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Tyotyo_2008.10

Palestra do Primaz na Grande Cerimônia de Outubro de 2008

 

Minhas sinceras congratulações pela magnífica celebração da Grande Festa de Outubro. Agradeço sinceramente pelo dedicado esforço dos senhores no dia a dia, cada um em sua posição, nas atividades de salvação e também nas atividades do Caminho.

Ontem, foi realizada animadamente a Assembléia Geral da Associação dos Fiéis e depois, tivemos a realização alegre e festiva do “Encontro de Incentivo para a União Espiritual dos Jovens do Tenri”, promovido pela Associação dos Moços da Sede visando os 90 anos de sua fundação. Agradeço a todos que, deixando os seus afazeres de lado e sem se importar com a distância vieram participar destas atividades.

A partir deste momento, farei a preleção da Cerimônia mensal e gostaria de contar com a atenção de todos por alguns instantes.

 

Há exatos 170 anos atrás, no dia 26 de outubro de 1838, Deus-Parens, Tenri-Ô-no-Mikoto, incorporou-se em Miki Nakayama e, através de sua boca, esclareceu toda a verdade a respeito deste mundo. Devido à predestinação da alma de Oyassama, à predestinação de Jiba e da Residência, e também à razão do tempo predeterminado, Deus-Parens, tomando Oyassama como seu sacrário, revelou-se neste mundo e esclareceu a intenção divina. Por isso, pode-se dizer que esta é tipicamente uma religião revelada. Sobre isso, temos nas Escrituras Divinas:

Aquilo que Tsukihi pensa neste momento,

a boca é humana, mas o espírito é Tsukihi.           XII-67

Ouçam bem! Tsukihi tomou emprestado a boca

e emprestou-lhe o seu espírito inteiramente.          XII-68

Ensina que a boca de Oyassama era humana, mas o espírito dela era o espírito de Tsukihi, Deus-Parens.

Religiões reveladas são aquelas que começam a partir da revelação de um Deus, invisível e onipotente. As religiões semitas, ou seja, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo são exemplos de religiões reveladas. No entanto, as revelações divinas das religiões semitas foram feitas através de intermediários, e não diretamente. No Judaísmo, foram os profetas; no Cristianismo, é dito que o Espírito Santo desceu do céu na forma de uma pomba e transmitiu o pensamento de Deus a Jesus; no Islamismo, é dito que o anjo Gabriel transmitiu a revelação do Deus Alá a Maomé. As religiões semitas tiveram a revelação de forma indireta, através de intermediários, mas a Tenrikyo teve a sua revelação diretamente de Deus. Mesmo pensando apenas neste aspecto, podemos verificar o quão gratificante e maravilhoso é o nosso Caminho.

Bem, hoje temos um grande número de membros da Associação dos Moços reverenciando e por isso, gostaria de falar um pouco do que penso sobre essa Associação.

Conforme apresentado no vídeo do “Encontro de Incentivo” de ontem, a Associação dos Moços da Tenrikyo foi fundada em 1918 com o objetivo de auxiliar na expansão da Tenrikyo pelo mundo. Dentro dos Hinos Sagrados temos:

Quando se dirigirem para montanhas adentro,

levem o mestre madeireiro. (XII-8)

Mestre madeireiro, ou Arakitoryo, é aquele que tem a missão de introduzir o machado para desbravar montanhas e matas virgens ainda não exploradas. No plano externo, significa o missionário que busca desenvolver os locais e pessoas que ainda não conhecem a Tenrikyo. No plano íntimo, busca desenvolver os aspectos ainda não cultivados da fé de seu próprio espírito. Aqui está o ideal e a missão dos moços de Tenri.

A Sede da Associação dos Moços ostenta como lemas, ou seja, como metas de atividade dos associados, os seguintes pontos:

·          Vamos nos dedicar sinceramente à alegria da salvação e liderar a salvação mundial.

·          Vamos plantar a semente da sinceridade em Jiba e receber a proteção do Parens.

