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2005.07 - Sede da Igreja

         Diante do imenso calor, inúmeras pessoas regressaram nesta Jiba, Terra Parental e a poucos instantes, realizamos todos unidos e com bastante animação o Serviço Mensal de julho. Creio que não há nada mais gratificante.

         Diariamente, muitos vêm se dedicando em prol da Salvação Mundial e principalmente por ser o ano decisivo das atividades dos três anos e mil dias rumo aos 120 anos do Ocultamento Físico de Oyassama, muitos têm se empenhado com sinceridade na divulgação e salvação. À todos o meu sincero respeito e reconhecimento.

         Peço a atenção de todos por alguns instantes para realizar a palestra do Serviço Mensal deste mês.

         Inicia-se hoje, estendendo-se até o dia 4 de agosto, o 52º Regresso das Crianças à Jiba. O Regresso das Crianças à Jiba teve início no ano 29 da era Showa (1954). Na época, era conhecido como “Hinokishin das Crianças Regressantes” e iniciou-se com o sentimento de transmitir às crianças, a importância de dedicarem alegremente a sinceridade em Jiba. Desde então, esta atividade vem sendo realizada sem mudar o objetivo. Ouvi dizer que este ano o número de regressantes vai ultrapassar a marca de dez milhões. Isso é realmente magnífico.

         Bem, estou me dedicando durante vários anos no caminho do Brasil, e venho presenciando o quanto não é fácil devido a diferença de costumes, cultura e língua àqueles que dedicam nos trabalhos da divulgação no exterior. Creio que não existe outro caminho senão dedicar durante longos anos trabalhando sem nenhuma alteração com sinceridade pela salvação das pessoas.

         Ouvimos dizer que a transmissão familiar e a divulgação social dos ensinamentos são como as rodas do automóvel. Nos países onde se acumula uma história na divulgação do Caminho, transmite-se sem falta a alegria dos ensinamentos dos pais aos filhos e dos filhos aos netos pela construção do mundo da vida plena de alegria e felicidade. E para nós, que avançaremos por todas as gerações pelo caminho da dedicação única à salvação, sentimos o quanto esse ponto é real. Entretanto, as vezes tenho presenciado a realidade daqueles que se empenharam durante anos em prol deste Caminho, pessoas habilitadas à instruírem e educarem os próprios filhos e netos, mas que não conseguiram transmitir a fé dos ensinamentos.

         Há o seguinte verso do Ofudessaki:

         Mesmo entre pais e filhos, marido e mulher ou entre irmãos,

         os espíritos são diferentes um do outro.

         Mesmo possuindo a relação de pais e filhos, todos os espíritos são respectivamente diferentes, portanto, mesmo que os pais cobrem rigorosamente dos filhos para que sigam os ensinamentos deste Caminho, independente de qual for a predestinação, há muitos que não conseguem manter-se ligados. Mas não é por essa razão que devem desistir, pois se assim pensarmos no caminho das gerações futuras, o mundo da vida plena de alegria e felicidade só tenderá a se distanciar. Se houver sinceridade no espírito dos pais, é importante crer que com certeza um dia despertará para a fé, e para isso, é importante possuir o espírito de satisfação sincera e sempre estar disposto a realizar a ligação seja em qualquer hora ou lugar. E também, rever sempre a própria fé e verificar se está passando ou não o dia-a-dia conforme os ensinamentos de Deus-Parens. É de suma importância também refletir se não está desviando do caminho da vida-modelo de Oyassama.

         Há no Ossashizu:

         “É lamentável, se achar ser algo inconveniente, a razão voltará. Que cada um fique ciente disso. Estão escutando mesmo observando e ouvindo, a razão mundana. Possuem inclusive o dever de educar com cuidado os filhos dos outros. Deixo explicado como verdade solene e do dia-a-dia. Não há com o que se preocupar.” (8 de agosto de 1892)

         Está advertindo que, se caso houver algum sentimento no espírito dos pais de achar inconveniente a criação dos filhos, não conseguirão realizar tal tarefa, mas, se possuir o sentimento de amor paterno ou materno na educação dos filhos, não teria com o que se preocupar.

