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Tyotyo_2009.01

Resumo da Palestra da Grande Cerimônia de Janeiro de 2009

 

            No ano passado, foram realizadas muitas atividades relacionadas à comemoração do Centenário da Imigração Japonesa. O Tenrikyo, no dia 21 de junho, na cerimônia comemorativa, em São Paulo, participou com a Banda Koteki do Shonenkai com 335 integrantes. Os fiéis, durante dois dias, realizaram o hinokishin no local do evento, com 400 pessoas. Ainda, na cerimônia, o primeiro rokussei brasileiro, Enzo Yuta Onishi, filho de seguidores do Tenrikyo, acendeu a ‘Tocha da Amizade’ vinda de Kobe, no Japão. O Tenrikyo convidou o yoboku do Caminho, professor Kazuo Murakami, cientista mundialmente conhecido e realizou palestras em 5 cidades com tradução simultânea para o português e o evento foi um grande sucesso. Na semana cultural japonesa, houve a apresentação do grupo de Gagaku.

            Ao falarmos em centenário, no ano passado fez 100 anos desde que a Igreja Tenrikyo se tornou independente da Sede do Xintó e foi reconhecida oficialmente pelo governo japonês. O ensinamento de Oyassama sobre Deus-Parens era algo totalmente diferente do que era pregado pelo xintoísmo e por isso, por volta de 1881, 1882, a intervenção e a perseguição policial se tornou cada vez mais rigorosa e severa. Mesmo a idosa Oyassama por muitas vezes foi levada à delegacia e presa na penitenciária. Além disso, era proibido os fiéis se reunirem e fazerem o Serviço Sagrado. Para obter uma autorização oficial é que começou o movimento de fundação da igreja e como resultado, não tendo outra alternativa, acabou-se filiando à Sede do Xintó. Em maio de 1885, foi autorizada a constituição da igreja de sexto grau subordinada à Sede Central do Xintó. Nesse tempo, acabou-se chegando ao dia 26 de janeiro de 1887 quando Oyassama se ocultou fisicamente.

Assim, em 1888, na celebração do primeiro ano do ocultamento físico, na presença de quase 30 mil fiéis, a cerimônia foi interrompida pelos policiais durante a leitura da dedicatória, e todos os fiéis foram dispersos, sendo expulsos para fora da Residência. O motivo era de que não haviam recebido a autorização oficial para realizarem a celebração. Com certeza, a começar do primeiro Shimbashira e demais mestres, todos ficaram muito sentidos por não terem realizado plenamente a cerimônia. Com esse acontecimento inesperado é que surgiu novamente o desejo de conseguir a autorização oficial e para isso solicitaram o Ossashizu, a Indicação Divina e imediatamente deram entrada ao requerimento de oficialização. Por duas vezes seguidas o governo de Osaka indeferiu o requerimento e por isso foi protocolado ao governo de Tokyo. Em 10 de abril de 1888, foi deferida a autorização. No mesmo ano, foi apressada a transferência da Sede da Igreja para Jiba. Em 23 de julho, foi requerido ao governo da província de Nara e no mesmo ano, em 29 de novembro, foi realizada a cerimônia de inauguração da Sede da Igreja Tenrikyo.

            Logo em seguida, houve a permissão de fundação das igrejas, foi estabelecida a ordem das preleções do Besseki e ocorreu um espantoso desenvolvimento da fé em todas as localidades. Em abril de 1896, através do ministro do Interior, decretou a portaria confidencial, como forma de repressão. Isso causou um grande impacto em todo o Tenrikyo, mas suportando e enfrentando esse grande nó, finalmente a partir de maio de 1899 o Caminho voltou a progredir novamente. Foi quando o chefe da Sede Central do Xintó falou para o primeiro Shimbashira o seguinte: ‘originalmente, a Sede do Xintó e o Tenrikyo têm diferenças no ensinamento, por isso que tal fazer o requerimento de independência?’ Desse modo, foi protocolado ao Ministério do Interior o requerimento de independência. Depois de 10 anos de trabalho e cinco requerimentos é que finalmente foi concedida a independência. Isso ocorreu em 27 de novembro de 1908. Foi um movimento de independência de longa duração e de muitas dificuldades.

            No ano significativo dos 100 anos de independência do Tenrikyo, em outubro passado, o Shimbashira, na palestra da Grande Cerimônia disse: “Apesar de que esta igreja tenha sido preparada como uma sociedade religiosa, de uma rigorosa condição, passando por uma restauração, chegando aos dias de hoje com a garantia da liberdade de crença, o que permite andar conforme o ensinamento, não posso deixar de perguntar a mim mesmo, se herdamos firmemente a aspiração e o modo de trabalhar dos nossos precursores.” “Porém, caso se acomode nessa organização e estrutura virá a carecer de conteúdo e verdade, podendo tornar nulo a dedicação e os esforços dos precursores que construíram a base e a estrutura dos dias atuais.” “No entanto, mesmo nisso, é essencial o conteúdo e a convicção na fé dos seguidores.” “Quanto a nós, gravando no coração de que este Caminho foi iniciado unicamente pela Oyassama, e elevando a convicção de ser um yoboku, ou seja a consciência de que somos recursos humanos necessários para a construção do mundo de vida plena de alegria e felicidade, sem se deixar influenciar pelos modismos e pensamentos comuns da sociedade, o mais importante é ampliarmos o círculo dessa vida de alegria a partir das pessoas que estão ao nosso alcance.” Essas foram as suas palavras.

