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Tyotyo_1994.10

Palestra do Primaz na Grande Festa de Outubro de 1994

             Meus sinceros agradecimentos a todos por termos podido realizar alegre e animadamente a Grande Festa de Outubro da Sede Missionária no dia de hoje.

Agradeço também pelo esforço diário de todos que, em suas respectivas posições, vêm se dedicando em prol deste Caminho e também à salvação dos próximos, visando o Centésimo Décimo Ano do Ocultamento Físico de Oyassama.

            A partir de agora farei uma breve palestra e, para isso, solicito a atenção de todos por alguns instantes.

O Serviço Sagrado de hoje é realizado como a Grande Festa de Outubro, recebendo a permissão da Sede e recebendo também a Razão da Grande Festa de Outono, que será realizada no dia 26, em Jiba, comemorando o dia da Revelação Divina, em 26 de outubro de 1887.

Na Instrução n° 4, que acabamos de ler, temos o seguinte trecho: "Deus-Parens, com a chegada do tempo predeterminado, revelou-se em Jiba original, tomando Oyassama como seu Sacrário, e veio a esclarecer o derradeiro ensinamento para a salvação de todo o mundo".

Deus-Parens, que criou o mundo e o homem, deu a vida e vem concedendo as suas providências a todos os seres vivos, revelou-se neste mundo, segundo o compromisso firmado no momento da criação original, com a conjugação de três predestinações: a de "tempo", com a chegada do "tempo predeterminado", a de "pessoa", tomando "Oyassama como Sacrário", e a de "local", ou seja, "Jiba original". Através da boca de Oyassama, explicou "como o mundo e o homem foram criados e como deve ser o seu verdadeiro modo de viver; como são as dez providências divinas de Deus-Parens e por que o Serviço do Pedestal do Néctar (Kanrodai) é imprescindível à vida plena de alegria e felicidade". Tudo isso está explicado na "História da Criação Original".

Entretanto, creio que Oyassama explicou esta "História da Criação Original", que é difícil e não pode ser compreendida somente ouvindo, não com o objetivo apenas de apresentá-la, mas entendendo que se não fizesse isso, não se poderia compreender a Razão do Serviço de Kagura e as extraordinárias predestinações que deram origem a este Caminho.

As extraordinárias predestinações que deram origem a este Caminho estão           claramente  explicadas na "História da Criação Original", e como acho que fica difícil de compreendê-la se for fragmentada, apresentarei aqui o texto completo da "História da Criação Original" que podemos ouvir na Preleção do Besseki. Como o texto inteiro é um pouco longo, vou dividi-lo em três partes, falando aquilo que penso em cada intervalo.

“Originalmente, este mundo foi um mar de lama. Tsukihi, Deus-Parens, julgando insípida essa condição e deliberando, teve a idéia de criar os seres humanos e compartilhar da sua alegria, vendo-os viveram felizes. Então, observou esse mar de lama e avistou um sirênio e uma cobra branca entre muitos cadozes”.

Atraiu-os para junto de si com a intenção de fazer deles o primeiro modelo de casal humano e, verificando o seu espírito sincero e comprometendo-se a trazê-los de volta à residência original da concepção dos seres humanos, para serem adorados pela posteridade como Deus, quando passarem tantos anos quanto o número de filhos dados à luz na sua primeira geração, obteve o consentimento deles e aceitou-os, tomando para si.

Em seguida, chamou um golfinho do noroeste e uma tartaruga do sudeste e, quando vieram, tomou-os para si com o seu consentimento, comeu-os para provar os seus sabores espirituais e, discernindo as suas respectivas qualidades, decidiu fazer uso do golfinho como o órgão genital masculino e a estrutura óssea com a função de suportar o corpo, e da tartaruga como o órgão genital feminino e a pele com a função conexadora. Colocou-os respectivamente no corpo do sirênio e da cobra branca, os quais foram então determinados como os protótipos de homem e de mulher. Assim, o nome Izanagui-no­Mikoto foi dado por Deus-Parens à função da semente, o protótipo de homem, e o nome Izanami-no-Mikoto à função do viveiro, o protótipo de mulher. O nome Tsukiyomi-no­Mikoto foi dado à função do órgão genital masculino e da estrutura óssea de suportar o corpo, e o nome Kunisazuchi-no-Mikoto à função do órgão genital feminino e da pele de conexar o corpo“.