         E ainda, no Ossashizu:

         “Dizem ser pais por isto ou aquilo e têm o dever de educar os filhos. Que escutem bem. Este caminho e os pais unidos acompanhando ano a ano com a razão. Aí, dizem que as crianças, os filhos são criados conforme a educação dos pais. Fazer desabrochar ou não flores boas. Se florescerem flores, boas irão se animar. Isso dependerá do espírito de cada um. (17 de novembro de 1901)

         Aqui adverte que é importante a forma como os pais educam os filhos, e se irá florescer ou não boas flores, tudo dependerá do espírito único dos pais.

         Oyassama, na ocasião em que tornou-se Sacrário de Deus-Parens, era também mãe de seis crianças. Oyassama, enquanto cumpria a tarefa de transmitir a intenção de Deus-Parens à todas as pessoas do mundo inteiro, passou durante 50 anos por diversos sofrimentos com esperança pelo futuro também como uma mãe. Cumpriu grandiosamente o seu papel de mãe incentivando e educando os seus filhos excelentemente e fazendo com que se conscientizassem como sendo filhos do Caminho.

         Nós também, apesar de serem nossos próprios filhos, devemos lembrar que são filhos enviados por Deus-Parens e esforçarmos na educação para que se tornem yoboku sem nenhuma exceção.

         Bem, faltam apenas seis meses para os 120 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama. Na palestra da Grande Cerimônia de Janeiro o Shimbashira proferiu:

         “Para aqueles que são praticantes do Caminho desta fé, a evolução espiritual é o empenhar-se no dia-a-dia, principalmente nesta ocasião do grande nó do decenário de Oyassama. Organizem-se mutuamente rumo à evolução espiritual incentivando e trabalhando com afinco nestas atividades do decenário.” E no final da palestra, para nos despertar disse as seguintes palavras: “Peço para que se empenhem neste último ano das atividades de modo que não haja arrependimento e para que, com o espírito límpido, encaminhem aos 120 anos do Ocultamento Físico. E, trabalhem com bastante animação para que durante o ano do decenário, Oyassama se contente vendo a imagem alegre desta Jiba.”

         Na Sede Missionária do Brasil, com o sentimento de querer que o maior número de pessoas possam regressar a Jiba durante o ano do decenário de Oyassama, planejamos o envio de caravanas a Jiba a partir de dezembro deste ano até dezembro do ano que vem. Fizemos 33 reservas de vôos com a empresa aérea e em maio passado iniciamos as incrições das caravanas de regresso.

         A Sede Missionária do Brasil está localizada na cidade de Bauru, estado de São Paulo. São vinte mil quilômetros de distância e a cidade fica mais ou menos bem do lado contrário ao Japão. Para realizar um regresso a Jiba, partindo da Sede Missionária, mesmo regressando pela maneira mais rápida gastamos cerca de 35 horas. Além de ser uma longa viagem, trata-se também de uma viagem cara. O Brasil ainda é um país com baixa renda, e para realizar um regresso a Jiba é necessário obviamente a ajuda da família e de pessoas relacionadas senão será algo impossível de se realizar. Mas, mesmo diante dessa realidade o Caminho do Brasil vem obtendo a graça no aumento do número de regressantes em cada decenário de Oyassama.

         Agora pouco citei que para realizar o regresso a Jiba leva cerca de 35 horas, mas a primeira caravana de regresso do Brasil a Jiba foi nos 50 anos do Ocultamento Físico de Oyassama e, nessa época, o regresso a Jiba era feito de navio, partindo do porto de Santos até o porto de Kobe. Eram 64 dias de viagem.

