Palestras‎ > ‎Primaz Yuji Murata‎ > ‎

2005.12 - Diretores da Associação dos Moços

    Os meus sinceros agradecimentos a todos que, mesmo estando atarefados, estão participando do Curso para Diretores e Novos Diretores do Seinenkai do Brasil. Acredito que seja a primeira vez que está sendo realizado um curso com este nome, voltado especialmente para os diretores. Imagino que este Curso esteja sendo realizado nesta oportunidade para que, mesmo que seja em metade de um dia, cada um possa se aperfeiçoar; uma vez que se torna difícil fazer das reuniões mensais um local de aprendizado.

    Entre vocês, há aqueles que participam das atividades do Seinenkai como diretores há vários anos e outros que começaram a fazer parte recentemente. De qualquer maneira, o meu desejo é de que participem hoje do Curso com o coração em branco, sem idéias preconcebidas.

     Peço isto porque vocês já participam como diretores e o que irão ouvir hoje não é algo totalmente novo. Porém, se ouvirem a palestra de hoje como sendo a primeira vez, com o coração em branco, as palavras irão penetrar em seus corações e daí pode se esperar um novo desenvolvimento.

    No Estatuto da Associação dos Moços da Igreja Tenrikyo, Artigo 3, há que: “Esta Associação tem como objetivo reunir os jovens do Tenri e desenvolver atividades como Arakitoryo.” E no Artigo 6 há: “Para a concretização do objetivo, esta Associação realizará o seguinte: 1. Debates sobre a fé; 2. Fortalecimento do hinokishin; 3. Desenvolvimento das atividades de missionamento; 4. Formação dos mais jovens; 5. Outras questões necessárias.”

     A palavra “Arakitoryo” está escrita no carro Toyota e é também o nome da revista do Seinenkai. Por isso, acredito que não haja associado que não a conheça. Esta palavra, “Arakitoryo”, aparece uma única vez nos textos originais: é nos Hinos Sagrados Mikagura Uta, Hino Doze, Oitavo. Não a encontramos nem na Escritura Divina Ofudessaki e nem nas Indicações Divinas Ossashizu. Porém, nos Episódios da Vida de Oyassama (33), há uma passagem em que a Oyassama diz “Arakitoryo”.

            Como todos sabem, foi nos deixado um grande número de Indicações Divinas; mas dentre elas, apenas uma única vez é encontrada a palavra “Araki”. Não aparecendo como “Arakitoryo”.

            O Oitavo verso do Hino Doze é:

            Quando se dirigirem para montanhas adentro, levem o mestre madeireiro.

    E significa: “se forem dirigir-se para montanhas adentro, ou seja, desbravar matas virgens nunca antes exploradas, levem o arakitoryo, ou o mestre (toryo) para retirar as madeira brutas (araki).”

    Externamente, “matas virgens nunca antes exploradas” significa locais e pessoas que ainda não conhecem a Tenrikyo. E, internamente, a parte inexplorada da fé do próprio espírito.

    Assim, “Arakitoryo” se refere a aquele que missiona e a aquele que busca a fé desbravando estas partes inexploradas. E é aí que está o ideal e a missão dos jovens do Tenri. A verdadeira característica dos jovens do Tenri está neste vigor e nesta paixão como pioneiros e é por isso que a palavra “Arakitoryo” passou a ser usada para representá-los.

    O papel a ser cumprido pelo Seinenkai rumo ao grande objetivo, que é a concretização da Vida Plena de Alegria, está em empenhar-se animadamente ao missionamento e à busca da fé, que são a essência dos “Arakitoryo”.

    Em seguida, falarei sobre o meu pensamento a respeito dos itens que constam do Artigo 6, para a concretização do objetivo da Associação.

