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Tyotyo_2009.07

Palestra do Serviço Mensal de julho do ano 172 R.D.  Ministro da Sede: Yuji Murata

 

Meus sinceros agradecimentos a todos, pelos esforços dedicados com fervor e empenho no caminho da fé, e também pela dedicação ao aprimoramento espiritual nos serviços da dedicação única à salvação.

A partir de agora farei a palestra do Serviço Mensal. Por favor, solicito humildemente a atenção de todos por alguns instantes.

 

 A partir de hoje, até o dia 4 de agosto, terá início o “Regresso das Crianças a Jiba” sob o novo tema “Todos Somos Irmãos, à Terra Parental”. Este ano, pela 56ª vez, um grande número de crianças cheias de energia estará regressando a Jiba de várias localidades e, desejo de coração que as alegres atividades se desenvolvam em completa harmonia com todos salvando-se e ajudando-se mutuamente.

 Bem, na palestra da Grande Cerimônia de Janeiro deste ano, o Shimbashira explanou esclarecendo-nos que:

  “Bem, como todos sabem, há a meta estabelecida pelas três associações, Associação dos Moços, Associação Feminina e Associação Infanto-Juvenil: ‘vamos fazer reverencia na igreja acompanhados dos filhos’. Este Caminho, visa o mundo da Vida Plena de Alegria e Felicidade para todas as pessoas, por isso, devemos transmitir, divulgar e aprofundar os ensinamentos para todas as gerações futuras. Por conseguinte, é preciso transmitir para as crianças, a importância e a alegria de seguir esta fé, cultivando e formando os futuros seguidores das próximas gerações, que serão os sucessores do Caminho. Para isso, acima de tudo, é importante que os pais, cuja função é cultivar e educar, frequentem a igreja.”

 Para todos nós que seguimos este Caminho, “frequentar a igreja” e “conduzir-se a Jiba”, são preceitos fundamentais da nossa vida religiosa. Propõe-se com isso que, quando formos visitar a igreja, não é para irmos sozinhos, mas sim com a família, levando acompanhados os filhos e os netos.

Sobre isto o Shimbashira explanou:

“Através da frequência dos próprios pais à igreja, é mostrada dentro do cotidiano, a importância de dedicar-se a Deus. Assim, um dia, os filhos sendo educados dentro desse cotidiano, passam a participar das mais variadas atividades da igreja, a começar pelo Serviço Sagrado ou Tsutome. Para a criança, isso se torna um local de apoio espiritual, sendo a base para receber a graça de levar uma excelente vida, e ter harmonia no lar. Por sua vez, este também é um fator importante no serviço da salvação mundial.”

 E também declarou energicamente que: 

“Gostaria de pedir a todos que, convidassem com mais empenho as pessoas, a frequentarem a igreja com a família unida, porque a igreja é o local da prática da salvação, e também o local para evoluirmos espiritualmente. Ainda mais na atual sociedade, em que a tendência é a família se desmembrar, isso se torna ainda mais importante.”

 Se pretender seguir este Caminho tendo plena convicção de que não há erros nos Ensinamentos de Oyassama, é lógico que aprofundará e transmitirá esta fé aos seus filhos e netos. Se ficar dizendo: “Eu sou eu, os filhos são os filhos”, e negligenciando o missionamento vertical, se distanciará cada vez mais da Vida Plena de Alegria (Yokigurashi) para todo o mundo.

 No livro Episódios da Vida de Oyassama há: 

“Foi um fato ocorrido por volta de 1882 a 1883, quando Shirobee Umetani regressou à Residência levando seu filho Umejiro, com cinco ou seis anos de idade que, vendo Oyassama em vestes vermelhas, gritou: ‘Daruma-han, daruma-han!’. Talvez, tivesse recordado da boneca desenhada no cartaz das tabacarias deste tempo. Envergonhado por isso, no regresso seguinte à Residência, não o levou consigo e recebeu estas palavras de Oyassama: ‘E o seu filho Umejiro? O que houve? O caminho não terá continuidade.’ Dizem que depois disso, o garotinho regressava à Residência prazerosamente trazido pelos pais em todas as oportunidades. (Episódio 117 – Trazido pelos Pais)”

 

 Este episódio, provavelmente aconteceu quando havia se passado dois ou três anos desde que Shirobee Umetani ingressara nesta fé. Seu filho zombou de Oyassama chamando-a de “Daruma-han, daruma-han”, Ela que era adorada por muitos seguidores como a deusa viva. Por isso, achando uma falha vergonhosa, na vez seguinte não levou o filho, mas Oyassama atenta a esse detalhe lhe disse: “E o seu filho Umejiro? O que houve? O caminho não terá continuidade.”

