar de incógnitas e não há algo mais infeliz. Do mesmo modo, quanto à origem da humanidade, nada poderíamos saber se não nos fosse ensinado por Deus-Parens, criador da humanidade.” 

            Conforme estas palavras, as pessoas de todo o mundo, quem quer que seja, não sabem sobre as coisas de quando vieram ao mundo ou o nome dos seus pais, enquanto são recém-nascidos. Quando chegam aos 5, 6 anos, começam a entender o que os pais falam e, pela primeira vez, passam a saber que em tal dia, de tal mês, em tal ano, nasceram em certa localidade e também como o seu pai e a sua mãe se chamam. Isto porque os pais lhes ensinam. Caso duvidem das coisas que os pais falam, não se poderá conhecer nada, e penso que não pode haver algo mais infeliz. Da mesma maneira, sobre a Criação Original da humanidade, caso Deus-Parens, que é o Parens Original, não nos ensine, não há nada que se possa saber. Assim nos é advertido. A nós, que cremos no ensinamento deste Caminho, foi ensinado que Deus-Parens, que iniciou o mundo humano, atraiu Oyassama – que tinha a alma predestinada por ter sido a mãe na criação humana – à Residência Original, também predestinada por ter sido o local inicial da concepção. E quando passados o mesmo número de anos dos filhos gerados na primeira geração, ou seja, em 26 de outubro de 1838, estabeleceu-a como Sacrário de Deus-Parens e, introduzindo-se no corpo de Oyassama, através de sua boca, transmitiu a verdadeira História da Criação Original.

           Acredito que todos, até hoje, já devem ter ouvido algumas vezes a História da Criação Original. Por isso, hoje, não vou contá-la; mas, Deus-Parens, por apressar a Vida Plena de Alegria e Felicidade, revelou-se neste mundo tomando Oyassama como seu Sacrário. E desejando fazer as pessoas compreenderem bem as extraordinárias predestinações originais e a razão do Serviço, ou seja, a razão do Serviço de Kagura, revelou a verdade da Criação Original. Assim está registrado na Doutrina de Tenrikyo.

            Além disso, no Capítulo 3 da Doutrina há:

Embora Tsukihi observe o mundo inteiro,

não há quem conheça a criação original. Of. XIII-30

Pelo desejo profundo de ensinar esta origem

ao mundo, Tsukihi veio a revelar-se. Of. XIII-31

Ele revelou esta verdade aparecendo diretamente ao mundo fazendo de Oyassama o seu Sacrário, a fim de ensinar a todos o caminho da vida plena de alegria e felicidade. Isto é de acordo com a promessa feita no tempo da criação, de que traria de volta para a residência original, ao passarem tantos anos quanto o número de filhos nascidos na primeira geração, para serem reverenciados pela posteridade como Deus.

É a Residência onde criei os seres humanos,

e é por essa predestinação que desci do céu. Of. IV-55

É a Residência onde iniciei este mundo.

É o Parens original da criação dos seres humanos. Of. VI-55

Tendo-as verificado, Tsukihi, desceu do céu

porque desejava informar todas as coisas. Of. VI-56

De acordo com a promessa, Deus-Parens enviou antecipadamente Oyassama cuja alma predestinada é da progenitora do homem neste mundo, trouxe-a mais tarde para a residência original predestinada pela concepção humana e, quando chegou o tempo determinado, o dia 26 de outubro de 1838, obteve-a como seu Sacrário.

Estas predestinações de pessoa, de lugar e de tempo são chamadas respectivamente: predestinação da alma de Oyassama, predestinação da residência e razão do tempo predeterminado.

Tsukihi mostrará sua onipotência porque existem

a predestinação original e a Jiba da origem. Of. VIII-47

Se indagarem por que esta explanação é tão insistente,

é por ser a base que assegura a dedicação única à salvação.

Of. VIII-48

Assim, Ele esclareceu íntima e pessoalmente, através de Oyassama, a verdade de todas as coisas. É o acabamento dos seus ensinamentos, que têm sido instruídos como tratamento e fertilizante, adequadamente, de acordo com a maturação humana durante o longo processo de anos. Quer dizer que já têm sido instruídos nove décimos dos ensinamentos e, enfim aqui, foi-nos revelado, diretamente por Deus-Parens, o seu derradeiro ensinamento (dame no oshie), a última verdade ainda não revelada: a identidade do Parens original – com a intenção de incentivar o nosso sentimento de fraternidade e amor, dando-nos a convicção de que todos os seres humanos são seus filhos e despertando-nos para a verdade de que somos todos irmãos, e remodelar o mundo naquele em que o Parens e nós juntos desfrutaremos num círculo familiar a vida plena de alegria e felicidade.