         Nessa época, não havia a Sede Missionária e nem igrejas. O reverendo  Chujiro Otake, que se tornou posteriormente o primeiro primaz, esteve realizando a divulgação na cidade de Bauru. Em maio do ano anterior ao quinto decenário, recebeu uma mensagem enviada pelo segundo Shimbashira de incentivo aos seguidores da América-latina e nela estava escrito: “Ano que vem será o ano do quinto decenário de Oyassama. Caminhando diariamente em prol da divulgação e salvação estão recebendo diversos trabalhos e graças de Oyassama, que é a Nossa-Mãe e quem está comemorando o decenário. Portanto, precisam regressar de qualquer maneira a Jiba para dirigir palavras de agradecimento a Oyassama.” Sem o sentimento de hesitar, negociou com a empresa de navios, se empenhou convidando os seguidores que estavam espalhados em cada localidade, e conseguiu montar uma caravana de 150 pessoas. Dentre esse número, havia três crianças totalizando 23 seguidores.

       Lembro-me do seguinte episódio da caravana de regresso ao quinto decenário de Oyassama, no qual o reverendo Otake havia me relatado. Partindo do porto de Santos e navegando nas águas do oceano Atlântico, o mar estava terrivelmente agitado. Na ocasião em que imigraram ao Brasil, haviam aqueles que se diziam acostumados com as travessias marítimas e não tiveram problemas com enjôos e até comentavam que “na medida que o navio balançava mais sentia fome”. Mas, dessa vez, talvez a predisposição física tenha mudado pelo longo e árduo trabalho agrícola em terra firme, e a maioria dos seguidores nem conseguia sair da cama. O reverendo Otake, preocupado com a situação, reuniu os seguidores e disse: “Os senhores estão aqui para serem servidos ou para servirem o próximo? Se embarcaram com o propósito de serem servidos, com certeza, não conseguirão nem ficar de pé até chegarem ao Japão. Nós seguidores do ensinamento de Oyassama, devemos ter ao menos o espírito de servir; por isso, vamos nos dedicar com afinco nas atividades de hinokishin, transformando esta embarcação no “navio do hinokishin!”, incentivando assim à todos.

         Tocados por estas palavras, o pequeno grupo determinou-se e uniu o espírito praticando o hinokishin com todo o afinco dividindo as tarefas em limpeza do convés, dos quartos, preparo e arrumação da refeição, distribuição da refeição das pessoas enfermas e ministração do Sazuke. Mesmo dentro das bravíssimas ondas do Atlântico, todos os seguidores regressaram bem em Jiba e sem passarem mal.

         Está escrito no Ofudessaki:

         Reflitam do íntimo do coração para entenderem.

         Salvando os outros, estará salvando a si mesmo.

         E também no Okakisague, nos ensina que: “O espírito de salvar os outros é a sinceridade verdadeira e salvar os outros, é salvar a si mesmo”. Exatamente conforme está sendo citado, deve-se esquecer de si próprio e realizar a salvação do próximo, pois realizando a salvação do próximo estará também recebendo a graça.

         Três dias após partir do porto de Santos, o reverendo Otake, enviou o seguinte telegrama ao Departamento de Missões Ultramarinas: “Adorando virtudes do Parens, caravana de regresso com 150 parte de navio”. Assim, dois dias depois veio a seguinte resposta do Chefe do Departamento de Missões Ultramarinas, “Orando por uma viagem marítima tranqüila e felicidade do Parens pelo regresso dos filhos do Caminho.” Dentro deste curto telegrama, sentimos o inexplicável calor paternal, por citar o espírito de sinceridade verdadeira dos filhos que adoram à Oyassama e à Jiba, Terra Parental e também da ansiosa espera do Parens pelo regresso de seus filhos.

         O reverendo Otake antes de voltar ao Brasil, teve a oportunidade de se encontrar com o Segundo Shimbashira que na ocasião, perguntou: “Ano que vem é o Centenário da Revelação Divina. Vocês poderão regressar de novo?”  Caso fosse nos dias atuais até daria-se um jeito, mas levar dois meses para retornar ao Brasil pra até agosto do ano que vem ter que regressar novamente com uma caravana? Por um instante ele ficou indeciso, mas devido à forte emoção de ter recebido diretamente a voz do Parens, prometeu prontamente dizendo que regressaria.

         Chegando no Brasil, apesar das péssimas condições no tráfego e encontrando um tempo entre a divulgação e a salvação, batalharam arduamente em convidar as pessoas circulando entre as comunidades de imigrantes japoneses. Receberam a graça de conseguir formar uma caravana de 86 pessoas, sendo que cerca de 40 pessoas eram ligadas ao Caminho.