·          Vamos passar o dia-a-dia com espírito que contente Oyassama, seguindo a sua vida-modelo.

Eu também, há 40 anos atrás, tive uma época em que estava entusiasmado em cumprir as disposições do Arakitoryo. Na época, participando da Assembléia Geral da Associação dos Moços da Sede, algo que me marcou profundamente e ainda hoje persiste foi a preleção do Shimbashira II na 43ª. Assembléia Geral realizada em abril de 1967, ano do seu retornamento. Essa foi a última instrução dada pelo Shimbashira II à Associação dos Moços e gostaria de ler uma parte dela, retirada da coletânea de palestras do Shimbashira.

“É para ir para as diversas localidades do mundo embarcado no veleiro branco, cumprindo fielmente a missão recebida de Deus-Parens. É para afastar-se solitariamente da igreja, entrar no meio da sociedade e fazer o missionamento. A meta é Oyassama, é Deus-Parens. O destino é o mundo. Devem carregar a disposição como jovens e plantar as sementes que cultivaram firmemente em Jiba. Quero que busquem a alegria da dedicação única à salvação. Esta é a minha solicitação aos senhores, Arakitoryo.”

“Existem muitos e muitos lugares no exterior que gostaria que vocês avançassem tendo a disposição e o calor do Arakitoryo. Como no tempo da guerra, da mesma forma que os jovens foram para as frentes de guerra e os mais velhos ficaram no país para defendê-lo, creio que podemos deixar as frentes de missionamento no país a cargo dos mais velhos. Assim, deixando que a manutenção do Caminho no país sob responsabilidade dos mais velhos, devem sair mais e mais para o exterior.  Acredito que esta seja uma das missões do Arakitoryo.” Dessa forma, fez um manifesto para que os jovens de Tenri atravessassem o mar para o missionamento.

Ainda, exatos 30 anos depois, na 73ª. Assembléia Geral realizada em 1997, o Shimbashira anterior fez sua última instrução à Associação dos Moços. Vou ler um trecho que está na coletânea de palestras do Shimbashira:

“O caminho para corresponder ao amor parental de Oyassama, que apressou a reforma do mundo para a vida plena de alegria mesmo tendo que encurtar 25 anos de sua vida determinada, pode ser diferente de pessoa para pessoa, dependendo de sua posição. No entanto, pensando na posição dos senhores, pessoas que devem se encarregar do Caminho no futuro, primeiramente gostaria que fixassem efetivamente no espírito a postura do Hinokishin a partir dos locais próximos.” “A vida plena de alegria nasce do espírito cheio de alegria, que se alegra com qualquer fato. Por isso, pode-se dizer que a postura do Hinokishin é uma das condições para a vida plena de alegria.”

Explanou-nos que é muito importante que as pessoas que seguem este Caminho se dediquem a qualquer coisa, a qualquer hora, com postura de Hinokishin. Ainda, disse:

“As pessoas que, seguindo as metas de atividade, aspiram sair efetivamente para o missionamento no exterior, devem ter consciência de que os resultados não são atingidos facilmente. Gostaria que saíssem com o sentimento de que a sua geração é uma geração que vai fazer a semeadura e que somente com o passar das gerações é que se poderá verificar algum resultado.” ... “As pessoas que farão o missionamento no exterior devem ter a disposição de enterrar seus ossos nessas terras e se esforçar no sentido de ter o seu desejo sucedido pelas gerações posteriores. Somente dessa forma, poderão ser vistos os frutos conforme a intenção de Deus-Parens.” Dessa forma, instruiu a disposição espiritual que devem ter as pessoas que aspiram fazer o missionamento no exterior.

Assim, tanto o Shimbashira II, quanto o Shimbashira anterior depositaram uma grande esperança e também um caloroso amor parental sobre as pessoas que aspiram o missionamento no exterior.