No começo deste trecho, temos que o objetivo da criação dos seres humanos consiste na vida plena de alegria e felicidade. Por isso, todos os seres humanos vivem buscando a felicidade, não existindo ninguém, em todo o mundo, que queira ser infeliz. Isto acontece porque o ser humano foi feito para desfrutar a vida plena de alegria.

Depois, temos que Deus-Parens atraiu o sirênio e a cobra branca e os fez protótipos do casal. Para isso, "comprometeu-se a trazê-los de volta à residência original da concepção dos seres humanos, para serem adorados pela posteridade como Deus, quando passarem tantos anos quanto o número de filhos dados à luz na sua primeira geração". Assim, deixou claras as três predestinações que levariam à Revelação Divina. No momento da criação dos seres humanos, Deus-Parens fez conceber nove milhões, noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove filhos no ventre de Izanami-no-Mikoto, que lhes deu à luz. 26 de outubro de 1887 era o dia em que se completava o tempo predeterminado desde a criação original; a residência dos Nakayama era a "Residência Original, predestinada pela concepção dos seres humanos"; e Oyassama, Miki Nakayama, era a pessoa que tinha a alma predestinada de Izanami-no-Mikoto.

Em seguida, temos que Deus-Parens atraiu um golfinho do noroeste e uma tartaruga do sudeste. Estes pontos cardeais são muito importantes para o Serviço de Kagura e estes instrumentos são instrumentos que expressam as dez providências divinas.

Continuando a "História da Criação Original":

“Ainda, chamou uma enguia do leste, uma solha do sudoeste, uma cobra preta do oeste e um baiacu do nordeste e, quando vieram, tomou-os para si com o consentimento deles, comeu-os para provar os seus respectivos sabores espirituais. Determinou e usou-os como instrumentos; e deu à respectiva função deles um nome divino. Usou a enguia como a função da entrada e saída da comida e da bebida e deu a essa função o nome de Kumoyomi-no-Mikoto; usou a solha como a função da respiração e deu a essa função o nome de Kashikone-no-Mikoto; usou a cobra preta como a função de extração e deu a essa função o nome de Ôtonobe-no-Mikoto e usou o baiacu como a função do corte e separação e deu a essa função o nome de Taishokuten-no-Mikoto”.

Dessa maneira, determinados os protótipos e os instrumentos, Deus-Parens começou finalmente a criação de seres humanos. Primeiramente, comeu todos os cadozes das águas lamacentas para provar o seu sabor espiritual e usou-os como sementes do ser humano. Entrou no corpo do Izanagui-no-Mikoto como Tsuki-sama (Lua) e no da Izanami-no-Mikoto como Hi-sama (Sol) e, ensinando-lhes a graça da criação dos seres humanos, fê-los conceberem no ventre da Izanami-no-Mikoto novecentos milhões, noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove sementes de ser humano em três dias e três noites. Depois disso, Izanami-no-Mikoto permaneceu nesse lugar por três anos e três meses e, finalmente, dispendendo setenta e cinco dias, deu à luz tantos filhos quanto o número de sementes concebidas“.

Aqui, temos as direções leste, sudoeste, oeste e nordeste, de onde atraiu, respectivamente uma enguia, uma solha, uma cobra preta e um baiacu. A explicação é a mesma para os casos do noroeste e sudeste, do golfinho e da tartaruga citados anteriormente.

Deve tomar cuidado aqui para não interpretar que a enguia ou a solha se tornaram deuses. Cada qual recebeu nomes divinos, como Kumoyomi-no-Mikoto e Kashikone-no­Mikoto, pela Razão de seus trabalhos como instrumentos de Deus-Parens.

Definidos os dois protótipos e os seis instrumentos decidiu-se criar os seres humanos. Foi-nos ensinado que então, Deus-Parens comeu todos os cadozes do mar de lama e os fez sementes dos seres humanos. Acredito que existem muitas pessoas que acham meio difícil aceitar o fato dos cadozes serem as sementes dos seres humanos.