            Atualmente, excluindo alguns países comunistas, a liberdade de crença é garantida em quase todo o mundo e é gratificante podermos seguir e praticar de acordo com os ensinamentos. Entretanto, nós seguidores desta fé, não podemos nos acomodar à organização e à estrutura, e desse modo prejudicar o desenvolvimento do conteúdo da igreja, pois estaremos anulando toda a dedicação dos mestres antecessores que passando por muitas dificuldades indescritíveis, conseguiram tornar realidade a independência da Igreja Tenrikyo. O mais importante está em ampliar ao mundo o círculo da vida plena de alegria e felicidade e para isso, o essencial é cada um fortalecer a sua convicção na fé. Esta é a reflexão das palavras do Shimbashira.

            Mudando de assunto, como obra comemorativa dos 60 anos de fundação do Dendotyo, no terreno do lado sul foi decidido construir um salão para várias finalidades, e salas de aula. O motivo dessa obra é que de acordo com a época oportuna, recebemos a doutrinação de Jiba, Sede da Igreja, e até hoje, viemos usando este recinto de reverência, pois somente aqui é que existe a estrutura para a tradução simultânea. Esta obra terá 687 metros quadrados. As salas da escola de língua japonesa também eram muito antigas e demolindo juntamente o antigo alojamento sul, será construído as várias salas aulas e as salas das associações num total de 424 metros quadrados.

            Em 1951, a Sede Missionária foi fundada neste local e as únicas construções que ainda restam dessa época é o antigo shinden e o antigo refeitório. Falando sobre as principais obras, na comemoração dos 10 anos de fundação, foi construído este recinto de reverência, nos 20 anos o salão com telhado de zinco e estrutura de ferro para servir como refeitório. Nos 30 anos, o alojamento norte, a residência das visitas, a reforma do atual refeitório e construção da cozinha, nos 40 anos o prédio das salas de aula e a nova residência das visitas e casa do primaz e finalmente nos 50 anos, o outro alojamento norte, as salas da associação feminina e salas de instrumentos femininos.

            Não há como definir a obra mais importante, pois todas foram o resultado da sinceridade da união dos fiéis. Entre todas, a maior poderia ser citada como sendo a construção deste recinto de reverência, numa época em que ainda era pequena a comunidade tenrikiana e conseguiu-se concluir esta maravilhosa construção.

            A idéia de construir o recinto de reverência surgiu em fevereiro de 1959, quando foi realizado o Encontro de Incentivo ao Yoboku visando os 10 anos de fundação do Dendotyo. Como atividade comemorativa, foi definido construir o recinto de reverência de Oyassama. O custo seria de 1.000 contos de réis. Ao ser solicitada à Sede da Igreja, a construção do anexo houve a orientação dizendo que ‘o recinto de Oyassama em separado é somente permitido na Sede da Igreja. Nas igrejas deve ficar ao lado do altar de Deus-Parens.’ Assim, em janeiro do ano seguinte, na reunião geral, ficou decidido construir um novo recinto e o orçamento aumentou três vezes, chegando a 3.000 contos de réis. Na época, o Tenrikyo no Brasil era constituída de 18 igrejas, inclusive o Dendotyo, mais 2 igrejas filiadas ao Dendotyo, 23 casas de divulgação e aproximadamente 300 yoboku e kyoto.

            Para começar a obra seria necessário fazer a terraplanagem do terreno. Como o terreno era bem inclinado havia a necessidade de retirar a terra do lado mais alto. A quantidade de terra a ser retirado era de 300 caminhões ao custo de 500 contos. Havendo o trabalho antecipado de Deus-Parens, bem nessa época, a Rua Tenri, que ficava em frente ao Dendotyo estava em obras e com a ajuda do vereador Jiro Ishikawa, durante um mês, os tratores e caminhões da prefeitura retiraram a terra, fazendo quase 300 viagens sem cobrar nada. A prefeitura ficou satisfeita, pois teria mais despesas se transportasse a terra de um lugar mais longe.

            O terreno estava pronto, mas o projeto ainda estava indefinido. Assim, em maio de 1960, na reunião extraordinária, ficou decidido que a obra teria 20 metros de frente por 30 metros de comprimento. O orçamento foi aumentado em mais 2.000 contos. Ao ver a condição do Tenrikyo daquela época, pelo pensamento humano, era um projeto que estava muito além da capacidade, mas como temos no ensinamento de que as obras do Caminho são para fazer avançar a ‘construção do espírito’ e acreditando firmemente que é a ‘obra maravilhosa da salvação’, todos unindo em harmonia o espírito determinaram corresponder ao desejo do Parens. 