Assim ensinou:

Como sou Deus que iniciou este mundo,

            todos são igualmente meus filhos. Of. IV-62

Para mim, Deus, o mundo todo são meus filhos.

Saibam todos que sou o Parens. Of. IV-79

Todas as pessoas do mundo são igualmente irmãos,

não há quem seja estranho.    Of. XIII-43

E mais adiante:

Tsukihi criou os seres humanos

por desejar ver o viver alegre e feliz. Of. XIV-25

No mundo, por não conhecerem esta verdade,

todos estão somente a desanimar-se. Of. XIV-26

Doravante, começarei a fazer o mundo inteiro

repleto de alegria, seja até onde for. Of. X-103

A vida plena de alegria e felicidade é realmente a meta final, o ideal da vida humana. A fim de realizá-la, Ele iniciou e traçou o caminho da dedicação única à salvação ensinando o Serviço Alegre (Yoki-zutome), que é baseado na verdade da criação dos seres humanos.”

 

            Bem, o Shimbashira, no ano passado, na Grande Cerinônia de Janeiro da Sede, na 91ª Assembléia Geral da Associação Feminina em abril e na Grande Cerinônia de Outubro e ainda neste ano, na palestra da Grande Cerinônia de Janeiro, repetidas vezes, tem falado sobre a “harmonia familiar”.

            Ultimamente, no mundo inteiro, os laços entre o casal parecem estar se enfraquecendo. Devido a isso, têm ocorrido a destruição do lar, crescido as crises familiares e ocorrido seguidos e dolorosos casos em que as vítimas disso são as crianças. Parece-me que tal situação pode acabar enfraquecendo a base da sociedade.

            O Shimbashira, na palestra da Grande Cerinônia de Janeiro deste ano, falou: “A Vida Plena de Alegria e Felicidade, desfrutada por todos do mundo igualmente, e que nós objetivamos; digamos que seja a harmonia familiar suprema, entre Deus-Parens e seus filhos, seres humanos. Assim, nós, que visamos isso, mesmo na realidade do cotidiano familiar, devemos concretizar tal harmonia para ir demonstrando-a ao nosso redor.” E disse ainda: “Harmonia (do japonês danran), de acordo com o dicionário, quer dizer: ‘reunir-se e deleitar-se amigavelmente, encontro amigável e prazeroso’. Assim, harmonia familiar é uma vida amigável e prazerosa, de toda a família. Porém, a harmonia familiar que nós devemos objetivar não é apenas os familiares viverem amigável e prazerosamente. É preciso ter Deus-Parens e Oyassama no seu núcleo. Tendo Deus-Parens e Oyassama ao centro, a família se unir espiritualmente; a harmonia familiar deve ter isto como base. E é por isso que, mesmo defrontando-se com situações de dificuldade, a família, unindo as forças, conseguirá superá-las (abreviando uma parte). Por outro lado, não tendo essa base, mesmo que no cotidiano pareça uma família harmoniosa, ao defrontar-se com situações de dificuldade, imediatamente, poderá esfacelar-se. A amizade e o prazer são importantes, mas a família estar unida espiritualmente, tendo a fé ao centro, é algo mais importante que não devemos esquecer.”

            Conforme estas palavras, para que a Vida Plena de Alegria e Felicidade seja a harmonia familiar suprema, entre Deus-Parens e todas as pessoas igualmente, não basta a família viver amistosamente entre si, com prazer. Antes de mais nada, no núcleo da harmonia, deve haver o ensinamento de Deus-Parens e Oyassama; e é preciso saber que mesmo sendo marido e mulher, pais e filhos ou irmãos, são todos igualmente filhos de Deus-Parens. Mesmo sendo nosso próprio filho, se compreendermos que é uma criança deixada por Deus-Parens sob os nossos cuidados, acredito que acabarão os maus-tratos. Tendo esta base firmemente estabelecida no coração, mesmo deparando-se com fatos um pouco complicados, acredito que a família não irá se desestruturar por causa de pequenos problemas sentimentais. Acredito que a responsabilidade pela destruição do lar, de qualquer maneira, é dos pais; e para cumprir plenamente o papel de pais, o casal deve se dar bem e é importante que o sentimento de ambos estejam sendo entendidos reciprocamente. Além disso, acredito que é imprescindível a união espiritual da família.