No mês passado, o condutor da Igreja Atlântico me emprestou uma fita de vídeo com um programa transmitido pela TV NHK, do Japão, com o tema "4 bilhões de anos - ­Uma longa viagem". Nele, cientistas de todo o mundo mostram suas pesquisas sobre a história da humanidade através dos fósseis encontrados. No final do programa, era explicado que um agitado ser dos mares chamado Anomarocalis, foi naturalmente levado à extinção e sobrou um peixe vertebrado, chamado Picaia, que os cientistas acreditam estar ligado ao surgimento do homem.

Assistindo este programa, senti que estava-me sendo ensinado novamente, sob um diferente aspecto, uma coisa que o ministro da Sede, Professor Yoshinaru Ueda, havia ensinado numa aula sobre a Razão da Origem, realizado há quinze anos no Brasil. Ele nos ensinou que "tudo o que existe no mundo pode ser dividido em três tipos: os minerais, os vegetais e os animais. Os animais podem ser divididos em doze tipos, partindo da forma mais primitiva, que é a ameba, até a forma mais evoluída, que é o homem. O décimo-segundo tipo são os animais vertebrados, ou seja, são aqueles que possuem coluna vertebral e os mais evoluídos. Podemos ainda sub-dividir os vertebrados em cinco tipos: os mais simples são os peixes, sendo que os cadozes fazem parte desta família. Depois, temos os répteis, os anfíbios, as aves e os mamíferos, sendo que o homem faz parte destes últimos. Desta forma, tanto o homem como os cadoz são seres vertebrados, e pode-se dizer que têm uma ligação próxima entre si. Era explicado que, interpretando desta forma, seria mais fácil entender o conteúdo do programa que se seguia.

Neste programa, era explicado que o Picaia passou por um processo de evolução e se ligou ao surgimento do homem. Por outro lado, Oyassama explicou que os cadozes eram as sementes dos seres humanos, alegorizando de forma que as pessoas de sua época pudessem entendê-la mais facilmente.

Em seguida, na "História da Criação Original", temos que Tsuki-sama (a Lua) e Hi-­sama (o Sol) entraram, respectivamente nos corpos de Izanagui-no-Mikoto, no qual haviam-se introduzido o sirênio e o golfinho, e de Izanami-no-Mikoto, no qual haviam-se introduzido a cobra branca e a tartaruga, ensinando-lhes a graça da criação dos seres humanos. Portanto, podemos compreender que Deus-Parens é o Parens da criação dos seres humanos e estes são filhos de Deus-Parens. Podemos compreender também que, por serem filhos nascidos do mesmo Parens, todos os seres humanos são irmãos entre si.

Prosseguindo na "História da Criação Original":

            "Os nascidos na primeira geração eram uniformemente de meia polegada de altura. Foram crescendo gradualmente de meia em meia polegada e, ao passarem noventa e nove anos, alcançaram a altura de três polegadas, retornaram-se todos e o pai, Izanagui-no-Mikoto, recolheu o seu corpo, isto é, deixou de existir fisicamente. Entretanto, graças à providência uma vez ensinada, a mãe, Izanami-no-Mikoto, concebeu no seu ventre tantos filhos como da vez anterior e, passado dez meses, deu­ lhes à luz. Desta vez, também, nasceram uniformemente com meia polegada de altura e, quando, passados noventa e nove anos, já haviam crescidos para três polegadas e meia, retomaram-se todos. E ela concebeu pela terceira vez e deu à luz o mesmo número de filhos, que nasceram também com a altura de meia polegada e cresceram, alcançando quatro polegadas em noventa e nove anos. Então, a mãe, Izanami-no-Mikoto, recolheu o seu corpo, após dizer sorrindo: Se cresceram até aqui, tomar-se-ão futuramente homens de      cinco pés de altura".

Os seus filhos, também, seguindo-a com vivo amor, retomaram-se todos.

