Palestras‎ > ‎Primaz Yuji Murata‎ > ‎

Primaz Murata_Jiba_26.Abril.2014

            Juntamente com todos os senhores que independente da distancia, regressaram a  Jiba desejando receber a razão do Parens, foi realizada alegre e animadamente a Cerimônia Mensal de Abril e isto é um fato muito gratificante.

              Expresso os meus sinceros agradecimentos pelos esforços diários dos senhores nos trabalhos do Caminho.

              A partir de agora, como farei a palestra da Cerimônia Mensal, gostaria de solicitar a atenção dos senhores, durante esse tempo.

            Neste segundo ano das atividades decenárias para a celebração dos 130 anos do Ocultamento Físico de Oyassama, a partir do dia 1º de março, está sendo realizado em muitas partes do mundo, o “Encontro dos Yoboku”, como uma oportunidade em que os yoboku e seguidores, unindo os seus corações, se comprometam ainda mais, em promover as atividades de salvação. Até o momento, cerca de 40% foi concluído, e até o final de junho, está previsto a realização de 60% dos encontros.

            No Brasil, que é o local em que estou trabalhando atualmente, do dia 1º de março até o dia 16, com a presença de três preletores da Sede, o encontro foi realizado em 27 localidades, com as palestras e os vídeos em português, e com tradução simultânea em japonês. Houve a participação de 2493 pessoas. Entre todos os encontros regionais realizados nos decenários anteriores, este foi a que contou com o maior número de participantes.

            No período de 16 dias, cada um dos três preletores, palestrou em 9 localidades, e somando o trajeto pelo ar e por terra, cada um percorreu cerca de 10 mil quilômetros. Deste modo, foi possível realizar os encontros sem nenhum problema, e recebemos um novo impulso para as atividades decenárias.

           Desta vez, conseguimos realizar em cada localidade em que estão os yoboku e seguidores, mas por não ter um local perto, 6 pessoas tiveram de percorrer cerca de 2 mil quilômetros, e 11 pessoas percorreram cerca de 700 quilômetros, participando com muita dedicação. Todos estavam animados para receber com muito valor a razão de Jiba e também para poder corresponder ao desejo do Shimbashira.

 

        Bem, na Instrução 3, está sendo solicitado e incentivado a todos nós, yoboku e seguidores, o seguinte: “A missão das pessoas que seguem este ensinamento é promover a salvação do mundo, transmitindo a intenção do Parens original às pessoas que carregam a insegurança em relação ao futuro por não terem um ponto de apoio espiritual. Agora é a época em que todos nós, filhos do Caminho, devemos entrar em ação e dedicar esforços na reforma do mundo, mostrando às pessoas a forma de viver purificando o espírito e ajudando uns aos outros.”

        Para a construção do mundo de vida plena de alegria e felicidade, o essencial é mostrar a vida onde as pessoas convivam salvando uns aos outros e também, mostrar a todos o modo de viver que purifica o espírito. Esta é a nossa missão como yoboku.

            Para o modo de viver que purifica o espírito, é necessária a prática do ensinamento da satisfação sincera, e para o modo de viver da salvação mútua, não se pode deixar de praticar o hinokishin.

            Revendo a situação social dos últimos tempos, por não conseguirem estabelecer o espírito de satisfação sincera, a ambição tem aumentado cada vez mais fazendo com que errem o caminho. Além disso, pelo excesso de egoísmo individual é que nascem os conflitos. Os conflitos sociais se transformam em revoltas por todo o país, e com isso muitas vidas são perdidas, perturbando a harmonia de todo o mundo.

            Ainda, por não estabelecer o espírito de satisfação sincera, a tendência de pensar “se ao menos eu estiver bem, se agora estiver tudo bem”, se torna comum em toda a sociedade. Desse modo, os laços da relação entre as pessoas tornam-se vulneráveis, e até mesmo os vínculos familiares, que são os alicerces da sociedade, ficam em uma situação perigosa.

        Desde que foi criado há 10 anos, o slogan para o espargimento da fé: “gratidão, satisfação, salvação”, acho que a expressão satisfação sincera, gradualmente tem sido menos ouvida. Apesar da palavra satisfação ser parecida com a expressão satisfação sincera, não é exatamente a mesma coisa.

            Muitas pessoas acham que a expressão satisfação sincera tenha uma imagem negativa de resignação, renúncia e paciência, mas, penso que a satisfação sincera que foi ensinada por Oyassama, possua uma imagem mais alegre de estabelecer o espírito de satisfação.