         O reverendo Otake sempre repetia sobre a importância de escutar obedientemente a voz paternal. “Dentro de quaisquer circunstâncias quero alegrar o Parens”. Com certeza, Deus-Parens irá aceitar e concederá a graça ao filho que possuir o espírito de sinceridade verdadeira de querer contentar de qualquer maneira o Parens. A partir das duas caravanas de regresso a Jiba, a Tenrikyo no Brasil começou a definir a sua forma como organização religiosa sendo fundadas nove igrejas fortalecendo ainda mais a base do Caminho no Brasil.

         Jiba, é o centro da fé da Tenrikyo. Ouvimos que Jiba é o ponto original onde Deus-Parens criou a humanidade, trata-se do local onde Deus é chamado pelo nome Tenri-Ô-no-Mikoto, e é a fonte da salvação da humanidade.

         Jiba é o primeiro local onde os seres humanos foram criados. Portanto, Jiba é a terra natal de todos os seres humanos e é nos ensinado como sendo Oyasato, Terra Parental.

         Com relação à essa afirmação, há no Ofudessaki:

         Nesse local, em Jiba, tenho criado todos os seres humanos do mundo.

         Jiba é o berço da região dos esclarecidos e de todos do mundo, seja de onde for.

         Como prova de que criei os seres humanos, deixo assentado o Kanrodai.

         Ensinou-nos e ainda, há no Ossashizu:

         “É dessa residência que irá se iniciar. Esta é a residência original de onde os seres humanos foram criados, e prego isso diariamente. E ainda, é a Terra Parental de onde os homens foram criados e onde todos deverão regressar.” (2 de fevereiro de 1899)

         Deus-Parens, esperando a chegada do tempo predeterminado do dia 26 de outubro de 1838, nesta Jiba que é o local predestinado na criação dos seres humanos, tomou Oyassama, que possuía a alma predestinada, como seu Sacrário revelando todos os detalhes da verdade e ensinando o Caminho da salvação. Em seguida, Oyassama transmitiu através da fala e escrita, e também, ensinou de várias maneiras a intenção de Deus-Parens dedicando o seu espírito com toda energia e fervor para deixar a vida-modelo e ensinar para os homens o caminho da vida plena de alegria e felicidade. E ainda, Deus-Parens, devido à vontade profunda, deixou registrado o nome divino de Tenri-Ô-no-Mikoto, nesta eterna terra parental, Jiba. E Oyassama, que ocultou-se fisicamente, continua trabalhando eternamente viva neste local pela salvação da humanidade.

         No Ofudessaki, está registrado:

         Este é o local do Serviço,  onde criei os seres humanos.

         Este Parens, que tem criado os seres humanos, permanece vivo. Isto é a verdade.

         Em Jiba original onde os seres humanos foram criados e Jiba onde reside Tenri-Ô-no-Mikoto e se encontra como prova o Pedestal do Néctar, Kanrodai. E é em volta desta Jiba, Kanrodai que se executa o Serviço de Kagura que foi ensinado como sendo o caminho para a salvação da humanidade. O Serviço de Kagura representa o excelente trabalho de Deus-Parens pela origem da criação do mundo e seres humanos de onde nada existia e desta vez, nos mostra pela salvação da humanidade.

         Há no Ofudessaki:

         Tal como quando iniciei este mundo, mostrarei realizando coisas extraordinárias.

         O Serviço não tido desde o início deste mundo, uma vez começado, por certo o pacificará.

         Para a humanidade, esta rara e fundamental salvação, fora invocada tendo como base esta Jiba original onde os seres humanos foram criados, e vai se estendendo pelo mundo. E ainda, é nos falado que Jiba é a fonte da salvação mundial.

No Ossashizu, está escrito que:

         “Se houver ao menos uma verdade em Jiba, o mundo irá se pacificar. É por existir Jiba que o mundo irá se pacificar.”