Depois disso, os seres humanos renasceram oito mil e oito vezes, passando por todos os graus de existência, em insetos, em pássaros, em mamíferos, etc. e retomaram-se novamente. Finalmente, sobrou uma macaca. Ela concebia dez seres humanos, cinco homens e cinco mulheres, que nasceram com meia polegada de altura e cresceram gradualmente de meia em meia polegada. Quando alcançaram a altura de oito polegadas, começaram a se formar pontos altos e baixos no mar de lama pela providência divina e, quando alcançaram a altura de um pé e oito polegadas, os mares e os montes, o céu e a terra, o Sol e a Lua começaram a solidificar-se e a serem finalmente distinguidos. Durante o período de sua evolução, de um pé e oito polegadas para três pés, nasciam gêmeos, um homem e uma mulher. Porém, quando alcançaram a altura de três pés, começaram a falar e vieram a ser dados à luz um de cada vez. Quando evoluíram para cinco pés, os mares e os montes, o céu e a terra e todo o universo ficaram concluídos e os homens começaram a viver em terra firme.

Ainda, foi revelado que, nos primeiros novecentos milhões e noventa mil anos, os seres humanos levaram vida aquática; nos seguintes seis mil anos dessa longa evolução, receberam a instrução de inteligência e, nos três mil, novecentos e noventa e nove anos subseqüentes, receberam a instrução de leitura e escrita.”“.

Os seres humanos nascidos na primeira geração eram pequenos, com apenas meia polegada, mas foram evoluindo aos poucos, atingindo a altura de três polegadas depois de noventa e nove anos, quando todos retornaram. Os da segunda geração também nasceram com meia polegada, e após noventa e nove anos, estavam meia polegada mais altos do que os nascidos da vez passada. Os da terceira geração também nasceram com meia polegada e após noventa e nove anos, também cresceram meia polegada em relação à geração anterior, retornando todos ao atingirem quatro polegadas.

Depois disso, os seres humanos renasceram oito mil e oito vezes, passando por todos os graus de existência: insetos, pássaros, mamíferos, etc. Por isso é que se diz que o ser humano é capaz de imitar qualquer tipo de animal.

Por fim, sobrou apenas uma macaca, em cujo ventre eram concebidos dez filhos de cada vez, cinco homens e cinco mulheres. Isto está ensinando com devem ser os membros executantes do Serviço de Kagura, ou seja, cinco homens e cinco mulheres.

Depois, ainda nasciam com meia polegada, mas agora não retornavam e quando atingiram a altura de oito polegadas, começaram a se formar pontos altos e baixos no mar de lama, ou seja, começaram a se definir os mares e as terras, formando, dessa forma, o mundo.

Quando atingiram um pé e oito polegadas, os mares e os montes, o céu e a terra, o Sol e a Lua começaram a solidificar-se e a serem finalmente distinguidos. Somente aqui é que, finalmente, aparecem o Sol e a Lua. Portanto, podemos perceber que o Lua-Sol (Tsukihi) com que nos referimos a Deus-Parens, não são a Lua e o Sol que vemos no céu.

Foi-nos ensinado que, quando atingiram três pés, os seres humanos começaram a falar, e quando atingiram cinco pés, o mundo todo se formou por completo e os seres humanos, que até então viviam dentro da água, passaram a viver em terra firme.

Foi-nos ensinado também que os primeiros novecentos milhões e noventa mil anos foram o período de vida aquática, e vivemos em terra firme há cerca de dez mil anos. Dentro desse período, cinqüenta e seis mil anos foram de instrução da inteligência e quatro mil anos, de instrução das letras, surgindo aí as ciências e as culturas.

            "De dez coisas a serem ensinadas, ensinou nove; a última verdade a ser ensinada” diz respeito à "História da Criação Original", na qual é revelado que o criador do mundo e dos seres humanos é Deus-Parens, Tsukihi.

No Budismo, não existe explicação sobre a criação do mundo. Também na mitologia japonesa, não existe uma explicação clara a respeito de como surgiu o homem. As religiões judaica, cristã e islâmica, acreditam na história da criação do mundo registradas no Velho Testamento, segundo a qual, o mundo e os seres humanos teriam sido criados em cerca de uma semana, esse mundo seria igual ao mundo que podemos ver atualmente e o ser humano teria sido criado há cerca de seis mil anos.

Em 1859, na Inglaterra, Charles Darwin lançou um livro chamado "A origem das Espécies", na qual apresentou a "teoria da evolução". Mesmo nos dias atuais, o ensino dessa "teoria da evolução" tem sido causa de discussão com a Igreja Cristã.