Dentro destas palavras acredito que está nos ensinando que, quando regressamos a Jiba ou quando fazemos reverência na igreja, é para o fazermos acompanhados dos filhos e netos, explicando-nos com isso a importância de trilharmos atentos em transmitir a alegria da fé dentro do nosso cotidiano, desde quando ainda são pequenos. 

Quando levam crianças pequenas no Serviço Mensal da igreja, elas fazem farra e ficam correndo dentro do recinto de reverência, e talvez muitas pessoas achem que isso incomoda os outros à volta. Mas este espírito cerimonioso, muito pelo contrário, pode acabar se tornando o motivo do rompimento da fé. As crianças se lembram muito bem das coisas alegres que tiveram ao regressarem a Jiba levadas pelos pais, e das coisas divertidas que passaram ao fazerem reverência na igreja quando eram pequenas.

 

 Há 27 anos atrás, na época eu era o Presidente da Associação Infanto-juvenil do Brasil. Como todos os senhores sabem, o Brasil é extremamente distante de Jiba, aproximadamente 20 mil quilômetros, essa é a distância de meia volta na Terra. Eu, e também as crianças brasileiras do Caminho, de alguma maneira, desejávamos participar do “Regresso das Crianças a Jiba”. Possuíamos este forte sentimento mas, na época ainda não existiam os jumbos e também, os aviões eram lentos por serem pequenos, além de que o preço das passagens era relativamente alto, na prática era realmente muito difícil de ser realizado.

 Nas famílias dos seguidores, se iam mandar alguém de regresso a Jiba, os idosos tinham prioridade, em seguida, vinham aqueles com idade de receber o Dom do Sazuke e, com isso, participar do Regresso das Crianças a Jiba, era o sonho dos sonhos. 

Esta era a realidade, no entanto, era uma época de vibrante energia. Visando o Centenário do Ocultamento Físico de Oyassama fora expedida a Instrução Número 3, e toda a Tenrikyo estava animada na construção dos Recintos de Reverência Leste e Oeste. Assim, dando certo ou não, nos lançamos na campanha para realizar a primeira caravana de Regresso de Crianças a Jiba e, abrindo as inscrições, conseguimos a graça de compor uma caravana com 51 membros. E, dessa maneira, regressei a Jiba trazendo as crianças. No grupo havia 37 membros da Associação Infanto-juvenil e 11 conselheiros. 

Nos reunimos no Tenri Kaikan de São Paulo, realizamos a cerimônia de formação da caravana e partimos do Aeroporto Internacional de São Paulo. Fizemos escalas em Miami (Flórida) e Anchorage (Alaska) nos Estados Unidos, até chegar a Narita (Tóquio). E de Narita ainda fomos para o aeroporto de Itami (Osaka), e de Itami (de ônibus) até Jiba. Já haviam se passado 43 horas desde que saímos de São Paulo. 

Era a primeira vez que as crianças faziam uma viajem tão longa e estavam exaustas; mas, da frente do

portão sul até o recinto de Reverência, fomos escoltados pela banda de Koteki da Escola Primária de Tenri, sendo recepcionados por um grande número de pessoas e, ao agradecer a Deus-Parens e

Oyassama

, expressando a alegria de regressar a

Jiba

 de tão longe, o cansaço desapareceu por completo de uma só vez. 

O “Regresso das Crianças a Jiba” não é feito apenas para participar e se divertir nas atividades, para que tivessem a alegria do espírito de dedicar-se ao próximo e pudessem dedicar o mínimo que fosse em Jiba, pensando nisso, apesar da maioria serem crianças na faixa de dez anos, todos entraram no Corpo de Hinokishin Infanto-Juvenil. 

Por uma semana, pousando no alojamento Moya-38, fizemos o hinokishin de servir chá e também o hinokishin de carregar terra, participando também de variadas atividades, e as crianças ficaram realmente muito contentes com tudo.

De tudo, o mais emocionante foi a visita inesperada do Shimbashira que, apesar de estar extremamente atarefado naquele período, veio ao alojamento e cumprimentou apertando a mão de todas as crianças, uma por uma, dizendo de maneira carinhosa: “Que bom que regressou de tão distante!”, “Não está cansado?”, “Continue animado até o final.”, “Regresse novamente a Jiba.”