         Há o seguinte trecho dentro da preleção do Besseki:

         “Regressar saudosamente de todas as partes do mundo à Terra Parental da origem dos seres humanos é tal como o regresso espontâneo dos filhos à casa paterna, movidos pela saudade e amor filial. O amor parental consiste em esperar o regresso de todos os filhos do mundo, sem distinção, a Jiba.

         A sinceridade dos filhos, que assim regressam, corresponde plenamente ao amor do Parens, que pensa sempre neles, indistintamente, e espera seu regresso. Então, Ele mostrará obras admiráveis e concederá sua proteção onipotente. Por isso, é de máxima importância conduzir-se sempre à Jiba original com o espírito sincero.

         No Ofudessaki, está escrito:

         Se Tsukihi aceitar ao menos o espírito sincero, assegurará toda e qualquer salvação.

        Tsukihi diz que assegurará qualquer salvação, porque existe o Parens verdadeiro.

        Tsukihi mostrará sua onipotência porque existem a predestinação original e a Jiba da origem.

         O que é de suma importância para nós é que devemos nos conduzir e dedicar com sinceridade a Jiba, à residência original. Oyassama com certeza está aguardando ansiosamente o regresso de todas as pessoas de várias partes do mundo a Jiba, sem a distinção na distância. E acredito que dentro dessas condições há aqueles que estão regressando mesmo passando por vários sofrimentos, mas ela com certeza ficará bastante contente com o regresso desses filhos do caminho.

         Na época em que Oyassama realizava a sua caminhada, não há como comparar, mas o sistema de condução daquela época tinha péssimas condições, mas só pela alegria de ter sido salvo e com o sentimento de querer agradecer de qualquer maneira a Oyassama, todas as pessoas daquela época regressavam à residência a pé.

         Nos Episódios da Vida de Oyassama, há vários relatos de mestres antecessores que mesmo passando por dificuldades, regressaram a Jiba. Há também no episódio 44 sob o título “Dia de neve”, a história do regresso a Jiba pela professora Lin Massui.

         “Aconteceu em 10 de janeiro de 1875 ou 1876. Após iniciar-se na fé Lin Massui regressava fervorosamente à Residência. Nesse dia nevava muito desde a manhã.

         Partiu de Kawati para regressar à Residência e quando atingiu a estrada de Yamato, a neve começou a cair intensamente, acrescida de ventania. Enfrentando-as, chegou na Ponte alta de Nukatabe, na época, sem corrimão, de pouco mais de 90 centímetros de largura. Como havia acumulado muita neve, sentindo-a perigosa, avançou descalça, gatinhando. Com dificuldade, ao alcançar o meio da ponte, a tempestade de neve ficou mais forte, o corpo desequilibrou-se e quase caiu no rio por várias vezes. Toda vez que isso ocorria, debruçava-se sobre a neve como uma formiga, orando ardorosamente: “Namu Tenri-Ô-Mikoto, Namu Tenri-Ô-Mikoto.”

         Conseguiu atravessar a ponte com muito custo. Passando por Miyando e por Nikaido, chegou à Residência, mais ou menos às quatro horas da tarde. Quando abriu a porta corrediça e entrou no Local do Serviço, Ie Murata contou-lhe: “Há pouco, Oyassama, olhando pela janela, estava dizendo:

         ‘Oh! Vem gente também num dia como este. Que pessoa sincera! Deve estar em dificuldades!’.”

         Lin sentia-se extremamente feliz por ter regressado sã e salva à Residência, e exclamou: “Ah! Graças a Deus!” Entretanto, a caminhada de Kawati à Residência de trinta quilômetros, percorridos sob tempestade de neve, congelaram os pés e as mãos, a ponto de perderem os movimentos. Assim, as pessoas presentes trataram-na cuidadosamente e aqueceram-na ajuntando três braseiros. Ficando um tanto aquecida, foi cumprimentar imediatamente Oyassama, que lhe disse:

         “Seja bem-vinda de regresso. Foi Deus-Parens que a trouxe de regresso guiando-a pelas mãos. Escorregou aqui e ali, foi muito difícil, não? Mas, mesmo nessa dificuldade esteve contente. Deus-Parens aceita plenamente, plenamente. Aceita tudo, inteiramente e concede graças. Tenha prazer, tenha prazer, tenha prazer.”