A "História da Criação Original", por ser uma "História da Razão da Salvação", não pode ser comparada a uma teoria científica como a "teoria da evolução", mas sinto uma grande admiração por Oyassama ter explicado o surgimento do homem e seu processo de evolução de forma eficiente, alegorizando de forma que as pessoas de sua época pudessem compreender facilmente.

N a Escritura Divina, os versos 40 e 135 da parte 3 são exatamente iguais:

"Seja em que for, este mundo é corpo de Deus. Refleti vós gradualmente a respeito disso”.

É nos ensinado que o mundo em que vivemos e todo o universo é corpo de Deus­Parens, e que todos os seres humanos vivem no seio de Deus.

Os trabalhos e as providências de Deus-Parens são as mesmas, tanto no corpo humano, como no mundo e na Natureza. Por exemplo, Kunitokotati-no-Mikoto representa a providência dos olhos e da umidade no corpo humano e a providência da água no mundo. Omotari-no-Mikoto representa a providência da temperatura no corpo humano e a providência do fogo no mundo. Kunisazuchi-no-Mikoto, no corpo humano, é a providência divina referente ao órgão genital feminino e à função conexadora da pele e, no mundo, à função conexadora em geral, como dinheiro, relações matrimoniais, etc. Tsukiyomi-no-Mikoto, no corpo humano, é a providência divina referente ao órgão genital masculino e à função do esqueleto que suporta o corpo e, no mundo, à função de suporte em geral. Kumoyomi-no-Mikoto, no corpo humano, representa a providência divina referente às funções de entrada e saída de alimentos e, no mundo, à função da subida e descida da umidade. Kashikone-no-Mikoto, no corpo humano, representa a providência divina referente à função da respiração e, no mundo ao vento. Taishokuten-­no-Mikoto, no corpo humano, representa a providência divina de cortar a conexão do bebê com o útero materno no nascimento e de cortar a respiração no retornamento; no mundo, a providência referente à função de corte em geral. Otonobe-no-Mikoto, no corpo humano, a providência divina de extrair para fora a criança do útero da mãe; no mundo, a providência da extração em geral. Izanagui-no-Mikoto, o protótipo de homem na ocasião da criação do ser humano, a função de semente. Izanami-no-Mikoto, o protótipo de mulher na ocasião da criação do ser humano, a função de viveiro.

As providências no mundo e as providências no corpo humano unem-se numa única Razão. A respeito disso, existe uma passagem da vida de Oyassama, de 1877. Oyassama disse aos circunstantes que podiam perguntar qualquer coisa que não soubessem, a respeito do mundo. Os seguidores próximos, como o professor Takai, fizeram diversas perguntas. Eles perguntaram: "Oyassama, este mundo é muito grande, mas qual a sua extensão, de norte a sul, de leste a oeste?" Oyassama respondeu-lhes: "Basta vocês abrirem seus braços e suas pernas, deitados. É esta a sua extensão!" Como eles ficaram com uma cara de quem não haviam se convencido, Oyassama continuou: "Este mundo em que vivemos, assim como o nosso corpo, move ­se porque tem o calor (a temperatura). Quando perder o calor, perde o seu movimento. É a mesma coisa. O que sustenta este mundo são as pedras e rochas. No corpo humano, correspondem aos osso. Também é a mesma razão. Os ossos são envolvidos pela carne; as pedras e as rochas são envolvidas pela terra. O que alimenta o corpo são as veias. O que alimenta a Terra são os rios. Qualquer parte do corpo que se corte, sairá sangue; qualquer lugar do mundo que se cave, sairá água. É a mesma razão. Em todo o corpo humano, temos pelos, não é? Da mesma forma, na superfície da Terra, temos as árvores e as matas. Os dentes e as unhas são o mesmo que os minerais que são extraídos das rochas e pedras. Os seres humanos respiram para viver. O movimento das marés são a respiração de Deus”.

Os trabalhos de Deus-Parens no mundo são exatamente iguais aos seus trabalhos no corpo humano. Por isso, é importante termos a consciência de que o homem e a Natureza estão intimamente ligados entre si. Se tivermos essa consciência, deixaremos de ter problemas com o meio-ambiente, como a poluição e a destruição da Natureza.