Quando finalmente começariam as obras, chegou um telegrama do Departamento de Missões Exteriores dizendo: ‘Há objeção na construção do recinto. Detalhes enviados em carta.’ Todos ficaram preocupados com o fato e após alguns dias chegou a carta em que estava escrito: ‘A direção do recinto deve ser construído corretamente no sentido de Jiba.’ Essa orientação fez com que o recinto fosse desviado 20 graus ao norte. Naquela época, o terreno onde atualmente fica a casa do secretário Nakanishi, pertencia a outro dono. Depois de negociação ficou decidido comprar por 600 contos.

            Com o andamento da obra, foi preciso fazer uma ampliação. Construir ao fundo do recinto, um prédio de dois andares para diversas finalidades. O custo seria de mais 3.000 contos. Algumas pessoas pensaram ‘aumentar mais seria impossível...’, entretanto, houve um grande incentivo da Associação Feminina e ficou decidido que a ampliação seria feita.

            A Associação Feminina, para a construção do recinto, determinaram quatro metas. 1- A esposa da Igreja e da Casa de Divulgação, deve reverenciar todos os meses a cerimônia mensal do Dendotyo e fazer os trabalhos religiosos. 2- Divisão das diretoras em quatro grupos e revezando os grupos fazer hinokishin no Dendotyo durante cinco dias antes e depois da cerimônia mensal. 3- Dobrar a contribuição da anuidade. 4- Aumentar a atividade do movimento para dobrar o número de associadas. Mesmo sendo cinco dias, oito a nove mulheres mensalmente fizeram diversos tipos de hinokishin. A imagem das mulheres se esforçando animadas ao hinokishin com certeza animou também as demais pessoas. A Associação dos Moços, no ano da inauguração criou o corpo de hinokishin. Assim, sempre ao final de cada mês, durante uma semana quase 25 pessoas participavam do hinokishin. Durante o dia trabalhavam na obra e a noite, ouviam palestras, treinavam a Dança das Mãos e instrumentos sagrados.

            A construção que demorou dois anos e meio está cheia de episódios. O recinto que tinha sido orçado em 5.000 contos, custou ao final três vezes mais, chegando a 15.000 contos. Ao compararmos com o preço do saco de cimento, seria aproximadamente 1 milhão e 200 mil reais em valores atuais. Ao vermos hoje, talvez não pareça ser uma obra tão grandiosa a ponto de ficarmos admirados. Entretanto, apesar da maioria não estar vivendo em condições favoráveis, durante dois anos e meio, economizando ao máximo, dedicaram e conduziram de várias maneiras, oferecendo a Deus-Parens as conveniências pessoais e voluntariamente se animaram ao hinokishin. Em todos os cantos deste recinto existe a porção da dedicação dessa inestimável sinceridade dos fiéis. Somente pelo pensamento humano essa obra seria impossível de ser realizada, mas através da determinação espiritual e da dedicação fortalecida pela união e harmonia espiritual de todos é que, ultrapassando a lógica humana, foi possível receber a imensa graça de Deus-Parens e foi mostrada a prova da ‘obra maravilhosa da salvação’.

            No Ossashizu tem-se: ‘Que seja na salvação, que seja por um dia, o hinokishin. Tenham prazer com um espírito. A obra maravilhosa da salvação, a obra maravilhosa para aceitar o espírito sincero.’ (15.06.1890) Em outro tem-se: ‘Embora faça a construção maravilhosa, não faço solicitação a ninguém. Se todos, congregando, vierem a realizá-la e se animarem, Deus também se animará. Por fazer a obra maravilhosa, nem faço solicitação.’ (17.06.1890)

            Juntamente com o andamento da obra do recinto que era a ‘construção formal’ a ‘construção espiritual’ também obteve um grande avanço e durante os quatro anos, foram fundadas 5 igrejas e 20 casas de divulgação, além do aumento considerável no número de participantes do Curso de Doutrina.

            A ‘construção formal’ desta oportunidade, se for apenas para comprar os tijolos, o cimento e o ferro e deixar amontoado no terreno, não se pode dizer que é construção. Assentar um por um os tijolos, ou seja, essa ação é que diz como sendo construção. A ‘construção espiritual’ é o mesmo. O essencial é todos construírem o espírito de corresponder a Deus-Parens. Se ficar parado, sem fazer a divulgação e a salvação é como se deixasse amontoado o material e não se poderá dizer que está fazendo a ‘construção espiritual’. O resultado do esforço em fazer a ‘construção espiritual’ vai aparecer na quantidade de pessoas para participarem do Curso de Doutrina, do Curso Estudantil e do Seminário de Formação Espiritual.

            Com o empenho de todos é que poderemos concluir esplendidamente a obra comemorativa dos 60 anos de fundação. Os mestres antecessores, mesmo em meio às grandes dificuldades, dedicaram a sinceridade para construir este recinto de reverência. Assim, para valorizarmos essa sinceridade verdadeira, todos nós também devemos nos dedicar ao máximo nesta oportunidade.