1. Debate sobre a fé

No Caminho, usa-se muito os termos “debate (neriai)” e “deliberação (danjiai)”. Dentro da caminhada de cada um, para aprofundar-se na fé, é preciso conversar entre si com o coração aberto e polir o espírito incentivando-se mutuamente. Para desenvolver as atividades em união espiritual, os debates são algo imprescindível. E é importante que estes debates estejam baseados na fé, ou seja, nos ensinamentos. Ouvindo o que os outros falam nos debates, há muitos casos em que podemos aprender, outros em que somos levados a refletir e outros em que nos animamos. Deve se tomar cuidado para que os debates não corram para o senso comum da sociedade.

2. Fortalecimento do hinokishin

Oyassama nos ensinou a forma de retribuir a Deus-Parens, que qualquer um pode realizar, em qualquer local e a qualquer hora, como sendo o hinokishin. A prática do hinokishin torna-se a semente para se trilhar uma vida feliz e é através da sua prática que pode se eliminar as más predestinações das vidas passadas, transformando-as em boas predestinações. Os associados do Seinenkai, principalmente, têm a juventude como uma de suas características. É imprescindível acumular merecimento enquanto são jovens e saudáveis, dedicando-se ao hinokishin que seja útil às pessoas e à sociedade.

    Dentro dos lemas do Arakitoryo há o seguinte: “Arakitoryos, plantemos a semente da sinceridade em Jiba e recebamos a proteção do Parens”. Assim, mesmo dentro do hinokishin, aquele em que semeamos a sinceridade em Jiba é o mais precioso. Nos Hinos Sagrados, Hino VII, Oitavo, há:

    Como a Residência é terreno de plantio de Deus, as sementes brotam todas.

    A Residência Original é o terreno de plantio de Deus e no seu centro está Jiba, onde permanece Deus-Parens, gerando o trabalho de proteção na salvação de todas as coisas. E é ensinado que as sementes plantadas aí brotam todas.

    No jardim do Dendotyo estão plantados alguns pés de ipê. E este ano também floriram maravilhosamente nas suas respectivas cores: roxo, amarelo e branco. Se ficar apenas regando as flores e os galhos, desejando ver belas flores, e esquecer de regar a raiz, esta árvore, naturalmente, secará. Porém, se regar a raiz, mesmo que seja um pouco, esta árvore continuará se desenvolvendo frondosa mesmo que não se jogue água nos galhos e flores.

    A Tenrikyo teve início através de uma única pessoa que é a Oyassama. Se tomarmos uma árvore como parâmetro, podemos dizer que a Oyassama representa a semente. Da semente surge o broto e este se transforma em uma muda. Daí, passando por um longo período, do grosso tronco surgem galhos voltados para todas as direções. Finalmente, nos seus galhos surgem folhas, flores e frutos. E o que sustenta esta enorme árvore é a raiz. Assim, a raiz é Jiba. O tronco são as Igrejas-Mor e a Sede Missionária a que vocês pertencem. E os galhos são as mais de 17 mil igrejas existentes.

    Para se receber a graça de magníficas flores e frutos, ou seja, se desejar que os yobokus e seguidores recebam o trabalho de proteção, é preciso regar a raiz com sinceridade e é preciso adubar esta raiz. Isto significará receber a graça de ter para sempre a enorme árvore. Esta é a razão da natureza. Por isso, para os seguidores deste Caminho, dedicar a sinceridade a Jiba torna-se a mais importante prática da vida religiosa.

    O próximo ano será o ano dos 120 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama e, entre os dias 18 e 24 de julho, será realizado em Jiba o Corpo Internacional de Hinokishin. É uma atividade realizada a cada três anos e fui informado que o Seinenkai do Brasil fez a determinação espiritual de 120 participantes. Desejo que todos caminhem rumo a este objetivo e um grande número de associados participe do Corpo Internacional de Hinokishin.