          A expressão satisfação sincera não aparece na Escritura Divina (Ofudessaki) ou nos Hinos Sagrados (Mikagura-uta), mas nas Indicações Divinas (Ossashizu) aparece mais de 2000 vezes.

            Entretanto, no 1º verso do hino 4:

            “O que quer que os outros digam, acalmem o espírito, Deus está vendo.”

            E, no verso 37, da parte 3, do Ofudessaki:

            “Qual seja o caminho atual, não o lamentem. Tenham prazer com o caminho real do porvir.”

            Assim, tanto no Ofudessaki como nos Hinos Sagrados, temos vários versos que nos ensinam o modo de estabelecer o espírito de satisfação sincera. Além disso, dentro do livro Episódios da Vida de Oyassama, a expressão satisfação sincera aparece em 3 locais, e em dezenas de outros episódios, através das expressões como: “Pensando ser gratificante”, ou “Tenha prazer!”, é ensinado como cultivar o espírito de satisfação sincera.

 

            No livro Episódios da Vida e Oyassama, episódio número 21, temos:

            “Em meado de maio de 1868, cinco anos após Tyushiti Yamanaka ter iniciado na fé, chovia torrencialmente todos os dias, os rios transbordavam aqui e ali, causando uma grande inundação e, as lavouras e as casas eram levadas pelas correntezas.

          A propriedade de Tyushiti sofreu também enormes danos como o deslizamento do morro e soterramento de grandes árvores. Aproximadamente um hectare do arrozal irrigado ficou coberto de terra e lama.

            A vizinhança que zombava da fé de Tyushiti, não perdeu a oportunidade para ridicularizá-lo: “Veja aquilo! É um tolo!”

            Ouvindo isso, Tyushiti ficou magoado. Regressou imediatamente à Residência e consultou Oyassama, que lhe disse:

            “Excelente! Excelente! Será posteriormente excelente, porque foram levados e alcançaram a profundeza do mar. Talvez pense por que o campo e o monte foram arrastados pela correnteza apesar de crer nesta fé, mas fique sinceramente satisfeito, sinceramente satisfeito. O futuro será excelente.”

            Tyushiti agradeceu de todo coração a Deus-Parens por sofrer um pequeno infortúnio em vez de uma grande desgraça.”

            Além disso, no capítulo 8, da Doutrina da Tenrikyo, temos:

           “Mesmo uma vez comovidos pelos ensinamentos e resolvidos a seguir a fé, poderemos, mais tarde, fraquejar e ser incapazes de continuar contentes e animados; ou ainda, ter momentos de hesitação por causa dos molestamentos físicos e complicações espirituais, apesar de termos sido salvos.

            O caminho que devemos seguir é viver radiante de alegria e entusiasmo, firme e sem desânimo, refletindo constantemente sobre o nosso próprio espírito em qualquer circunstância, entendendo e aceitando todo acontecimento como uma manifestação da intenção divina. Essa maneira de conduzir o espírito chama-se tanno ou satisfação sincera.”

            Significa que o contrário da satisfação é a insatisfação, portanto o espírito de satisfação sincera é não sentirmos a insatisfação. Na insatisfação não existe a alegria e não é possível realizar a vida plena de alegria e felicidade. Então, por que será que os seres humanos sentem insatisfação? Isso acontece porque as pessoas não sabem que estão sendo vivificadas pelas providências de Deus-Parens, e não tem conhecimento de que a graça não é conforme o próprio desejo, e sim, de acordo com o espírito de cada um. Por comparam a si mesmo com as outras pessoas é que acabam sentindo insatisfação. Embora a satisfação seja um sentimento que desfrutamos quando um desejo é atendido, no cotidiano, creio que o número de casos em que o pedido não se concretiza é muito maior do que os casos onde o desejo se torna realidade.

            Assim, Deus-Parens ensinou: “A sinceridade é praticar a satisfação sincera em meio ao impossível. Aceitarei essa sinceridade.” (Ossashizu de 8 de outubro de 1897). Deus-Parens sabe que viver com o espírito de satisfação sincera em meio a situações difíceis não é uma coisa fácil de se fazer, entretanto, ensinou que a satisfação sincera é o espírito de sinceridade, e é o espírito que Deus-Parens aceita.