         Com ambas as mãos, apertou fortemente as mãos geladas de Lin, que sentiu um calor indescritivelmente agradável tal como se estivesse sendo aquecida no braseiro. Lin ficou com o coração tomado de emoção e cheio de gratidão.”

           Aos 32 anos, devido a uma catarata, a professora Lin Massui perdeu a visão, mas recebeu a maravilhosa graça. Trata-se de um dos episódios dela que mesmo sendo mulher, percorreu trinta quilômetros a pé regressando várias e várias vezes para perto de Oyassama.

         Repetiu várias vezes o nome divino Namu Tenri-Ô-no-Mikoto ao tentar atravessar, sob aquela tempestade que estava prestes a derrubá-la, a ponte sem corrimão e com menos de um metro de largura, andou descalça, e regressou coberta de neve à Residência.

         Oyassama está querendo dizer que mesmo que o ser humano não consiga enxergar, é Deus-Parens quem está puxando a sua mão para poder regressar.

          Mesmo que tenham feito a determinação espiritual de regressarem a Jiba no ano dos 120 anos do Ocultamento Físico de Oyassama, sem querer possa ocorrer orientações de Deus tanto físicas como circunstanciais, mas se possuírem o forte sentimento de querer regressar de qualquer maneira a Jiba, com certeza Deus-Parens irá puxar a mão daqueles que possuírem tal sentimento. Acredito que este episódio está nos dando muita coragem e ânimo.

         Na preleção do Besseki há o seguinte trecho: “Neste caminho, não há discriminação entre jovens e idosos nem entre homens e mulheres, mas tem por merecimento tudo o que se dedicou. Deus-Parens cortará a má predestinação pela virtude da nossa dedicação e condução.” Nós devemos dedicar a sinceridade em Jiba e conforme a razão conduzida, será cortada a má predestinação, e nos mostrará o caminho da vida plena de alegria e felicidade a ser vivida.

         Há no Ossashizu,

         “Deixarei trabalhar segundo a razão do espírito.

         Pela razão única do espírito, poderá enfrentar sozinho milhares de pessoas. Deus trabalhará de acordo com a ação do espírito. Se ao menos o espírito estiver firme, Deus trabalhará onipotentemente, de acordo como essa ação de espírito.” (2 de outubro de 1898)

         Este é o último ano das atividades rumo a comemoração do decenário em que iremos ou não deixar de empenhar sem nenhum arrependimento. Ano que vem, como sendo o ano dos 120 anos do ocultamento físico de Oyassama, durante o ano todo Jiba estará transbordando de imagens alegres em que Oyassama poderá ou não observar, tudo irá depender da razão única do espírito de todos nós yobokus.

        Temos no Ossashizu o seguinte:

         “Acima de tudo devem avançar de qualquer maneira demonstrando a máxima garra, a máxima força, a máxima inteligência e o auge do Caminho. (8 de maio de 1907)

        Portanto, agora sim é o momento exato em que devemos demonstrar a máxima garra, força e inteligência.

         No final do capítulo nove da Minuta da Vida de Oyassama está escrito: “Se não trilharem o caminho da vida-modelo, não será necessária a vida-modelo...

         A vida-modelo, mostrada pessoalmente por Oyassama por longos 50 anos, é o único caminho que nos leva à vida plena de alegria e felicidade. Não há outro caminho a não ser este da vida-modelo. Graças à existência dos passos seguros de Oyassama que caminhou animada e alegre sob quaisquer situações, é que nós, seres humanos, podemos passar sem nos abater diante de quaisquer aflições físicas e problemas espirituais.

         Oyassama é a mãe ou parens da vida-modelo.”

          Nós, seres humanos, devemos trilhar sem perder de vista o caminho da vida-modelo. Oyassama, eternamente viva, estará sempre a nossa frente, como atrás ou do nosso lado. Vamos todos juntos continuarmos nos empenhando na divulgação e salvação e promovendo o regresso a Jiba alegre e animadamente neste período de atividades finais rumo ao decenário.

         Muito obrigado pela atenção.