 Pouco antes de partir de Jiba e voltar ao Brasil, reverenciamos Deus-Parens e Oyassama, e todos prometeram regressar a Jiba o mais cedo possível, e se tornarem yoboku quando atingissem a idade de receber o Sazuke. E, depois disso, todos os 37 membros da Associação Infanto-Juvenil se tornaram yoboku. 

Somando também os que participaram como conselheiros, 14 pessoas foram estudar no Seminário de Tenri (Senshuka), e atualmente 6 deles são condutores de igreja, atuando como líderes do Caminho no Brasil. Chego à conclusão que, a formação dos membros da Associação Infanto-Juvenil não produz resultados de imediato, mas se o cultivo for feito ininterruptamente, depois de passados 10 ou 20 anos, com certeza nos trarão muitas alegrias.

 No Ossashizu há: 

“Cultivando é que se desenvolve, se não cultivar não se desenvolve. Se colocar o adubo, o adubo surte efeito. Não digo que haja o novo ou o velho. Se houver a sinceridade, haverá uma razão.” (Ossashizu 29/09/1888)

 Ainda, há o seguinte: 

“Se cultivar, se desenvolverá. O cultivo é uma verdade, a verdade é o aperfeiçoamento, o aperfeiçoamento é o adubo. Ouçam isto com bastante atenção.” (Ossashizu 24/6/1891)

 Se dedicar esforço na formação das crianças, para que cresçam e se tornem esplêndidos filhos do Caminho, dessa maneira elas se desenvolverão, mas se não possuir o sentimento de educar e formar, elas não se desenvolverão. Se puser adubo ou fertilizante na lavoura, o fertilizante faz efeito e conseguimos obter a colheita. Se criar e educar com a sinceridade verdadeira no espírito, isto é uma razão, e colherão a alegria como resultado. Ainda, o reparo (shuri) significa cultivar, manusear ou cuidar da plantação. Para que as coisas sejam criadas ou cresçam, são importantes o reparo e o adubo ou fertilizante. Ao enterrar uma semente ou plantar uma muda, se largar do jeito que está, não se sabe se crescerá satisfatoriamente. Tirando as ervas daninhas, aguando, cuidando, adubando, com isso crescerá esplendidamente e se conseguirá obter a colheita.

 

 Voltando ao assunto inicial, no dia seguinte à Grande Festa de Janeiro deste ano, na primeira reunião do ano da diretoria da Associação Infanto-Juvenil, o Shimbashira explanou esclarecendo-nos que:

“Mesmo dizendo: ‘Vamos fazer reverência na igreja com a família unida’, não é para olhar apenas as pessoas que moram fora da igreja, primeiramente é preciso analisar a situação dentro da igreja. Apesar de morarem na igreja, será que não estão se esquecendo de levar os filhos até mesmo ao Serviço Vespertino por

estarem entretidos com outras coisas? Há um ditado japonês que diz: ‘Em baixo do farol é escuro (

Todai Moto Kurashi

)’ mas mesmo que não seja bem assim, apesar de ficarem convidando as pessoas de fora, como será que estão as coisas dentro da igreja? Isso é o maior problema.”

 Demonstrando uma preocupação com a real situação das pessoas que moram na igreja, que é onde encontramos Deus-Parens e Oyassama. Pois, apesar de convidarem os yoboku e seguidores que moram afastados da igreja dizendo a eles: “Vamos fazer reverência na igreja com a família unida”, como será que têm agido pessoalmente?

O Serviço Sagrado diário da manhã e da noite, e ainda o Serviço Mensal realizado mensalmente, são as maneiras de recebermos a Razão do Parens, por isso, a prática do Serviço é o mais importante vértice ou ponto da nossa vida religiosa. Realizando o Serviço Sagrado e, com isso, trilhando com o espírito firmemente conectado a Deus-Parens e Oyassama, e também colocando em prática com obediência e humildade o ensinamento, assim irá se consolidando a sua própria convicção religiosa.

 

 Por outro lado, na atual época em que vivemos, penso que a gratidão pelas coisas tem diminuído, pois há fartura de coisas e, em geral, conseguimos obter facilmente qualquer coisa. Tudo ficou muito prático, é possível fazer qualquer coisa sem gastar tempo nem trabalho. Multiplicaram-se os conceitos de valores, que tornou-se difícil saber o que é o mais importante. Nos últimos anos, pela Internet temos acesso a uma quantidade transbordante de informações, e temos vivido todos os dias como que carregados por uma enxurrada de informações. Em pessoas que pensam: “estou vivendo com minhas próprias forças” não flui “o espírito de gratidão e de desejar retribuir”. Aqueles que acham que “basta que agora eu esteja bem” não possuem “o espírito da humildade”. Nas pessoas que pensam: “basta que eu esteja bem.” não nascerá “o espírito da salvação mútua”. 