            Na Indicação Divina (Ossashizu de 13 de maio de 1890) foi ensinado o seguinte: “Se sentir insatisfação, tudo se tornará insatisfação. Não aceitarei nada além da satisfação sincera. Somente tendo sinceridade, poderá estabelecer no espírito a satisfação sincera”. E, ainda, temos que: “a satisfação sincera é a razão que une, e a insatisfação é a razão que corta”. Significa que o espírito de satisfação sincera liga a vida dos seres humanos, e com isso, podemos ter uma longa vida e também, haverá uma contínua ligação entre marido e mulher, pais e filhos, entre irmãos, e até nas relações interpessoais. Ao invés disso, se sentirmos insatisfação, as coisas serão cortadas. Por tentar fazer prevalecer as próprias opiniões é que não ouve o que as pessoas dizem. Pelo fato de não terem satisfação sincera e sentirem apenas insatisfação, é que os laços vão enfraquecendo. Além disso, não basta somente nós sentirmos satisfação sincera, é preciso se tornar alguém que possa fazer com que as pessoas a sua volta, também  “façam a satisfação sincera”. E isso foi mostrada na vida-modelo de Oyassama.

              No livro Vida de Oyassama – Minuta, temos:

              “Quando Kokan disse: “Mamãe, já não há arroz.” Oyassama explicou-lhe:

            “Neste mundo há pessoas que estão sofrendo apesar de ter alimentos acumulados aos montes à cabeceira, porque não conseguem comer mesmo que queiram, nem passar a água pela garganta. Se pensarmos nisso, estamos muito bem, pois, quando bebemos água, sentimos o gosto da água. Deus-Parens tem-nos abençoado com a sua excelente graça.”

            Além disso, na ocasião da construção do Local do Serviço, em 1864, após a colocação da viga da cumeeira, ocorreu o nó do Santuário de Oyamato. A irmandade que estava a ponto de ser organizada, ficou paralizada completamente, e naquele momento, quando Kokan murmurou dizendo que se fosse para acontecer isso, talvez tivesse sido melhor nem terem ido para a casa dos Yamanaka, Oyassama orientou dizendo:

            “Não deve dizer qualquer palavra de insatisfação, pois será a base da explanação para o futuro.” Ou seja, devemos compreender que não temos que nos preocupar de antemão, e sim, acreditarmos em Deus-Parens sob qualquer circunstância, e orienta-nos a não dizer insatisfações e manter o espírito de satisfação sincera. A prática da satisfação sincera foi mostrada pela própria Oyassama, e ainda, ensinou também os seus filhos a passarem com satisfação sincera.

            No livro Doutrina de Tenrikyo, está escrito: “Quem se abriga no coração de Deus-Parens e caminha sinceramente devotada à fé, nunca sucumbirá diante de qualquer aflição e sofrimento que lhe sobrevierem; pelo contrário, estes se transformarão em alegria, porque vive observando correta e fielmente a verdade de tudo que acontece. Quando esse espírito de satisfação ou tanno ficar realmente assim determinado, as más causalidades acumuladas nas vidas anteriores serão extintas. Foi-nos explicado a respeito que “a satisfação sincera é o arrependimento das más causalidades das vidas anteriores”.”

             Na Indicação Divina (Ossashizu de 14 de julho de 1897) temos: “Não é possível estabelecer o espírito de satisfação sincera em meio às dificuldades. Digo caminho da razão. Em meio ao insuportável, a satisfação sincera. Estabelecer em meio ao impossível é a verdadeira sinceridade. É também a extinção das más predestinações das vidas anteriores.” No mundo dos seres humanos, vendo somente a aparência da vida atual, existem muitas coisas que não conseguimos compreender, e nem estabelecer no espírito. Nessas ocasiões, quando refletimos profundamente sobre a razão das vidas anteriores, podemos compreender e aceitar muitas coisas.

            Na palestra do Besseki, ouvimos que: “Embora não haja falha no corpo, o homem nasce com as poeiras das vidas anteriores. Por isso, deve-se estabelecer plenamente o estado de satisfação sincera, compreendendo e admirando a providência divina em tudo que vê e ouve neste mundo. O estado de satisfação sincera é a sinceridade verdadeira. Foi-nos dito que, embora não possamos sentir a satisfação sincera quando sofremos algum mal físico, ela é o arrependimento das más causas das vidas anteriores. Se entendermos bem isto e controlarmos o espírito, os grandes infortúnios serão pequenos e estes extintos.”