    Ainda, rumo aos 120 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama, a Sede do Seinenkai está incentivando todos os associados a se empenharem no “Aumento do número de ouvintes do Besseki”. Entre os associados do Seinenkai do Brasil há muitos que já são yobokus; porém, gostaria de pedir para que se empenhem no convite ao regresso a Jiba durante o meio ano que ainda resta e possam conseguir a graça, de uma pessoa que seja, a receber o Dom de Sazuke nesta oportunidade.

3. Desenvolvimento das atividades de missionamento

    Nas atividades de três anos – mil dias rumo ao 50º Aniversário de Fundação do Dendotyo, que foi comemorado em 2001, uma das metas anunciadas foi “ter um local de missionamento em todos os Estados”. O Seinenkai do Brasil, correspondendo a esta meta, enviou caravanas de missionamento aos Estados que ainda não contavam com nenhuma representação. Mesmo após isso, há igrejas que estão enviando yobokus a alguns destes Estados. Ainda, atualmente, o Seinenkai do Brasil tem desenvolvido atividades de missionamento com afinco, após fundar a Casa de Missionamento de Botucatu em janeiro de 2003.

    Ao pensarmos sobre a propagação missionária deste Ensinamento no Brasil, pode se destacar o missionamento ultramarino promovido na ocasião em que se caminhava rumo aos 40 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama, de 1926. Coincidindo com o plano do governo japonês, de incentivar a migração ao Brasil, passou a se objetivar o missionamento na América do Sul, resultando, em 1929, na vinda das dez famílias do grupo da Igreja-Mor Nankai e também da família Kimura da Igreja Ayanomoto, da Igreja-Mor Kawaramachi. Esta é a imigração anterior à Segunda Guerra Mundial.

    Em seguida, após os 70 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama, de 1956, e acompanhando o reinício da migração ao Brasil no pós-Guerra, a Tenrikyo também, através do Departamento de Missões Ultramarinas e da Sede do Seinenkai, enviou “migrantes Tenri” ao exterior durante o período até os 80 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama. Esta é a imigração após a Segunda Guerra Mundial.

    As igrejas existentes no Brasil atualmente foram fundadas através das atividades de missionamento desenvolvidas pelos missionários vindos como imigrantes antes e depois da Guerra.

    Após o Centenário do Ocultamento Físico de Oyassama, de 1986, começaram a ser enviados professores para a escola de língua japonesa do Dendotyo, dentro do programa de envio de recursos humanos do Seinenkai. Após terminar o período de dois anos lecionando, três deles voltaram novamente ao Brasil para missionar e fundaram casas de divulgação.

    Até agora, com a vinda de missionários do Japão num ciclo de aproximadamente 30 anos, o Brasil veio observando o crescimento deste Caminho. Porém, de agora em diante, acredito que não haverá muitas pessoas dispostas a vir do Japão para missionar permanentemente.

    Já se passaram 75 anos desde que o Primeiro Primaz, Reverendo Otake, imigrou ao Brasil. E por falar em 75 anos, existe uma previsão da Oyassama que nos é transmitida da seguinte maneira: “Passados 75 anos, estará espalhado por todo o Japão; e daí em diante, chegará a todos os cantos do mundo”. Se contarmos 75 anos desde o ocultamento físico de Oyassama, chegaremos ao ano de 1962. Nessa época, o Segundo Shimbashira-sama anunciava o reinício do missionamento ultramarino, que estava interrompido com a Segunda Guerra Mundial.

    Passaram-se 75 anos desde que foi iniciado verdadeiramente o missionamento no Brasil. E eu reflito da seguinte maneira: “Passados 75 anos, estará espalhado por todo o Brasil; e daí em diante, chegará a todos os cantos da América do Sul”. Penso que chegou o momento oportuno para que yobokus nascidos e crescidos no Brasil, ou que ingressaram na fé no Brasil, passem a dedicar-se verdadeiramente ao missionamento nesta terra.

    De todos os diretores do Seinenkai, espero que tornem-se figuras centrais deste missionamento e demonstrem a verdadeira característica como arakitoryo.