Eu penso que, quando a vida se torna cheia de fartura, o espírito de crer em Deus enfraquece. Até para praticar a divulgação e salvação, e também se dedicar à plenitude das atividades da igreja, penso que nesta época tudo isso é mais difícil e complicado.

 Se Oyassama estivesse aqui agora, poderíamos consultá-la perguntando: “Qual seria a melhor maneira de agir?”, mas isso não é possível. Mas podemos aprender lendo a Minuta da Vida de Oyassama e os Episódios da Vida de Oyassama, sobre o espírito de Oyassama em relação aos seguidores e a sua maneira de agir, a maneira como Oyassama salvou as pessoas, como que as guiou e orientou.

 Eu li várias vezes e pude notar o seguinte: 

Quando uma pessoa vinha à residência pela primeira vez, Oyassama as recepcionava de maneira calorosa, e as palavras que mais aparecem são: “Que bom que voltou! Eu o estava esperando!”. Em seguida as expressões mais comuns são no sentido de: “Eu o salvarei.” ou “Com certeza será curado.”, que Oyassama dizia às pessoas que vinham solicitar a cura de enfermidades. 

Às pessoas que foram salvas de suas enfermidades, dizia palavras com o seguinte sentido: 

“Não é através de dinheiro e nem de coisas. Se estiver feliz por ter sido salvo, a melhor maneira de retribuir é salvar com essa alegria aqueles que desejam ser salvos. Por isso, se dedique firmemente na salvação.”

Àqueles que regressavam à Residência por algum molestamento físico, aparecem muitas vezes palavras com o seguinte significado: “A predestinação, a predestinação. Foi Deus que o atraiu.” 

 Não importa quem fosse, Oyassama sempre dizia às pessoas que vinham à Residência solicitar a salvação: “Estava esperando! Estava esperando!” ou ”Que bom que regressou!”

No entanto, morando na Sede Missionária, será que eu tenho recebido com este espírito as pessoas que

vêm pela primeira vez? Pensando sobre isso, as coisas não são bem assim. Se eu noto alguém que não estou acostumado a ver, fico desconfiado pensando “Quem será que é?”. 

O Brasil não é um país muito seguro, por isso as coisas não podem ser tudo em aberto e desprotegido, mas fico a refletir que preciso recepcionar com o espírito de “Seja bem-vindo para fazer reverência.” mesmo aqueles que vêm reverenciar pela primeira vez. 

E quanto aos senhores que vivem nas igrejas? Acho que nós devemos estudar e aprender sobre o grande e vasto amor maternal de Oyassama que criou e instruiu, não importando quem fosse.

Ultimamente, penso que o espírito parental, ou melhor, a atenção ou preocupação para com os outros aos poucos tem diminuído. Se o amor parental diminui, não se instrui as pessoas, e isso impede o avanço do Caminho, não acham? Sinto que o mais importante do ensinamento deste Caminho – o amor parental – está tendendo a diminuir.

 

 A todas as pessoas com qualquer tipo de doença, Oyassama concedia palavras como: “O salvarei.”; “Logo será salvo.”; “Deus com certeza o salvará.”

Mas, em nosso caso, se ouvimos que é uma doença muito grave, será que estamos realizando a salvação com plena convicção dizendo: “Com certeza será salvo!”? Pensando nisso, para ser sincero, não conseguimos chegar a dizer até esse ponto. Será que não nos tem faltado a pureza, a inocência de nos ampararmos totalmente em Deus-Parens? Será que atualmente não temos hesitado na convicção de que “Deus-Parens é absoluto!”

 Como maneira de retribuir a salvação, Oyassama disse: “Não é simplesmente fazer oferenda de dinheiro ou objetos.”, nos esclarecendo que, se sentir feliz por ter sido salvo, a melhor maneira de retribuir é, com esta alegria, salvar as pessoas que estão passando por dificuldades. Para destacar o ensinamento do “dedicar e conduzir”, explicamos inicialmente falando, por exemplo, sobre a “oferenda” e a “reverência diária”, mas também acho que estes pontos precisam ser refletidos.