E há 10 anos atrás, na 74ª. Assembléia Geral, a primeira após suceder a razão de Shimbashira, o Shimbashira atual explanou o seguinte a respeito da postura básica nas atividades da Associação dos Moços e do missionamento no exterior:

“Conseguir se conscientizar do fato de ser um membro da Associação dos Moços é a coisa mais importante para os associados e trabalhar no sentido de fazer com que um maior número de associados adquiram essa consciência é a essência das atividades da Associação. A Associação dos Moços não deve ser uma Associação limitada a poucas pessoas, que iniba a participação de outras pessoas como se houvesse uma linha separadora. Acredito que a postura básica das atividades da Associação dos Moços deve ser de atividades participativas, cujo conteúdo ajude todas as pessoas a evoluírem espiritualmente.”

Ainda, sobre o missionamento no exterior, disse:

“Se for para essas localidades com a intenção de transmitir os ensinamentos dentro da cultura e dos costumes locais, creio que se não tiver a disposição de enterrar seus ossos nesse local, não poderá ter sucesso. Os resultados podem ser diversos, mas na hora de partir, creio que tem que estar com essa firme disposição. Ainda, se não dedicar o tempo necessário, o sentimento de querer transmitir o ensinamento não irá se transmitir ao coração das outras pessoas. Se querem desbravar terras virgens como Arakitoryo, o sentimento de ir para sempre a essa terra é que vai ser aceito por Deus-Parens.” Assim, explicou-nos que o importante para desbravar terras virgens é ter o sentimento de ir para toda a vida. Dentre os senhores aqui presentes, creio que existem pessoas que vieram do Japão para missionar no Brasil entusiasmados com a disposição como Arakitoryo. Deve haver pessoas cujos pais ou avós vieram com esse pensamento para o Brasil. Ou ainda, pessoas cujos mestres que os encaminharam para este Caminho vieram com esse pensamento do Japão para o Brasil.

No Caminho, muitas vezes falamos de “missionamento para o mundo”. Por “mundo”, muitas pessoas entendem apenas o mundo geográfico, mas nas Escrituras Divinas, existem dois significados para “mundo”. O mundo geográfico é representado no verso 1 da Parte I:

Observando todos do mundo por todas as épocas,

não encontro quem tenha entendido o meu coração.        I-1

O outro significado encontra-se no verso 18 da Parte I:

É comum explicar os fatos após serem vistos.

Eu os deixarei explicado antes que sejam vistos.  I-18

Aqui na versão em Português está somente a palavra “comum”, mas no japonês, está escrito como “comum ao mundo” e este “mundo” não se limita apenas ao mundo geográfico. Refere-se às pessoas que ainda não conhecem a intenção de Deus-Parens, ou seja, as pessoas comuns. O Arakitoryo deve encarar esses dois “mundos” de frente. Creio que a missão do Arakitoryo é desenvolver a divulgação e a salvação em todos os cantos do mundo geográfico onde os ensinamentos ainda não tenham sido transmitidos, para todas as pessoas que ainda não conheçam este ensinamento, da mesma forma como se estivessem cravando o machado do desbravamento nas matas virgens.

Nas Escrituras Divinas temos:

Que imaginam ser este caminho?

O caminho verdadeiro que trará paz ao mundo.    VI-4

O ensinamento de Oyassama é sem dúvida o ensinamento que encaminhará as pessoas de todo o mundo para a vida plena de alegria. Acredito que devemos fixar no espírito esse fato e divulgar orgulhosamente esse ensinamento de Oyassama à sociedade brasileira. Agora, vou continuar a palestra falando quais são os pontos maravilhosos deste Caminho.

O primeiro ponto é o fato deste Caminho ter sido iniciado a partir de uma revelação direta de Deus-Parens. A respeito disso falei há poucos instantes.

O segundo ponto é o fato de termos no Caminho as escrituras originais, ou seja, os livros doutrinários, escritos diretamente por Oyassama. Como é do conhecimento de todos, as Escrituras Divinas foram escritas diretamente por Oyassama. Os Hinos Sagrados originais diretamente escritos foram perdidos, mas como Oyassama passou longos anos ensinando o Serviço, pode-se considerar os Hinos Sagrados como escritas diretas. As Indicações Divinas foram palavras expressas pelo Honseki que, durante 20 anos, transmitiu as revelações de Deus-Parens em substituição a Oyassama depois de seu retornamento físico. Não existe outra religião em que as revelações divinas tenham durado 70 anos.