4. Formação dos mais jovens

    No Brasil também, muitos associados do Seinenkai têm se empenhado como educadores do Shonenkai. Nós sempre devemos desenvolver as atividades sem negligenciar a orientação e a formação das pessoas que irão nos seguir posteriormente. A orientação e a formação dos membros do Shonenkai também é um importante papel do Seinenkai.

    Assim, falei até aqui a respeito das questões básicas sobre as atividades do Seinenkai.

    Atualmente, existem cerca de 80 igrejas no Brasil. A igreja mais antiga está com 70 anos desde que foi fundada. E, em quase todas estas igrejas mais antigas, a pessoa que é da terceira geração está empossada como kaityo. Acredito que, dependendo se a terceira geração consegue assumir sem problemas ou não, começa a surgir uma grande diferença no desenvolvimento da igreja e também no aprimoramento do seu conteúdo.

    Na Indicação Divina de 21 de março de 1889, há:

    A primeira geração, veja o sacrifício da primeira geração. Foram longos e longos sacrifícios. A segunda geração, veja o sacrifício da segunda geração. A terceira geração já ficará de forma que não tenha nenhuma dificuldade. Entretanto, o ser humano não tem jeito. Contentando-se apenas com o momento, o ser humano não tem jeito. Contentando-se apenas com o momento, não tem jeito. Pode passar apenas por esse momento. Entretanto, se perder a eficácia em qualquer coisa, não tem jeito. Se ficar assim, não tem jeito.

    Explicando essa Indicação Divina de forma simples, a primeira geração desbravou matas virgens, dedicou-se à divulgação e passou por um caminho de longos sacrifícios. A segunda geração apoiou a primeira geração e também deve ter compartilhado o caminho de sacrifícios. Comparados a isso, quando chega à terceira geração, não haverá mais dificuldades. Tomando a igreja como exemplo, o recinto de reverência já está pronto, os yobokus e fiéis já existem e não é necessário o sacrifício do desbravamento como na primeira geração. Entretanto, o ser humano, à medida em que as condições vão melhorando, onde tudo vai se arranjando, passa a buscar apenas o contentamento momentâneo, vai ficando com o pensamento de ter uma vida cômoda. Assim, não tem jeito. Se na terceira geração perder-se o espírito de acumular a razão da eficácia pela salvação das pessoas, a situação ficará insustentável. É isso que nos é orientado através desta Indicação.

    Na Instrução 2, o Shimbashira-sama nos orienta da seguinte maneira: “Na constante mudança do mundo em que se perde o conceito de valor das pessoas e em que se desfazem os vínculos espirituais, devemos praticar ainda mais o caminho da sinceridade, sem ser levado pelas condições sociais e transmiti-lo ao mundo, tendo como referência a vida-modelo de Oyassama.”

    Para nós, seguidores do Caminho, a vida-modelo de Oyassama é o nosso conceito de valor. Assim, o mais importante de tudo é trilhar o dia-a-dia com o espírito que possa contentar Nossa-Mãe, acreditando que existe um ponto de apoio seguro na vida-modelo de Oyassama.

    Por fim, gostaria de pedir a vocês para que a atividade do Seinenkai não se limite às presenças nas reuniões mensais de diretoria e em realizar a programação anual. Gostaria que se empenhassem para que as atividades do Seinenkai em suas igrejas tornem-se cada vez mais ativas; para que as pessoas possam reconhecer que, como igreja onde há um diretor, as atividades do Seinenkai estão sendo desenvolvidas ativamente.

    Existem muitos jovens que concluíram o Curso de Doutrina – Koshu e o Curso de Formação Espiritual – Shuyokai do Dendotyo. Assim, encerro a minha palestra solicitando para que se esforcem no aumento do número de associados que participem das atividades do Seinenkai.

    Muito obrigado pela atenção.

Comments