 Primeiramente, é preciso possuir o espírito de que, as pessoas que vêm à igreja, todas foram atraídas por Deus-Parens por possuírem a “predestinação”. Se for alguém que não possua a “predestinação”, creio que naturalmente irá se distanciar. É para recepcionar as pessoas que foram atraídas com carinho e simpatia. Entretanto, nos últimos tempos, acho que a tendência é, nos interessarmos por aquilo que nos seja conveniente e nem olhar, ignorando totalmente o que não seja.

 Tenho chegado à conclusão que nós precisamos, mais uma vez, relembrar e aprender mais sobre como Oyassama salvou e conduziu as pessoas na Vida-Modelo, e que o importante é colocar em prática, nem que seja uma ou duas coisas.

 

 No Ossashizu há: 

“Não digo para fazerem coisas difíceis nem coisas sem modelo. Existe o respectivo caminho da Vida-Modelo para tudo. Nada poderá ser feito se disserem que não podem passar pelo caminho da Vida-Modelo.” (07/11/181889)

 Ainda, nos explanou que: 

“Todos, cada qual, se trilhar com o espírito de acreditar que Oyassama está eternamente presente, mostrarei um Caminho equivalente. Escrevam com firmeza pegando o pincel. E que transmitam também a todos, a todos.” (20/02/1891)

 

 Mudando de assunto, do dia 18 ao dia 24 deste mês, foi constituído o Corpo de

Hinokishin

 

Internacional da Associação dos Moços, com a participação de fervorosos desbravadores (

arakitoryo

) do Caminho, de várias partes do mundo. Nos seguidos dias de intenso calor, derramaram o precioso suor, dedicando a sinceridade verdadeira na Residência.

 Perguntando às pessoas que regressaram pela primeira vez a Jiba do Brasil: “O que acharam de Jiba?”, todos afirmam em coro que: “Foi extremamente maravilhoso!”; “Foi como se tivesse lavado o espírito!”.

 Eu penso que, sobre isso, não é porque a Residência é ampla e bonita, ou porque o recinto de Reverência é grande e magnífico mas, mais do que isso, o que comove os corações das pessoas e os emociona, é a razão da verdade, da sinceridade dedicada em silêncio no hinokishin, do grande número de antecessores que, tendo fé no ensinamento de Oyassama, esquecendo-se das conveniências pessoais e da família, procurando unicamente retribuir as providências concedidas, se dedicaram na construção deste Recinto de Reverência, da Residência de Oyassama e de toda a Terra Parental ou Oyassato.

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 Visando a Comemoração dos Cinquenta anos do Ocultamento Físico de Oyassama, o Shimbashira II anunciou o lançamento da construção do Santuário (Shinden), do Recinto de Reverência Sul (Minami-raihaijo), e também da Residência de Oyassama (Kyossoden) e a Recinto de Trabalho (Goyouba). A cerimônia de início da construção foi realizada no dia 26 de junho de 1931 e, em apenas 3 anos e 4 meses, esta enorme construção foi concluída.

 As recordações do reverendo Shutaro Kajimoto, que foi o diretor encarregado do madeiramento, estão publicadas no Mitinotomo de novembro de 1934, gostaria de ler um trecho: 

“Esta foi uma maravilhosa e grande obra em que foram utilizadas 5 milhões de madeiras (de um total inicial de 7 milhões e 900 mil toras), e participaram 1 milhão e 700 mil pessoas no total. E, sem exceção, todas as madeiras utilizadas eram de