O Cristianismo tem como livro sagrado o Novo Testamento, que foi definido como livro sagrado no Concílio de Cartago no ano 397dC, baseando-se no Velho Testamento e em vários textos em que Jesus confessou ser Cristo, o salvador. O Novo Testamento é o único documento que mostra a trajetória da vida de Jesus e foi escrita por Matheus, Marcos, Lucas e João. No entanto, eles nunca se encontraram com Jesus em vida e nunca ouviram seus ensinamentos diretamente. Apenas resumiram as histórias que vieram sendo transmitidas de pessoa para pessoa. O Islamismo tem o Alcorão como os registros das revelações de Alá. No entanto, o fundador Maomé não sabia nem ler e nem escrever. Os discípulos é que registraram as revelações de Deus transmitidas através do anjo Gabriel e editaram o Alcorão depois da morte de Maomé. O Budismo tem cerca de 3.000 escrituras sagradas, mas todas elas foram escritas depois da morte de Buda. Assim, é difícil de saber qual delas eram verdadeiramente as palavras de Buda. Todas essas religiões são de 2.000 a 3.000 anos atrás e é compreensível que não haja escritas diretas de fundador. No entanto, não existe nenhuma certeza de que seus ensinamentos foram realmente transmitidos pelo fundador. Pensando nisso, podemos dizer que o Caminho é realmente gratificante.

O terceiro ponto é que neste Caminho, temos o ensinamento da criação dos seres humanos e do mundo. No mundo todo existem diversas lendas sobre a criação, mas não existe nenhuma que descreva a criação de forma tão concreta, com conteúdo tão rico e racional quanto a história da criação original. Nessa história da criação original temos explicações sobre os seguintes pontos:

O ideal da criação, ou seja, com que objetivo foram criados os seres humanos e o mundo e para que vivem os seres humanos. 

A ordem de criação, ou seja, como foram criados, quais as funções fisiológicas que lhe foram atribuídas.

O processo da criação, ou seja, como as pequenas formas de vida que foram criadas primeiro se transformaram em seres humanos, qual a teoria sobre o progresso e o desenvolvimento cultural e histórico.

A história da criação original é a explicação sobre a verdade do Serviço, que é o caminho para a salvação universal. É uma história ligada ao Serviço pelo qual todas as pessoas do mundo poderão ser salvas. O Serviço é realizado em Jiba, local original da criação dos seres humanos, onde os trabalhos de Deus-Parens por ocasião da criação são expressos em movimentos das mãos. É ensinado que através dessa execução é que se poderá obter a salvação de todas as coisas e é uma história sobre a criação que não existe em nenhum outro lugar do mundo.

Nos registros antigos da mitologia japonesa, temos histórias sobre a constituição das terras japonesas, mas não há história sobre a criação dos seres humanos. No Budismo, não há ensinamento sobre a criação. De acordo com o primeiro capítulo da Gênesis do Novo Testamento, Deus levou seis dias para criar todas as coisas e descansou no sétimo dia. O fato de termos sete dias na semana e que o domingo é o dia de descanso vem daí. No segundo capítulo, Deus moldou o ser humano de terra à sua própria imagem e semelhança, soprou suas narinas e deu vida a Adão. Também está escrito que de uma das costelas de Adão, fez Eva. O mundo e os seres humanos foram criados num espaço relativamente curto de tempo e ainda por cima, foram criados já adultos e amadurecidos. No sexto capítulo, há a história mitológica sobre a “Arca de Noé”, em que Deus arrepende-se de ter criado o homem e decide extinguir toda a vida da Terra. Ainda, na história do Éden, tentada pela serpente, Eva desobedeceu à ordem dada por Deus cometendo o pecado original. A partir daí, as mulheres passaram a ser olhadas com menosprezo e, no Cristianismo, em qualquer corrente, ainda hoje não se colocam mulheres no sacerdócio. Para salvar os seres humanos possuidores do pecado original é que Jesus foi crucificado. Ele foi crucificado para compensar os pecados dos homens. Por isso se diz que todos os seres humanos são todos pecadores desde o momento em que nascem. No Caminho, é ensinado que o ser humano foi criado para desfrutar a vida plena de alegria. Assim, é um ensinamento completamente diferente. A história da criação original, comparado com as outras, é uma história com conteúdo profundo e realmente maravilhoso.