            E, no livro Doutrina de Tenrikyo, temos: “Essa satisfação não é mera resignação nem tolerância. Mas é o ato de viver, haja o que houver, alegre e entusiasmado com o espírito cada vez mais firme, compreendendo o amor de Deus-Parens em qualquer fato que nos sucede diariamente. Desta maneira, de acordo com o ensinamento “do nó saem brotos”, os molestamentos físicos e as complicações espirituais são nós que se tornam alimentos do espírito e dão impulso à fé.”

            A satisfação sincera não é a forma passiva de estabelecer no espírito somente o arrependimento, e sim, o oposto, a forma positiva de estabelecer o espírito animado, em que faz nascer os brotos dos nós.

              Temos na Escritura Divina, Ofudessaki:

              Se ao menos o espírito for purificado completamente, tudo será somente prazer. (XIV – 50)

            Significa que, diariamente, purificando o espírito, sentindo alegria transbordante em tudo que se vê ou ouve, e com esse espírito animado, gostaria de praticar a vida plena de alegria e felicidade.

 

              Em seguida, como um meio para que todas as pessoas vivam ajudando uns aos outros, Oyassama ensinou o hinokishin. A palavra hinokishin, apesar de ser uma palavra original do Caminho, penso que tenha sido originado da palavra “Kishin”, anteriormente empregado na ação de doar dinheiro ou objetos para templos ou santuários. Entretanto, Oyassama ensinou que, ao invés de pessoas que tenham dinheiro e bens materiais, fazerem doações para os templos ou santuários em situações especiais, o hinokishin é expressado na conduta e nas atitudes das pessoas, dentro do dia a dia, através da alegria e gratidão por estarem recebendo as imensas providências de Deus-Parens.

              No Hino Sagrado, temos:

              “O transporte de terra é algo extraordinário, se isto se tornar uma contribuição.”                                                          (7º verso do Hino XI)

              Ensinou que o transporte de terra também é hinokishin. Além disso, no livro Doutrina de Tenrikyo, temos: “Hinokishin é a manifestação da alegria de uma fé ardente e assume as mais variadas formas. Não consiste somente no carregamento de terra. Todo trabalho feito com entusiasmo e alegria, esquecendo a ambição, e de conformidade com a fé, é dedicação do dia ou hinokishin.”

            Como palavra relacionada ao “Kishin – doação”, temos o “Fushin - construção”. Mas, de acordo com o dicionário, Fushin, na terminologia budista, é quando uma grande quantidade de pessoas vai ao templo budista zen, e se dedicam nos trabalhos de construção civil e arquitetura. Entretanto, nos Hinos Sagrados temos que o Fushin, construção do Caminho é:

              “Embora realize a construção maravilhosa, não peço favores a ninguém.”                                                      (2º verso do Hino VIII)

              “Se todos do mundo inteiro, um após outro, vierem-se reunindo, há de ser realizada.”                                    (3º verso do Hino VIII)

            Como está sendo ensinado, a construção não é algo que é feito por haver o pedido, e sim, deve ser realizado com todos, reunindo-se através da alegria de terem sido salvos.

            Já se passaram alguns anos, quando levei um brasileiro, que não era descendente de japoneses, a um santuário, para conhecer a cultura do Japão. Por ser justamente logo após o término dos trabalhos de reparação do santuário, o nome das pessoas que fizeram as doações para a obra - Fushin e o valor doado estavam escritas em uma grande placa ao lado do santuário.

            Por ele ter me perguntado: “O que é isto?” Fiz uma explicação de forma simples. Mas, naquele momento, percebi que o hinokishin do Caminho e o Kishin tradicional são coisas totalmente diferentes. No Caminho, mesmo que seja construído um grande recinto de reverência, o nome da pessoa que fez a doação e o valor em dinheiro não é escrito de forma exposta para que as pessoas em geral possam ver. O hinokishin não é feito para ser mostrado às pessoas ou para se receber elogios, pois é realizado por sentir gratidão a Deus-Parens, pelas providências de estarmos sendo vivificados diariamente.

            Há cerca de 30 anos, no Japão, e em países e regiões economicamente estáveis, atividades voluntárias tem sido realizadas ativamente. Os voluntários são pessoas que auxiliam a comunidade civil, participando sem remuneração, de atividades que promovem o bem-estar. Na sociedade, são muitas as pessoas que pensam que o hinokishin da Tenrikyo seja a mesma coisa. Apesar de ser um pouco parecido, na sua essência são diferentes. Eles são parecidos em não serem remunerados e, em serem realizados para o benefício das pessoas e da sociedade. Eles diferem no fato de que as pessoas que participam dos trabalhos voluntários, fazem por terem disponibilidade financeira e também de tempo, mas a pessoa ou a família que passa por dificuldades até para viver, não participam. Participam apenas quando é conveniente.