hinoki

 (tipo de cipreste japonês) trazidas do interior do país.” (...) “No entanto, analisando de uma maneira geral, o esforço que fizemos e as preocupações, não podem ser contados ou medidos como os objetos. Apesar dos muitos obstáculos para uma grande obra como esta, o fato da construção ter transcorrido sem nenhum problema e poder ter sido concluída dentro do prazo estipulado e sem nenhuma complicação, só podemos afirmar que, este fato em si é um grande milagre de Deus. Realmente é uma construção maravilhosa, uma construção excelente.” (...) “Durante esta construção, também não pude deixar de perceber, novamente, o fato de que Deus aceita unicamente a sinceridade do espírito das pessoas. Por mais que tentássemos, não conseguíamos obter a última tora. Finalmente quando íamos procurar, por muitos erros e desencontros, as coisas não saíam como esperado. E quando, até o contrato da compra já tinha sido assinado, na data marcada as madeiras não chegavam. E quando a data estabelecida se aproximava não dava nem para chorar com a interminável impaciência e angústia. Chegando a esse ponto, em que já tinham se esgotado todas as alternativas, lembrei-me que, no passado, dentro de uma enorme quantidade de madeiras doadas por uma certa igreja, havia uma magnífica tora que serviria de pilar, mas que infelizmente tinha sido excluída por possuir um corte. Ah! Aquele é que foi meu erro! E consegui fazer uma reflexão e compreender profundamente. Toras enormes desse tamanho, sem nenhuma exceção, não podem ser encontradas sem esforço e trabalho árduo, mesmo para achar uma única que seja, exige-se um esforço fora do comum. Passando por experiências amargas, nós já deveríamos estar bem conscientes desse fato. No entanto, desprezamos a madeira oferendada com sangue e suor, simplesmente por possuir um pequeno risco. Assim, arrependendo-nos profundamente por nossa falha imperdoável e determinamo-nos a utilizar esta tora e, ao utilizá-la, o corte era menor do que imaginávamos e se transformou num magnífico pilar, comparável aos pilares totalmente sem cortes ou riscos.” (...) “Podemos afirmar que, por existir este entusiasmo e sinceridade de toda a Tenrikyo, é que Deus nos concedeu também o seu trabalho e, sem dúvida alguma, a construção feita dessa vez, é a coroação dos esforços, pela sinceridade

verdadeira de todos os fiéis da Tenrikyo.”

 

 A preciosa razão da dedicação de muitos antecessores, nos proporciona uma grande emoção. Quando pensamos sobre isso, precisamos refletir se também nós estamos, ou não, servindo no dia-a-dia em prol do Caminho, de maneira que possamos proporcionar emoção às pessoas que nos sucederão no futuro. 

Chego à conclusão que, mesmo na prática da divulgação e salvação e também quando fazemos a construção do recinto de reverência da igreja e outras construções, e ainda no que se refere à educação e formação dos materiais humanos e sucessores, precisamos dedicar totalmente a sinceridade sem ficar a dever aos nossos antecessores do caminho.

 

 Por fim, gostaria de falar sobre a Associação Feminina, que estará completando cem anos de fundação no ano que vem. No dia 19 de abril será realizada a Assembleia Comemorativa. Para tornar significativo os cem anos de fundação, tendo à frente a Presidente da Associação Feminina, as associadas têm avançado com constância, a caminhada dos três anos mil dias.

 No Ossashizu, é explanado que: 

“No momento, as mulheres comecem como Associação Feminina. Não é começada pelos seres humanos. É Deus quem faz começá-la.” (25-03-1898)

 Nas circunstâncias do Japão daquela época, as mulheres encontravam-se numa baixa posição social, era uma época em que somente os homens tinham direito de falar. Mas, o pensamento de Deus-Parens está explanado no verso 21 da parte VII do Ofudessaki:

 

 Destas árvores, não digo pinheiro fêmea ou macho.

 A intenção de Tsukihi está em quaisquer árvores.

 

 Entre nós yoboku, não há diferenciação entre pinheiro fêmea ou macho. Pela lógica da sociedade, seria muito difícil uma associação formada por mulheres tornar-se realidade, então chegamos à conclusão que, graças à intenção direta de Deus-Parens é que a Associação Feminina teve início.

 No Ossashizu, há explanado que: 

“Um ano é um ano; dois anos são dois anos; em três anos há a razão de três anos. Se não enxergar é mentira. Então, todos as pessoas, tendo o espírito de que, isso tem que ser feito, aquilo também tem que ser realizado, cada qual precisa possuir este espírito. O espírito de debaterem e discutirem compreendendo o momento, se conduzirem de maneira que não deixe vazar nem água, diz-se providências de Deus.” (14 de dezembro de 1904)

 Podemos interpretar esta admoestação da seguinte maneira: 

Um ano é um ano, dois anos são dois anos, se não for mostrada a razão condizente com os anos, as atividades realizadas também se tornam uma mentira. Nesta época, em que estarão comemorando cem anos de fundação, compreendam com firmeza, realizando repetidamente reuniões de debates e discussões. Se as associadas realizarem atividades com união espiritual, unidas solidamente a ponto de não deixar nem água vazar, haverá a providência de Deus.

 Termino aqui minha palestra desejando de coração que, todas da Associação Feminina mostrem a verdadeira força que possuem, para que, na Assembleia Comemorativa do ano que vem, recebam a graça de ter a Residência totalmente lotada de seguidoras de Oyassama. 

Muito obrigado a todos pela atenção.