O quarto ponto é o fato de ter sido ensinado claramente o local sagrado, Jiba. Todas as religiões tem um local sagrado, mas normalmente são locais onde nasceu ou morreu o fundador, ou o local onde o ensinamento foi explanado. No nosso ensinamento, o local sagrado Jiba é ensinado como o local onde foi concebido o ser humano pela primeira vez, no momento de sua criação. É a terra parental ou a terra natal de toda a humanidade. Ainda, foi concedido o nome divino Tenri-Ô-no-Mikoto a Jiba e é o local onde se estabelece a residência fixa de Deus-Parens. Ainda, em volta de Jiba, do Kanrodai, é realizado o Serviço das Máscaras para a salvação universal. É o local sagrado de onde se origina toda a salvação. Na Doutrina da Tenrikyo está escrito: “Tenri-Ô-no-Mikoto, Oyassama e Jiba são realmente uma única razão e somente aceitando esta verdade é que o caminho da dedicação única à salvação para a vida plena de alegria e felicidade pode ser finalmente realizado.”

O quinto ponto refere ao cerimonial e à oração. Por mais excelente que seja a doutrina, não se pode chamar de religião se não tiver um cerimonial. O objetivo do cerimonial é basicamente solicitar a providência divina ou a salvação a Deus ou a Buda, é agradecer a Deus ou a Buda. O mais importante do cerimonial deste Caminho, como é do conhecimento de todos, é o Serviço. O Serviço realizado em volta de Jiba, do Kanrodai, visa representar a razão de Deus-Parens no momento da criação do mundo e dos seres humanos, e é algo nobre, sem igual em todo o mundo. Mais ainda, o Serviço foi ensinado diretamente por Oyassama, que passou longos anos ensinando os hinos, os movimentos das mãos e os instrumentos.

O mais importante do cerimonial do Cristianismo é a missa, no Catolicismo, e a santa comunhão no Protestantismo. A missa é uma celebração religiosa que visa atualizar o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, representando a Última Ceia. É uma cerimônia remanescente das antigas civilizações do Oriente Médio, em que se oferenda o sangue de uma ovelha sacrificada, por exemplo, que visa amenizar a ira de Deus. Esta é a missa e é dito que o vinho representa o sangue derramado por Jesus na cruz e o pão representa a carne de Jesus.

No Budismo, existem os rituais diferem de acordo com a corrente, mas são realizados nos santuários onde estão consagrados o Buda, o Bodisattva (ser de sabedoria elevada) ou o Kannon (representa compaixão de todos os Budas). Existem cerimônias em que se queima gergelim em altares externos.

Tanto as missas do Cristianismo como as cerimônias budistas, não foram ensinadas pelos fundadores, mas foram os seguidores que criaram essas cerimônias em tempos posteriores. No Caminho, temos o Serviço ensinado diretamente por Oyassama. Não existe nada mais gratificante e maravilhoso do que isso. Existem pessoas que chamam a Cerimônia mensal da Tenrikyo de missa, mas são conteúdos totalmente diferentes. Por isso, gostaria que chamassem de Cerimônia mensal, apesar de não ser uma expressão muito comum.

Verificando os pontos importantes de uma religião, como a revelação, a doutrina, a criação, o local sagrado e o cerimonial, comparado a outras religiões, pode-se sentir o quão maravilhoso e gratificante é o Caminho. Ainda existem diversos outros pontos de doutrina a serem comparados, mas deixarei para outra oportunidade. Agora, gostaria de falar sobre a diferença entre a Tenrikyo e o Xintoísmo.