            Entretanto, no hinokishin, tanto as pessoas que são favorecidas financeiramente, quanto as que não são, e tanto as pessoas que têm disponibilidade de tempo, quanto as que não têm, sentindo alegria e para retribuir a gratidão a Deus-Parens é que fazem o hinokishin. O resultado da realização do hinokishin torna-se favorável, beneficiando as pessoas e a sociedade. Para todas as pessoas, ter o espírito de ajudar os outros  a qualquer momento, em qualquer lugar ou situação, é o espírito de hinokishin. Mas, infelizmente, na atual situação social, todas as atividades econômicas estão associadas ao dinheiro, portanto, é grande o número de pessoas que agem da forma mais eficiente possível, não querendo desperdiçar, trabalhar de graça, ou ficar no prejuízo, desejando receber muito mais dinheiro e levar vantagem em tudo.

              Oyassama ensinou o seguinte:

              “Ao hinokishin, esquecendo a ambição, isto se torna o primeiro fertilizante.”                                                        (4º verso do Hino XI)

 

            Eu, aos 24 anos de idade, fui enviado pela Sede da Igreja para a Sede Missionária do Brasil, onde estou até hoje. Na época em que fui nomeado, o primeiro Primaz, reverendo Chujiro Otake e sua esposa, estavam saudáveis. Eles foram os pioneiros no desbravamento do Caminho no Brasil que fica muito distante de Jiba, e pude ouvir frequentemente as histórias sobre a sua longa jornada de sacrifícios e dificuldades.

            Em 1941, quando a Guerra do Pacífico começou, o Japão assinou uma aliança com a Alemanha e a Itália, mas o Brasil ficou do lado dos Estados Unidos da América. Assim, as relações diplomáticas entre o Japão e o Brasil foram interrompidas, e os japoneses que viviam no Brasil receberam uma dura repressão.

            O reverendo Otake, como líder religioso do país inimigo, foi detido durante um longo período. Ficou durante 20 dias na prisão da cidade de Bauru, e em seguida, na prisão da cidade de São Paulo, ficou preso durante 1 ano e 2 meses. Na época, o reverendo Otake estava com 37 anos de idade, e era jovem se comparado com as demais pessoas que estavam junto na prisão. A limpeza do banheiro estava sendo realizada no sistema de revezamento, e embora todos fossem escalados, independente de ser jovem ou idoso, quando era a vez de algum idoso japonês, ele trocava, dizendo: “Eu vou no seu lugar, portanto descanse um pouco”.

            Certo dia, o chefe dos prisioneiros alemães veio ao seu lado, e disse: “Senhor Otake, eu gosto dos japoneses e sempre ouço o que os idosos dizem, portanto, pelo fato da limpeza do banheiro não ser uma tarefa dura, quando chegar a vez da pessoa, deixe ela mesma fazer a limpeza.” Então, o reverendo Otake explicou-lhe dizendo: “Os japoneses nunca fazem um idoso limpar o banheiro que eles mesmos usam. Além disso, eu sou seguidor da Tenrikyo e faço com alegria as tarefas que outras pessoas odeiam.” Ao ouvir isso, ele fez uma cara mal humorada.

            Dentro da prisão, para resolverem a falta de exercícios físicos, os presos faziam caminhada no pátio. Por haver um idoso japonês com problema de locomoção, ele ajudava segurando suas mãos para fazer os exercícios. Mas, ele soube através de um amigo, que esse idoso, ao invés de agradecer o reverendo Otake, estava espalhando boatos às pessoas que a sua volta, dizendo: “O senhor Otake, apesar de estar fazendo vários trabalhos como uma pessoa dedicada à religião, o motivo dele estar realizando a limpeza do banheiro e da escarradeira, é para valorizar a própria imagem.” O seu amigo aconselhou-o, dizendo: “Mesmo fazendo com gentileza, ele está espalhando boatos maldosos ao seu respeito. Portanto, pare de ajudá-lo nos exercícios.” Mas, o reverendo disse para ele: “Se eu ficar com raiva por essas palavras e não fizer a limpeza da escarradeira, todos não irão gostar de respirar um ar que cheira mal. Oyassama ensinou sobre o hinokishin. Não importa o que os outros digam, pois faço de vontade própria.” E, continuou a fazer todas as noites.