            Tanto no Brasil como no Japão, os pais acabam matando os filhos por maus-tratos, os filhos “surtam” e matam os pais por terem sido advertidos por eles; tais incidentes têm acontecido com freqüência. Ainda, recentemente no Japão, notícias têm sido veiculadas, de que, mesmo com a morte dos pais idosos, o corpo é mantido abandonado na própria casa e a ossada tem sido encontrada já envelhecida. Casos inimagináveis até há pouco, têm acontecido um após o outro, atualmente. As pessoas de todo o mundo têm se voltado para o individualismo, para o egoísmo, e os laços familiares têm enfraquecido cada vez mais. Preocupo-me como ficará a humanidade, daqui para a frente.

            De acordo com os jornais, parecem existir jovens mães que se queixam “de ter que alimentar o filho, de banhá-lo; achando melhor que a criança não existisse”; ou de jovens que praticam violência, socando e chutando até a morte, “porque foram advertidos pelos pais, ou porque ficaram com raiva do avô que disse algumas inconveniências depois de beber um pouco”. Ou então, de pessoas que, visando ficar com a aposentadoria dos pais, não declaram a morte deles, convivendo tranqüilamente com o cadáver dentro do armário. Observando, todos os casos estão bem longe da harmonia familiar e da Vida Plena de Alegria e Felicidade.

            Na Internet, no especial “Salvem as pequeninas vidas”, do Jornal Asahi, li que um menino de 4 anos, foi colocado num caixote de roupas, menor que o seu corpo, pelo padrasto que chamava a isto de “castigo”, e acabou morrendo de desidratação. Com meias enfiadas na boca, não pôde nem sequer gritar por socorro. E a mãe biológica ainda sugeriu “colocar na geladeira” a criança morta. Após 1 ano e 9 meses, a mãe se entregou à polícia e o caso veio à tona.

            Num outro caso, um menino de 5 anos, desnutrido ao extremo, tinha 85 centímetros, a estatura média de uma criança de 2 anos, e ainda usava fralda descartável. Então, a mãe ligou ao centro de  aconselhamento infantil e soube-se do caso com a visita de um funcionário. A criança, só em osso e pele, foi levada para o hospital pela equipe de resgate, mas assim que lá chegou, parou de respirar. Desde 3 anos antes da morte deste menino, o casal não estava se dando bem e dizendo que via “parte do marido” na criança, a mãe vinha a maltratando, batendo e beliscando. Só o alimentava uma vez por dia e não o fez freqüentar nem a creche, nem o jardim de infância. Na verdade, a mãe estava em pânico, mas não procurava ajuda. Desconhecendo até mesmo os serviços básicos do governo, a reportagem mostra a existência de pais solitários e imaturos.

            Ainda há outro caso, contado por um professor primário. Ao advertir um aluno da 5ª série, pois ele brincava com fogo dentro da escola, levou-o para casa. A mãe, que veio dos fundos da casa, gritou ao chegar à entrada: “é por sua causa que tenho que dividir o meu tempo”, e ainda chutou-o. E ao professor, que se apressou em pará-la, disse: “é por causa de vocês, que mimam os alunos, que eles ficam assim”. O menino não tinha pai e a mãe trabalhava em vários serviços temporários. O professor procurou contar que o menino se empenhava na escola, mas a mãe, repetidamente, disse: “não quero aquela criança, coloque-a num orfanato”.

            Conforme os casos citados, por causa de jovens pais imaturos, crianças carregam profundas feridas no coração e no corpo. A reportagem pergunta como a sociedade pode amparar estas crianças.

            As causas destes fatos estão, principalmente, na destruição dos lares. Acompanhando as repentinas mudanças da estrutura social e do modo de vida, o modelo de família de até agora ruiu e, mesmo que os pais estejam vivendo saudáveis, devido a  abandonos e maus-tratos, o número de crianças que não podem viver junto em seu lar tem aumentado. E devido a isto, recentemente, tem crescido o número de crianças entregues aos cuidados de pais adotivos.

            No Brasil, como os laços familiares são fortes, ou melhor, como os membros da família se dão bem, ainda não se ouve muito sobre tais problemas; mas, daqui para a frente, não podemos saber como ficará.