Neste Caminho utilizamos os sacrários, as bandejas de oferenda, as cortinas de bambu que são adereços mais ligados ao Xintoísmo. Por isso, havia muitas pessoas que pensavam que a Tenrikyo se tratava de uma corrente do Xintoísmo, e pode ser que ainda haja pessoas que pensem assim. O Xintoísmo é uma religião nacionalista e a Tenrikyo é uma religião mundial. O Xintoísmo é uma fé comunitária de uma família, de uma vila ou de um país e a Tenrikyo é um ensinamento que visa a salvação de toda a humanidade. O Xintoísmo é politeísta, cultuando diversos deuses e a Tenrikyo é monoteísta, cultuando Deus-Parens, Tenri-Ô-no-Mikoto. É ensinado que Tenri-Ô-no-Mikoto, Oyassama e Jiba são uma única razão. No Xintoísmo não existe um fundador e nem houve revelação. Há um cerimonial, mas não há um ensinamento que sirva como base para a prática da vida humana. Existe a salvação da vida presente, mas não há nenhum ensinamento como o da reconstrução do mundo para a vida plena de alegria. Mesmo analisando apenas as comparações feitas acima, podemos entender que são ensinamentos completamente diferentes.

No Japão, existem fortemente arraigados costumes representativos do Xintoísmo como a veneração pela natureza e a veneração pelos antepassados, dada à visão que os japoneses têm da vida e da morte. Quando uma pessoa morre, ela não vai para muito longe. Fica por perto e, por vezes, aparece neste mundo. Se os membros da família a consolam ou a cultuam, essa alma se acalma. Se não for consolada nem cultuada, vem assombrar ou pode causar infortúnios. Esse é o princípio da veneração pelos antepassados. As novas religiões surgidas depois da era Meiji, em sua maioria, se baseiam nesse princípio. No Brasil, ouço dizer que o Espiritismo está forte. Ela se originou na crença de religiões semitas de que o demônio ou os espíritos do mal podem vir para assombrar, amaldiçoar ou apegar-se às pessoas.

Oyassama tem dito que neste mundo não existem, de forma alguma, espíritos do mal ou maldições que se apeguem, que assombrem ou que causem dificuldades ou infelicidade às pessoas. Na Escritura Divina temos:

Jamais pensem que existam maldições,

espíritos do mal e fantasmas neste mundo. (XIV-16)

Assim Oyassama nos libertou das superstições e dos medos de maldições e assombrações que faziam as pessoas sofrerem por longo tempo. Foi ensinado que toda a responsabilidade pelos fatos que ocorrem está no uso espiritual do ser humano e não se pode atribuir a responsabilidade a espíritos e outras coisas esquecendo-se dessa verdade. A felicidade ou a infelicidade depende unicamente do uso da liberdade espiritual que foi concedida ao ser humano por Deus-Parens.