Li num livro que, nos últimos 50 anos, cerca de 52% das florestas tropicais da África, 42% do Sudeste da Ásia, e 37% das Américas Central e do Sul, foram destruídas. Isto vem influenciando o clima no mundo inteiro. Penso que o fato de se desmatar as florestas tropicais por interesses comerciais é o mesmo que cortar braços e pernas, ou extrair estômago ou fígado de um corpo sadio.

Por que ocorrem as grandes enchentes? Diz-se que a causa da grande enchente ocorrida na Índia, há alguns anos, foi causada pela destruição das matas nas montanhas do Himalaia.

As matas seguram as águas da chuva. Mesmo que chova forte, se há árvores, a água dessa chuva não vai diretamente para os rios. Elas passam pelas árvores e a possibilidades de enchentes são diminuídas. Entretanto, se as árvores são cortadas, quando chove forte, essa água vai direto para os rios, que transbordam e provocam as enchentes. Por outro lado, no caso de um período de seca, se não há árvores, não existe a água guardada pelas mesmas e os rios secam mais rapidamente. Antigamente, as enchentes eram considerados desastres naturais, mas hoje em dia, elas estão se tornando desastres provocados pelo homem.

Quando vou ao Japão, costumo dizer que o Brasil é um país rico em verde, com terras férteis, mas nos últimos tempos, tenho ouvido falar de desmatamentos em diversas áreas, que estão ameaçadas de se tornarem áridas.

A destruição da Natureza por interesses comerciais, em nome do desenvolvimento local ou em nome da sociedade, poderá levar a humanidade a grandes dificuldades no futuro.

Ultimamente, ouvimos falar sobre o fenômeno do aquecimento do mundo. Uma das razões disso está na utilização de condicionadores de ar em países desenvolvidos como o Japão, onde qualquer pequeno automóvel ou qualquer sala tem um desses aparelhos. Ao utilizar um condicionador de ar, o interior do automóvel ou da sala fica com o ar refrigerado, mas o ambiente exterior vai ficando mais quente.

A fumaça das fábricas, os gases de combustão dos automóveis, tudo isso vai se difundindo no ar, se transforma em poluição que será diluída pela chuva. Essa chuva ácida estragará as árvores nas matas. Ainda, ouvimos dizer que a utilização de aerossóis libera gazes que estão abrindo um buraco na camada de ozônio no céu do Pólo Sul.

Quando o ar fica sujo, cresce o número de pessoas que sofrem de problemas de asma. Ouvimos dizer que o número de pessoas com esse tipo de problema na cidade de São Paulo é muito grande. Também, o número de pessoas com câncer no pulmão também tem aumentado. Quando a água fica suja, começam a aparecer inúmeras doenças. Não se pode culpar o ar ou a água. A fonte do problema está no ser humano que suja a água e o ar.

Este mundo em que vivemos, seja no Brasil, seja no Japão, seja no Pólo Sul, está todo ligado numa única extensão. Será que não é importante cuidarmos da Natureza, que é o corpo de Deus-Parens, com o mesmo cuidado que temos com o nosso próprio corpo?

Assim como o Shimbashira nos orienta através da Instrução n° 4, acredito que é hora de transmitirmos às pessoas de todo o mundo que devemos ter o "espírito de moderação e gratidão".

Na preleção do Besseki também temos que "a moderação é a Razão, a moderação é o caminho", e também ouvimos que "a moderação do espírito, a moderação do corpo é a sinceridade". Nós, que seguimos o caminho desta fé, temos que nos dedicar a esta época oportuna com espírito de satisfação sincera e com a efetivação da prática do hinokishin, que são as bases fundamentais das nossas atividades religiosas.

Visando o Centésimo Décimo Ano do Ocultamento Físico de Oyassama, o Shimbashira nos instruiu no sentido de que todos, seja o condutor, seja o yoboku, seja o seguidor, evoluam espiritualmente como resultado da dedicação sincera à salvação, aprimorem o conteúdo das igrejas a que pertencem e contentem a eternamente viva Oyassama.

Creio que nem é necessário falar, mas nesta Grande Festa de Outubro, que celebramos com a mente voltada ao dia original da Revelação Divina, gostaria de renovar a nossa determinação espiritual no sentido de, unidos, evoluirmos cada vez mais visando o Centésimo Décimo Ano do Ocultamento Físico de Oyassama.

Muito obrigado pela atenção dispensada.