            Certo dia, o reverendo Otake voltava ao quarto depois de fazer a limpeza do banheiro no lugar de um idoso, e desde quando abriu e entrou pela porta, até chegar a sua cama, todos de pé, bateram palmas para ele. Seguindo para a cama, enquanto se perguntava o que estava acontecendo, o chefe dos prisioneiros indo ao seu lado, foi cumprimentá-lo, e perguntou-lhe: “Sabe o que está acontecendo?” Quando o reverendo respondeu-lhe: “Não faço a mínima ideia do que está acontecendo.” Ele lhe disse: “Eu, há alguns dias atrás, embora tenha dito que a limpeza do banheiro deve ser realizada no sistema de revezamento e que não era para fazer no lugar de outra pessoa, você continuou a fazer em silêncio. Quando perguntei a seu respeito para outras pessoas, descobri que você é uma pessoa dedicada à religião. E continua a realizar espontaneamente tarefas que são sujas. E assim, nós conversamos e todos decidimos aplaudir em uma sincera homenagem pela sua conduta.” O reverendo Otake, apesar de não estar frio, cobriu-se com o cobertor até a cabeça e chorando, agradeceu sinceramente à Oyassama: “O hinokishin que foi ensinado pela Oyassama, pode ser compreendido até pelas pessoas que não entendem o idioma. Que coisa mais gratificante”. Este é o reverendo Otake, que estabeleceu a satisfação sincera e praticou o hinokishin em silêncio.

            Oyassama, para salvar todas as pessoas do mundo, passou 17, 18 vezes por sacrifícios nas prisões e delegacias, e ainda, com idade avançada.

            Em março de 1884, Oyassama estava com 87 anos de idade. Dois anos antes, o mestre Tyuzaburo Koda, tinha se tornado um fervoroso seguidor, após receber uma orientação a partir da doença nos olhos da filha. Esse fato ocorreu quando ele foi detido na prisão de Nara, juntamente com Oyassama. O mestre Koda era o chefe da vila Kita Higai, que fica em Nara. Também, era membro do comitê de comunicação dos assuntos agrícolas, sendo uma pessoa inteligente e que tinha certa posição social. Assim, o carcereiro, na tentativa de fazer o mestre desistir da fé, para atormentá-lo, todos os dias obrigava-o a fazer a limpeza do banheiro imundo da prisão.

            Em certa ocasião, quando voltou junto a Oyassama, depois de ter terminado a limpeza, Ela lhe perguntou: “Koda, como se sentiu ao ser trazido a um lugar como este e obrigado a limpar uma privada suja?” E ele respondeu: “Que me obriguem a fazer o que for, se pensar que estou servindo a Deus é realmente excelente.” Então, Oyassama ensinou-lhe: “Isso mesmo, quão penoso e desagradável seja o trabalho, se fizer julgando-o excelente, esta razão alcançará o céu. A razão aceita por Deus será transformada excelentemente em virtude. No entanto, mesmo que faça trabalhos difíceis e cansativos, se fizer queixando-se: ‘Ah! Que penoso!’ ‘Ah! Que desagradável!’, a razão da insatisfação alcançará o céu.

            Isto está registrado no livro Episódios da Vida de Oyassama.

            Significa que, quão penoso ou desagradável seja o trabalho, se for realizado com ânimo e alegria, isso será aceito por Deus-Parens e será possível receber excelentes virtudes. Por outro lado, mesmo que faça o hinokishin, se o fizer com insatisfação, dizendo: “Ah! Que penoso! Ah! Que desagradável!”, o que será aceito por Deus-Parens, será somente o espírito da insatisfação.

            Nós, filhos do Caminho, estabelecendo firmemente no espírito e praticando a doutrina exclusiva do Caminho, como o hinokishin, a satisfação sincera entre outros, e se esforçando na prática diária da salvação, vamos dedicar a nossa força para a reforma do mundo e assim, alegrar Oyassama.

 

            No dia 29 deste mês, como é do conhecimento de todos os senhores, é o dia do hinokishin geral. Atualmente, toda a Tenrikyo está numa importante época onde estão sendo desenvolvidas atividades rumo à celebração dos 130 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama. Deste modo, vamos nos animar ainda mais nas atividades decenárias, fazendo com que todos os yoboku e seguidores do mundo participem ativamente do hinokishin.

              Muito obrigado pela atenção.

Comments