Por fim, gostaria de falar sobre o que fala o ensinamento de Oyassama a respeito dos grandes problemas que o mundo tem enfrentado atualmente, como a questão do meio-ambiente, os conflitos étnicos e a questão da paz. Sobre a questão do meio ambiente, nas religiões semitas é ensinado que Deus criou o ser humano e a natureza, mas que a natureza foi criada para ser dominada pelo ser humano. No final do século XVIII, houve a revolução industrial na Europa em que, liderados pela Inglaterra, os trabalhos manuais foram sendo substituídos pelas máquinas. Os recursos do subsolo como o carvão e o petróleo passaram a ser usados como fonte de energia para movimentar as máquinas e a madeira foi sendo substituída pelo metal, pelo alumínio e pelos derivados de petróleo para mudar a vida e a sociedade. Isso continua até os dias atuais e vem causando a devastação da natureza. No Budismo, existe o ensinamento de que tudo o que existe é a essência de Buda e é dito que isso se traduz na proteção da natureza e do meio ambiente da devastação. No entanto, nos ensinamentos de Buda não existe nada a respeito do objetivo da criação do mundo, a respeito da sua finalidade. No Caminho, é ensinado que o mundo e os seres humanos foram criados para desfrutarem a vida plena de alegria. A natureza de forma alguma é algo que pode ser dominado ou devastado pelo ser humano. Isto porque este mundo é o corpo de Deus-Parens. Interferir na natureza para criar uma ambiente mais fácil para se viver ou usar os recursos naturais de forma moderada é permitido como uma graça de Deus-Parens. No entanto, devastar a natureza desperdiçando fontes de energia devido à ganância humana ou em nome do progresso desordenado é como sujar ou danificar o corpo de Deus-Parens e no final, ficaremos sem receber as suas providências e as suas graças. Penso que viver de forma humilde e moderada, coibindo a ganância humana que só tende a aumentar, é a forma de proteger a natureza e o meio ambiente da devastação.

Sobre os conflitos étnicos, neste ano tivemos o conflito entre a Geórgia e o estado independente da Ossétia do Sul. A começar por Israel e Palestina, temos conflitos étnicos que não cessam no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão, etc. As religiões semitas têm a característica de dividir em grupos opostos, como os escolhidos por Deus e os não escolhidos, os amigos e os inimigos, etc. A guerra para eliminar os inimigos é considerada guerra santa e sendo guerra santa, morrer em conflito garantirá um lugar no paraíso. Para ir ao paraíso, as pessoas não se importam de morrer amarrando bombas em seu corpo. Esse tipo de pensamento ainda está fortemente arraigado no mundo. No Caminho, é ensinado que todos os seres humanos foram criados por Deus-Parens de forma igual e foram educados de forma igual. Por isso, todos são irmãos entre si e não deve haver conflito. Todos os seres humanos, sem exceção, podem ser salvos. Apenas por não estarem evoluídos espiritualmente é que cometem erros, fazem coisas erradas. Se evoluírem espiritualmente, deixam de cometer esses erros e aos poucos o mundo vai ficando melhor. Para evoluir espiritualmente, Oyassama nos ensinou a caminhar rumo à vida plena de alegria salvando-se mutuamente.

Mesmo falando facilmente de paz no mundo, existem religiões que tratam os seguidores de outras religiões como pagões ou hereges. Outras dizem que quando chegar o fim dos tempos, haverá um juízo final em que se decidirá quem vai para o paraíso e quem vai para o inferno. Existem grupos religiosos que tratam as outras religiões como entidades do mal e ao invés de paz, estão plantando sementes de guerra. Também há grupos que registram em seus livros doutrinários sobre “a necessidade de ocorrer a Terceira Guerra”.

No capítulo 10 da doutrina da Tenrikyo está escrito:

“O mundo não deseja outra coisa senão a paz. Mas, a verdadeira paz mundial não estará completamente realizada só porque as partes não entram mais em conflito mútuo. A aparência de um mundo sem conflito, não significa o advento da paz gloriosa e transbordante de luz celestial. A edificação do mundo de paz no seu sentido real só é possível baseada na verdade.

Em outras palavras, este mundo será um paraíso transbordante de vitalidade infinita, quando os seres humanos compreenderem e fixarem corretamente a verdade do caminho no seu coração, esquecerem as suas vantagens e as ambições pessoais e trabalharem sinceramente à causa da salvação, auxiliando-se uns aos outros sob a calorosa proteção de Deus-Parens, e quando o mundo vier a ser repleto de alegria e entusiasmo de acordo com o ansioso desejo dele.”

Gostaria que todos os senhores aqui tivessem a certeza e o orgulho de que este é o derradeiro ensinamento que vai salvar todo o mundo. Tendo em vista a comemoração dos 60 anos de fundação da Sede Missionária Dendotyo, vamos aumentar o círculo da divulgação e da salvação a todo o território brasileiro.

Muito obrigado pela atenção dispensada.