            De acordo com o jornal Tenri Jiho, no Japão, o sistema de pais adotivos começou em 1948; mas, nos últimos anos, as crianças entregues a estes pais adotivos têm aumentado e em 2004, as regras deste sistema de pais adotivos foram definidas da seguinte maneira: “sistema em que as províncias entregam aos cuidados de pais adotivos, crianças que não têm responsáveis ou então que, comprovadamente, seja desapropriado deixar sob a guarda dos responsáveis, deixando a educação com estes pais adotivos.” Em outubro do ano passado, dos 7.934 pais adotivos registrados em todo o Japão, haviam 2.582 pessoas com crianças entregues aos seus cuidados. O número total de crianças era de 3.633. Dentro disso, em 1981, a Tenrikyo, como entidade religiosa, foi a primeira a criar uma associação de pais adotivos, iniciando a sua atuação. Estão aí registradas 358 pessoas, que estão cuidando de 400 crianças, ou seja, estão responsáveis por 10% deste tipo de crianças de todo o Japão. Além disso, ultimamente, estão sendo criados em vários locais, um tipo de orfanato familiar, capaz de cuidar de 5 ou 6 crianças, que precisam de assistência social infantil e ser criados nas residências dos pais adotivos. E mais da metade destes orfanatos familiares são igrejas da Tenrikyo.

            No Japão, o sistema da assistência social infantil é sustentado por dois pilares, que são a “educação institucional” e a “educação familiar”. Na educação institucional, temos os orfanatos, que são administrados pelas províncias; enquanto na educação familiar, temos como modelo representativo, o sistema de pais adotivos.

            Como local de educação institucional da Tenrikyo, existe o orfanato Tenri Yotokuin, que no dia 25 de abril, com as presenças do Shimbashira, da Presidente da Associação Feminina, do governador da Província de Nara, entre outros, realizou a Cerimônia Comemorativa do Centenário de Fundação. Criar as crianças que não são agraciadas familiarmente no lugar dos seus pais, baseados no ensinamento de Oyassama e capazes de viver normalmente, como um membro da sociedade. Fundado com este objetivo, o Yotokuin atingiu o marco de 100 anos.

            O Shimbashira, durante a saudação neste Centenário, disse: “O orfanato Tenri Yotokuin foi inaugurado no dia 1º de abril de 1910, com o nome Tenrikyo Yotokuin, objetivando criar excelentemente as crianças que não são agraciadas familiarmente, no lugar dos seus pais. O Primeiro Shimbashira, na ocasião da inauguração, declamou o seguinte poema de incentivo, repleto de amor paterno: ‘Tenham o mesmo espírito, sejam filhos de estranhos, sejam filhos próprios; com orgulho, ergam esta bandeira, pessoas deste Caminho.’ Desta forma, lembrou amistosa e claramente sobre a missão do Yotokuin e da postura espiritual das pessoas que iriam se envolver com a educação das crianças.”

            Conforme estas palavras, também acredito que as atividades dos pais adotivos da Tenrikyo estão sustentadas por este poema do Primeiro Shimbashira. O seu anseio é de que se criem as crianças sempre com o mesmo sentimento, baseados no ensinamento da Oyassama, não importando se são filhos de estranhos ou seus próprios filhos.

            No Jornal Tenri Jiho, a partir de abril de 2007, durante 2 anos, foi publicada em 18 vezes a série de reportagem “Cenas dos pais adotivos”. Deve haver muitos que a leram, mas depois de dar uma lida em todas as reportagens, gostaria de apresentar alguns relatos que ficaram gravados em meu coração.

            - “Devido a inúmeros problemas, há crianças que não podem viver com os seus pais. Querendo ajudá-las de alguma maneira, iniciamos as atividades de pais adotivos. Mas hoje, têm sido concedidos a nós, marido e mulher, incontáveis motivos de alegria. Na realidade, nós é que estamos agradecidos. Todos as crianças são nossos tesouros.”

            - “Não tratamos de forma especial nem os filhos adotivos nem os próprios filhos. Somos uma família cujos membros foram atraídos por Deus-Parens.”

            - “A missão dos pais adotivos, na realidade, é ensinar às crianças, que não puderam receber o amor dos pais, o quão delicioso é um lar. Gostaria de ajudar uma criança a mais que seja, a conhecer o agradável calor de um lar.”

            - “Cuidando das crianças na igreja, pouco a pouco, vamos ‘reeducando-as’. Vamos ensinando a viverem ‘respeitando-se e ajudando-se mutuamente’. Pouco a pouco, vamos transmitindo que todas as crianças devem viver respeitando-se, ajudando-se e amparando-se uns aos outros. E que devem orar pelos amigos.”

            - “Há uma realidade, de que existe um grande número de crianças, vítimas do egoísmo dos adultos. Desejando ao menos amparar as crianças, que não conseguem sair deste sofrimento com a própria força, nos tornamos pais adotivos.”

            Estes são alguns dos relatos.

            Indo mais a fundo, o amparo espiritual das pessoas do Caminho, que se dedicam nas atividades de pais adotivos, está nas palavras de Oyassama, que disse: “Não há salvação tão grande como tomar aos seus cuidados o filho dos outros para criá-lo.” É um pouco longo, mas no livro Episódios da Vida de Oyassama, há a seguinte passagem:

“Zenroku, filho mais velho de Jujiro Okamoto da Vila de Nagahara, Região de Yamato, e sua esposa, Shina, tiveram sete filhos; porém, apenas dois, o primogênito Eitaro e a caçula Kan (posteriormente Yuki Kami), chegaram à idade adulta. Os outros cinco ou morreram no aborto ou faleceram ainda criança.

Em 1879, Eitaro foi salvo de uma febre alta e o casal Zenroku evoluiu muito na fé. No entanto, por volta de agosto de 1881, surgiu um problema difícil para Shina. Era o recado trazido por um enviado da família do lavrador Tarobei Imada, possuidor de um terreno irrigado de 60 mil metros quadrados na Vila de Shoji, distante cerca de quatro quilômetros da Vila de Nagahara, que dizia: ‘Nasceu o primeiro filho, mas estamos em dificuldade porque a mãe está sem leite. Não poderia tomá-lo aos seus cuidados? Sabemos que é um pedido absurdo, mas imploramos que aceite.’

Infelizmente, o leite de Shina havia secado e não podia, portanto, encarregar-se disso de imediato. Assim, recusou o pedido: ‘Sinto muito, mas não posso aceitar.’ No entanto, diante da insistência ficou embaraçada e, sem outra alternativa, respondeu-lhe: ‘Então permita-me antes consultar Oyassama.’ Dirigiu-se imediatamente à Residência, encontrou-se com ela e consultou-a. Foi-lhe então dito:

‘Embora tenham tanto dinheiro ou acumulado tanto arroz no celeiro, não podem dar logo à criança. Não há salvação tão grande como tomar aos seus cuidados o filho dos outros para criá-lo.’

Nessa ocasião, Shina consultou novamente: ‘Entendi bem. Contudo, estou sem leite, mesmo assim poderei cuidá-lo?’ E teve estas palavras:

‘Se tiver a sinceridade de cuidá-lo, Deus concederá com onipotência. Deus trabalhará de qualquer maneira. Não é preciso se preocupar.’

Ouvindo-as, Shina determinou o espírito de amparar-se em Deus e respondeu ao solicitante: ‘Vou cuidá-lo.’

Trouxeram imediatamente o menino da Vila de Shoji, mas ficou surpresa ao vê-lo. A criança havia nascido prematuramente e, embora tenha passado mais de cem dias desde o nascimento, estava tão enfraquecido, sem forças nem mesmo para chorar, soltando apenas uma tênue voz, talvez porque viera sendo criado precariamente com caldo de arroz e água açucarada.

Tomando-o no colo, deu-lhe os seus seios, mas o leite não é algo que flui de repente. A criança irritada, mordia-lhe os mamilos, e Shina ficou preocupada, sem saber como aquilo iria ficar.

Entretanto, passados dois ou três dias nessas circunstâncias, o leite começou a sair milagrosamente. Graças a isso, o menino foi-se revigorando sob os seus cuidados a olhos vistos e continuou a crescer normalmente. Mais tarde, Shina regressou à Residência, levando o pequeno que cuidara, gordinho e sadio, e Oyassama, tomando-o no colo, confortou-a reconhecendo a sua dedicação:

‘Shina, você fez uma boa ação.’

Experimentara pessoalmente que podia receber a onipotente graça de Deus, agindo de acordo com as palavras de Oyassama. Isso ocorreu quando Shina tinha 26 anos de idade.”

            Atualmente, as igrejas da Tenrikyo têm se tornado, em sua maioria, lares familiares; diminuindo cada vez mais as pessoas que aí convivem ou crianças deixadas sob os seus cuidados. Acredito que cada um de nós deve caminhar voltando os olhos à salvação das pessoas que estão sofrendo socialmente. Restam oito meses até a Cerimônia Comemorativa pelos 60 Anos de Fundação da Sede Missionária Dendotyo. Solicitando para que se empenhem animados no trabalho da dedicação única à salvação, encerro a palestra. Muito obrigado pela atenção.